Como o Governo espanhol enfrenta a crise migratória em Ceuta – Observador

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Nesta situação, os Estados europeus podem recorrer, ainda assim, à suspensão dos acordos de livre circulação ou à imposição de restrições das suas fronteiras — sempre de forma bilateral. Foi precisamente isso que Itália ou França fizeram: Itália, que não partilha fronteiras com Espanha, anunciou a imposição de controlo das entradas provenientes de Espanha por via aérea e marítima, enquanto a vizinha França instaurou controlo fronteiriço. Em Portugal — o único outro país europeu que partilha fronteira com Espanha —, o mesmo pedido foi feito pelo partido Chega. Mas o Governo de Montenegro não concorda com a medida e recusa a suspensão do acordo, anunciando, no entanto, reforço do controlo fronteiriço terrestre e marítimo no sul de Portugal

Expulsão do espaço Schengen à parte, a realidade atual é, ainda assim, grave, e as tensões já se tornaram evidentes. Face às críticas que se multiplicaram pelo continente, Sánchez respondeu. “A solidariedade e a empatia são opcionais. O respeito aos tratados europeus e aos dados, não“, escreveu nas redes sociais, salientando os números de entradas irregulares em Espanha, mais baixos que noutros países mediterrânicos da Europa. “Não é hora de dividir. É hora de continuar a construir uma UE forte e unida”, rematou.

Apesar dos apelos, Madrid parece estar cada vez mais distante de Bruxelas. O Governo de Sánchez é, neste momento, um de apenas quatro Executivos de esquerda no bloco comunitário. E no que toca às políticas de imigração, vai muito além do controlo de fronteiras à chegada em que se focam os aliados de outros espectros políticos. No início do ano, Espanha encontrou-se debaixo de fogo devido à regularização do estatuto de meio milhão de migrantes no país. Os números ajudam a explicar porque é que Sánchez insiste em remar contra a corrente: os espanhóis têm uma perceção mais favorável dos imigrantes que os seus pares europeus. Por um lado, valorizam o seu contributo para a economia nacional, a quarta maior da UE. Por outro, partilham com eles uma herança cultural, já que cerca de metade dos imigrantes em Espanha são oriundos de países da América Latina.

O problema não tem uma solução à vista. Pelo contrário, argumenta Kelly Petillo. “As fraturas políticas entre Estados membros sobre como tratar o problema vão estar cada vez mais expostas. Até Governos mais alinhados como França anunciaram fecho de fronteiras. Isto só vai ficar pior de cada vez que houver uma crise como esta e vai dar voz aos partidos de direita por todo o bloco”, alerta.

[Os serviços secretos portugueses enfrentam uma crise de segurança sem precedentes: existe uma toupeira infiltrada no SIS. A suspeita é de que esteja a vender segredos da NATO à Rússia de Putin. E a confirmação final vai ser feita pelas secretas norte-americanas: a CIA traz o nome de um dos espiões mais antigos do serviço. Já estreou “A Vida Dupla do Espião Traidor”, o novo Podcast Plus do Observador. Pode ouvir o primeiro episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no YouTube.]





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