Atravessar a Ponte 25 de Abril “não é gratuito” devido ao investimento na manutenção – Sociedade

O atravessamento rodoviário na Ponte 25 de Abril, que esta quinta-feira celebra 60 anos a unir Lisboa e Almada, “não é gratuito” devido ao investimento na manutenção da infraestrutura, afirmou o presidente da Lusoponte, afastando a possível abolição das portagens.
Por trás de um grande ecrã com várias imagens em tempo real da circulação na Ponte 25 de Abril, na sala de controlo de tráfego na Ponte Vasco da Gama, no Montijo, distrito de Setúbal, onde se monitoriza o trânsito das duas travessias rodoviárias sobre o rio Tejo na Área Metropolitana de Lisboa, António Ramalho reforçou, em entrevista à agência Lusa, que “não há nada gratuito”, ao ser questionado sobre a possibilidade de abolir as portagens.
Ainda assim, ressalvou que a decisão compete ao Estado português, através do Governo, enquanto concedente da gestão das infraestruturas, e não à Lusoponte.
“As pessoas precisam de perceber que tudo isto é pago. E, portanto, tem de ser pago ou por aqueles que atravessam a ponte ou então é pago pelos contribuintes portugueses”, expôs o presidente da concessionária das duas pontes, defendendo que fazer estas travessias rodoviárias implica pagar o investimento na manutenção e na segurança, com custos “muito elevados”, na ordem dos 14 milhões de euros por ano.
Na perspetiva do gestor, “é mais justo”, até por questões ambientais, que seja o utilizador da Ponte 25 de Abril a pagar esse investimento, até porque alguns cidadãos nunca passaram ou vão passar pela ponte.
Sob gestão da Lusoponte há pouco mais de 30 anos, desde janeiro de 1996, a Ponte 25 de Abril foi inaugurada a 06 de agosto de 1966, com um comprimento total de cerca de dois quilómetros, inicialmente com quatros faixas de trânsito, duas em cada sentido. Depois foi incluída uma quinta faixa reversível e, posteriormente, passou-se a seis faixas, três para cada lado, o que se mantém aos dias de esta quinta-feira.
Questionado sobre o facto de na região do Porto não se pagar portagens nas pontes, António Ramalho reforçou que, “cada vez que se passa para além do Tejo, não é uma pequena ponte, são sempre pontes muito relevantes” – tanto a 25 de Abril como Vasco da Gama – que “obrigaram a um investimento significativo”.
No caso da Ponte 25 de Abril, a Lusoponte investe à volta de três milhões de euros por ano no tabuleiro rodoviário, enquanto na Ponte Vasco da Gama são “cerca de nove milhões”, sendo que o custo na manutenção estrutural compete à empresa Infraestruturas de Portugal (IP).
Além do investimento na manutenção, a cobrança de portagens permite o financiamento, “sem onerar o contribuinte”, para as futuras duas travessias sobre o Tejo, uma ponte rodoferroviária entre Chelas e Barreiro e um túnel rodoviário entre Algés e Trafaria, apontou António Ramalho.
Atualmente, cerca de 150 mil veículos atravessam diariamente a 25 de Abril, mais do dobro do que o tráfego na Vasco da Gama, mantendo-se como “a preferida” pelos automobilistas para cruzar as duas margens do Tejo em Lisboa, referiu o representante, adiantando que é “um congestionamento permanente”.
“Temos muitas horas de ponta na 25 de Abril, é quase tudo hora de ponta e, portanto, é absolutamente essencial uma nova travessia para assegurar o descongestionamento”, defendeu.
António Ramalho disse que vai ser essencial, a certa altura, fazer um corredor ‘bus’ no tabuleiro, o que, neste momento, é “impensável”, porque significaria passar para duas faixas livres em cada sentido, mas poderá ser possível após o túnel rodoviário entre Algés e Trafaria e a ponte rodoferroviária entre Chelas e Barreiro.
As atuais duas pontes sobre o Tejo, sublinhou, “começaram a criar uma cidade de duas margens, mas essa cidade ainda não existe”, porque está mais desenvolvida a norte do que a sul. Por isso, as futuras travessias vão permitir que o desenvolvimento “seja equilibrado entre a margem sul e a margem norte”, à semelhança do que existe na região do Porto.
Celebrando os 60 anos da Ponte 25 de Abril, o presidente da Lusoponte considerou que esta primeira travessia sobre o Tejo em Lisboa representou um “enorme passo”, que juntou Portugal a sul e a norte.
Num acompanhamento “muito apertado” do tráfego rodoviário, com “muitas câmaras” de vídeo a registarem o trânsito – mais de 50 na 25 de Abril e mais de 100 na Vasco da Gama -, há dois operadores a monitorizar as imagens na sala de controlo, bem como a receber relatos de utilizadores das vias.
O controlo de tráfego também recorre à inteligência artificial para a leitura dos dados, no sentido de permitir uma intervenção “o mais rapidamente possível”, quando necessário, por exemplo, em caso de acidente ou avaria.
“Graças a Deus é muito raro cortar as pontes. Normalmente há capacidade de restringir os tráfegos […], normalmente conseguimos 100% de utilização das pontes”, declarou António Ramalho, frisando que nos momentos em que a Lusoponte foi obrigada a cortar totalmente o trânsito na Ponte 25 de Abril, nomeadamente quando houve uma ameaça de bomba em 2015, se criou “um caos na cidade de Lisboa”.
Ao longo das seis décadas de história, a 25 de Abril nunca serviu de palco para uma feijoada, como o que aconteceu na Vasco da Gama, mas há vários anos que acolhe a prova de atletismo Meia Maratona de Lisboa, que se realiza anualmente, e este ano recebeu o evento de ciclismo Pedala Portugal Bike Tour, inserido nas comemorações dos 60 anos.
