Brasil confirma novos casos de sarampo e Ministério da Saúde amplia vacinação em cidades de SP

Imagem: Freepik
O Brasil confirmou 19 casos de sarampo em 2026, acendendo um alerta para o risco de reintrodução de uma doença considerada eliminada do país há alguns anos. A maior parte das infecções está concentrada no estado de São Paulo, que já registra 16 casos confirmados, cenário que levou o Ministério da Saúde a recomendar a ampliação da vacinação em municípios com circulação do vírus.
Dos casos paulistas, 13 foram registrados na capital, dois em São Bernardo do Campo e um em Guarulhos. O mais recente envolve um bebê com menos de um ano de idade, morador da cidade de São Paulo, que já havia recebido uma dose da vacina tríplice viral. Segundo as autoridades sanitárias, os casos estão relacionados à importação do vírus, favorecida pelo intenso fluxo internacional de pessoas.
Diante do avanço da doença, o Ministério da Saúde orientou que São Paulo, São Bernardo do Campo e Guarulhos ampliem temporariamente a oferta da vacina para toda a população entre 6 meses e 59 anos de idade, inclusive para pessoas que já tenham sido imunizadas anteriormente. A estratégia busca interromper possíveis cadeias de transmissão e evitar que o vírus volte a circular de forma sustentada no país.
Enquanto isso, Santo André e São Bernardo do Campo investigam novas notificações suspeitas. Em Santo André, uma suspeita envolvendo uma criança de cinco anos já foi descartada, mas outro caso, de um homem de 56 anos, continua em análise pelo Instituto Adolfo Lutz. Nas demais cidades do Grande ABC, não há casos suspeitos em investigação neste momento.
Cobertura vacinal preocupa autoridades
A preocupação das autoridades não está apenas nos casos confirmados, mas também na queda da cobertura vacinal. Em São Paulo, apenas 77,5% das crianças receberam a primeira dose da vacina tríplice viral, enquanto a segunda dose alcançou 65,5% da população-alvo. Ambas estão muito abaixo da meta de 95% estabelecida pelo Ministério da Saúde para impedir a circulação do vírus.
No Grande ABC, a situação é semelhante. A cobertura média da primeira dose é de 75,06%, enquanto a segunda chega a apenas 62,52%.
Para tentar reverter esse cenário, o Governo de São Paulo iniciou nesta semana uma campanha de multivacinação em todos os 645 municípios do estado. A mobilização segue até 1º de setembro e é voltada principalmente para crianças e adolescentes de até 15 anos, com aplicação das vacinas nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs).
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Além disso, bebês entre 6 e 11 meses residentes nas cidades com circulação do vírus passaram a receber a chamada “dose zero” contra o sarampo, uma estratégia utilizada em situações de maior risco epidemiológico.
Doença é altamente contagiosa
O sarampo é uma doença viral extremamente contagiosa, transmitida pelo ar por meio da tosse, espirros ou fala de pessoas infectadas. Os principais sintomas incluem febre alta, acima de 38,5°C, manchas vermelhas pelo corpo, tosse seca, irritação nos olhos, coriza e intenso mal-estar.
Segundo o Ministério da Saúde, embora a vacinação tenha reduzido drasticamente a mortalidade provocada pela doença nas últimas décadas, o sarampo continua sendo uma ameaça à saúde pública em regiões onde a cobertura vacinal permanece baixa.
Surto nos Estados Unidos reforça alerta
O alerta brasileiro ocorre em meio ao maior surto de sarampo registrado nos Estados Unidos em 35 anos. A doença, considerada eliminada no país desde o ano 2000, voltou a se espalhar após uma queda na cobertura vacinal, cenário associado por especialistas ao crescimento da desinformação sobre vacinas.
Os últimos dois anos registraram mais casos de sarampo nos EUA do que todo o restante do século XXI somado. O atual secretário de Saúde americano, Robert F. Kennedy Jr., conhecido por declarações críticas à vacinação, passou a recomendar publicamente que as famílias imunizem seus filhos após o avanço da doença, afirmando que a vacina é segura e salva vidas.
Especialistas brasileiros avaliam que o aumento da circulação internacional do vírus, aliado à redução da cobertura vacinal em diversos países, reforça a necessidade de manter a vacinação em dia para evitar novos surtos e impedir que o sarampo volte a se tornar um problema recorrente no Brasil.
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