Sem apoio da Prefeitura, São Caetano do Sul realiza sua primeira Parada do Orgulho LGBT+

Sem apoio da Prefeitura, São Caetano do Sul realiza sua primeira Parada do Orgulho LGBT+


A cidade de São Caetano do Sul (SP) teve, no domingo (2), sua primeira Parada do Orgulho LGBT+. O ato, ainda módico se comparado às paradas de cidades vizinhas, ocupou um pequeno trecho da Avenida Goiás sem qualquer apoio da Prefeitura Municipal, que sequer garantiu a segurança para o fechamento da via.

“O maior desafio de colocar a parada na rua este ano foi a gente conseguir, primeiramente, garantir a segurança das pessoas com uma prefeitura que não está nos apoiando na realização do evento”, relata Gabriel Vieira, um dos organizadores do ato. “Só que a gente, com muita persistência, muito foco, muita garra e sangue no olho, conseguiu colocar o bloco em uma das principais avenidas da cidade.”

Para Vieira, apesar do cenário político de eleição ainda incerto neste ano, a expectativa é pelo crescimento contínuo do ato. “A ideia é que a parada, a partir de agora, só cresça. Estamos fazendo um ato lindo, diverso, grande. Apesar de eleição, apesar de uma possível mudança de governo, espero que ele seja cada vez maior, sempre.” O ato reuniu ainda falas políticas e apresentações musicais ao longo da tarde.

A vereadora Bruna Biondi (Psol) também esteve presente, prestigiando o coletivo organizador, e classificou a data como histórica. “Estamos apoiando o coletivo que constrói a primeira parada do Orgulho LGBT+ de São Caetano, que por si só já é um evento histórico numa cidade conservadora como a nossa”, afirmou. Segundo ela, o ato trouxe para a rua “tudo que sempre tentou esconder, que é o orgulho de ser, de existir, de tantas famílias, de tantas crianças” que representam a luta LGBT+ na cidade.

Biondi reforçou a ausência de qualquer suporte institucional. “O coletivo me relatou que sequer tiveram apoio para fazer a segurança do fechamento da rua para os manifestantes poderem estar aqui. Mas estamos aqui mostrando que, independentemente da prefeitura apoiar ou não, vai ter parada, vai ter gente ocupando as ruas.” Para a vereadora, o momento também escancara a necessidade de políticas públicas. “É preciso um poder público que não tenha medo de dizer que é preciso fazer políticas públicas para a comunidade LGBT+ de São Caetano.”

A falta de políticas reverbera na sociedade, dificultando a “saída do armário” de muita gente. Marcos Sibulka, de 57 anos, contou que a festa voltada ao público LGBT+ realizada na noite anterior teve público maior do que o da própria parada e atribui isso ao perfil mais privado da festa, que ocorreu num espaço privado a portas fechadas. Para ele, o contraste ilustra que “colocar a cara no sol”, isto é, ocupar espaços públicos abertamente, ainda é um desafio para a comunidade LGBT+ em São Caetano do Sul.





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