Irã sepulta Khamenei em Mashhad com milhões nas ruas enquanto EUA retomam ataques

Irã sepulta Khamenei em Mashhad com milhões nas ruas enquanto EUA retomam ataques


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  • O Irã sepultou o ex‑líder supremo Ali Khamenei no Santuário do Imã Reza, em Mashhad, na quinta‑feira (9).
  • O funeral encerrou seis dias de cortejos que mobilizaram milhões no Irã e no Iraque, quatro meses após sua morte em bombardeios israelenses e americanos em 28/02.
  • A cerimônia coincidiu com a retomada de ataques aéreos dos Estados Unidos e a declaração de que o acordo de cessar‑fogo não é mais válido.
  • Autoridades iranianas esperam até 15 milhões de pessoas no enterro, após o cortejo ter passado por Najaf e Karbala e o caixão ter sido transportado de Najaf a

O Irã sepultou nesta quinta-feira (9) seu ex-líder supremo, Ali Khamenei, no Santuário do Imã Reza, em Mashhad, cidade natal do aiatolá e local de culto mais venerado do país. O funeral encerrou seis dias de cortejos públicos que mobilizaram milhões de pessoas no Irã e no Iraque, quatro meses após a morte de Khamenei nos bombardeios israelenses e americanos de 28 de fevereiro. A cerimônia, projetada pelo regime como símbolo de coesão interna, coincidiu com a retomada de ataques aéreos dos Estados Unidos e a declaração americana de que o acordo que poderia encerrar a guerra não é mais válido.

O funeral de Ali Khamenei

O sepultamento ocorreu no Santuário do Imã Reza, em Mashhad, após uma maratona de homenagens que percorreu cidades sagradas do Irã e do Iraque, incluindo Najaf e Karbala. A cerimônia estava prevista para as 6h locais, mas foi adiada em oito horas por causa de atrasos nas cerimônias no Iraque, onde o cortejo fúnebre reuniu aproximadamente 3,8 milhões de pessoas, segundo a imprensa iraquiana. Na madrugada de quinta, o caixão deixou o Aeroporto de Najaf em direção a Mashhad.

O governador de Mashhad, Hassan Hosseini, disse aguardar 15 milhões de pessoas no enterro, segundo a TV estatal iraniana. O chefe de gabinete de Khamenei, Mohammad Golpaygani, também informou à TV estatal que o líder desejava ser sepultado em Mashhad, cidade onde outras figuras importantes do regime, entre elas o ex-presidente Ebrahim Raisi, já foram enterradas. Khamenei foi sepultado ao lado de sua neta, seu genro, sua filha e da mulher de seu filho Mojtaba, todos mortos no mesmo ataque de 28 de fevereiro. A dimensão da mobilização popular, ainda que organizada e incentivada pelo Estado, foi apresentada pelo regime como prova de legitimidade e continuidade diante de um país em guerra.

Quatro meses de espera: a preservação do corpo e a tradição islâmica

Ali Khamenei morreu em 28 de fevereiro, no primeiro dia da guerra, nos bombardeios israelenses e americanos que também mataram uma filha, um genro, uma nora e uma neta de 14 meses. O funeral foi adiado por quatro meses, o que contraria a tradição islâmica de sepultamento rápido. As autoridades iranianas justificaram o atraso com questões de logística e segurança. O funeral só foi anunciado oficialmente no começo de junho, quase dois meses após o início do cessar-fogo temporário.

Antes do início das homenagens, Iman Attarzadeh, porta-voz do comitê organizador, afirmou que os corpos foram preservados “em conformidade com as normas religiosas e legais”, sem detalhar o método utilizado. A tradição islâmica proíbe mutilações após a morte, o que torna o embalsamamento químico proibido ou fortemente desencorajado. Em entrevista à Fox News, o historiador iraquiano e especialista em contraterrorismo Omar Mohammed afirmou que o mais provável é que o corpo de Khamenei tenha sido mantido em câmara frigorífica até o sepultamento. Segundo Mohammed, a lei islâmica xiita permite, em situações excepcionais, adiar o enterro e preservar o corpo por refrigeração, e uma autorização religiosa para abrir essa exceção no caso de um líder supremo seria relativamente fácil de obter.

Ataques e retaliações: a escalada da guerra no Oriente Médio

O funeral de Khamenei não ocorreu em um vácuo diplomático. Na quarta-feira (7), dois dias antes do sepultamento, os Estados Unidos voltaram a atacar alvos iranianos. Segundo o Comando Central dos EUA (Centcom), os ataques foram uma resposta direta às supostas investidas iranianas contra três embarcações comerciais que transitavam pelo Estreito de Ormuz. Washington declarou ainda que o acordo que poderia dar fim à guerra não é mais válido, desfazendo o cessar-fogo que havia permitido, inclusive, a realização do próprio funeral.

O Irã respondeu com bombardeios a bases americanas no Kuwait e no Bahrein. “O alcance de nossas operações será ampliado para outras bases dos Estados Unidos na região se a agressão continuar”, afirmou a Guarda Revolucionária do Irã. A troca de ataques, que coincidiu com o momento de maior mobilização pública do regime desde o início da guerra, expõe a fragilidade de qualquer arranjo de trégua e sinaliza que o conflito iniciado em 28 de fevereiro está longe de um desfecho negociado.

Demonstração de força, transição incerta

O regime iraniano apostou no funeral como instrumento político. A cerimônia foi concebida para projetar força e unidade após meses de guerra e seis meses depois de uma repressão violenta a protestos antigovernamentais. A multidão presente em Mashhad seguiu pedindo vingança e a morte do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, expressão pública do sentimento anti-americano que o regime mobiliza como combustível de coesão interna.

Mas há uma ausência que não passou despercebida: Mojtaba Khamenei, filho do aiatolá e novo líder supremo do Irã, não é visto em público desde o início da ofensiva americana. Sua eventual presença no funeral era aguardada, mas a incerteza sobre seu paradeiro levanta questões concretas sobre a transição de poder e a estabilidade do regime em um momento de confronto direto com os Estados Unidos. A escalada de ataques mútuos, com o funeral de uma figura central ao fundo, aprofunda a instabilidade regional e transfere, como de costume, o custo mais alto para a população civil dos países envolvidos.




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