Arábia Saudita quer mostrar ao Irão que não é “presa fácil” – Observador

Arábia Saudita quer mostrar ao Irão que não é “presa fácil” – Observador



Esta possibilidade acentua a já mencionada existência de um bloco único de grupos rebeldes, todos com ligações ao Irão, mas também permite perceber que a fragilidade da Arábia Saudita também deriva da sua própria localização geográfica, pressionada em todas as direções por inimigos: o Irão a leste, os houthis, a oeste, os grupos iraquianos a norte. A escolha do Iraque como alvo saudita esta terça-feira terá sido escolhida devido à presença de combatentes iemenitas no país que, em colaboração com as PMF e a partir de solo iraquiano, têm visado a Arábia Saudita durante as últimas semanas.

Dado este contexto, não é surpreendente que a Arábia Saudita tenha escolhido entrar na guerra com ataques no Iraque. Mas Riade também pode estar a escolher ativamente não intervir diretamente no Iémen. Dada a longa, complexa e conflituosa relação entre a Arábia Saudita e o Iémen, este palco de guerra rapidamente se poderia tornar tão ativo como acontece em Israel e no Líbano, onde Telavive procura destruir o Hezbollah — mais um grupo alinhado com este “Eixo da Resistência”.

Contudo, a Arábia Saudita tem muito mais a perder caso insista no conflito no Iémen. O motivo mais óbvio são as perdas económicas para Riade, mas impõem-se também consequências geopolíticas com repercussões internacionais, destaca a especialista do Council of Foreign Relations, Michelle Gavin, num artigo de análise. “Já há múltiplas tensões interconectadas na região, relacionadas com as águas no Nilo, os desejos da Etiópia de ter acesso a portos, a guerra civil no Sudão e as crises políticas e securitárias na Somália. Quanto mais acesa é a competição, mais provável é que resulte num conflito em solo africano”, aponta.

Entre investimentos estrangeiros, apoios militares e acordos de cooperação, a Arábia Saudita tem interesse em que o conflito no Médio Oriente não chegue a um novo palco regional — e muito menos em ser o intermediário para esse contágio. Equilibrando prioridades a curto e longo prazo, Riade procura agora encontrar um equilíbrio: não ser arrastada para uma guerra aberta, mas preservar as suas prioridades internas e a sua economia.





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