9 de Julho: Elite paulista de novo no poder

9 de Julho: Elite paulista de novo no poder


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  • Em 9 de julho, a elite paulista retomou o poder, reforçando a influência política baseada nos símbolos dos bandeirantes e da Revolução de 1932.
  • Os bandeirantes, homenageados em vias e monumentos, simbolizam a tradição conservadora e a caça a indígenas; 1932 representa o elitismo e racismo da classe cafeeira.
  • Após derrotas eleitorais de 1945 a 1955, a elite voltou ao poder apenas com o golpe militar de 1964, encontrando novo líder em Fernando Henrique Cardoso, sucessor de Collor.
  • O insucesso do governo de FHC permitiu quatro vitórias consecutivas de Lula e do PT, mas a recente retomada indica nova fase de domínio da elite paulista.

Os símbolos mais significativos da identidade de São Paulo são radicalmente conservadores: os bandeirantes e 1932. Os bandeiras, cujo ícone não está plasmado somente na horripilante estátua do Borba Gato, mas no nome de tantas estradas, avenidas, ruas, praças e outros espaços públicos, foram, literalmente, caçadores de índios.

E 1932 representa o sentimento elitista e racista dos paulistas, que se consideram personificação da civilização, em contraste com a barbárie e o atraso do resto do país. A aventura derrotada de 1932 representou a tentativa de restabelecer o poder dos coronéis e dos latifundiários do café, que tiveram em Washington Luiís – carioca adotado pela elite paulista, como mais tarde FHC -, autor da frase “a questão social é questão de policia”, seu último presidente.

Desde então, a elite paulista sofreu as derrotas diante das novas lideranças ascendentes, que tiveram em Getúlio seu ícone maior. Depois de tentar derrubá-lo pelas armas, a direita, liderada pela elite paulista, foi sucessivamente derrotada nas eleições de 1945, 1950, 1955, até que ganhou efemeramente com Jânio Quadros – mato-grossense adotado pela elite paulista -, mas só voltou ao poder pela ruptura violenta da democracia pelo Golpe Militar de 1964 e a Ditadura imposta pelo terror ao país durante 21 anos.

Com a queda prematura do seu então novo herói, Fernando Collor de Mello, FHC se prestou a ser o novo líder da direita, em quem a elite paulista se representou euforicamente. Até que o fracasso do seu governo levou às vitorias de Lula e do PT, democraticamente, em 4 eleições sucessivas.

A direita paulista seguiu agitando a ideologia de 1932, de ódio ao “populismo” de quem reconhecia os direitos do povo e distribuía renda, fortalecia o Estado, desenvolvia política externa soberana, negava a questão social como questão de policia.

O 1932 deste ano encontra essa elite no governo, por um novo golpe, esta vez de caráter jurídico-parlamentar-midiático, mas com os mesmos ideais. Ódio ao povo e a seus líderes, a começar, agora por Lula. Aos sindicatos, aos movimentos sociais, aos direitos dos trabalhadores, ao patrimônio nacional, à independência diante do EUA.

Vale-se dos liberais de turno para retomar o “não sou comandado, comando”, só que agora não em nome dos latifundiários do café – proprietários dos antigos casarões da Avenida Paulista -, mas dos banqueiros, que erigiram os horrorosos edifícios de vidro fumê, substitutos daquele casarões. Herda também a tradição dos bandeirantes, tentando emplacar um general na Funai.

O racismo é um dos eixos de continuidade da elite branca de São Paulo, agora contra os nordestinos, contra as empregadas domésticas, contra os novos frequentadores dos aeroportos, contra o dedo do Lula perdido na máquina em prol do progresso de São Paulo, contra o próprio Lula, a democracia e o povo brasileiro

Gostariam de ficar os 21 anos da Ditadura Militar, mas puderam perfeitamente permanecer apenas o tempo efêmero da presidente Jânio e seguiu sendo derrotada, como o FHC e os tucanos, o Bolsonaro, derrotados pela democracia e pela esquerda, que eles tanto fizeram para tentar liquidar.




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