Governo Leite adia para julho leilão da PPP de 98 escolas estaduais

Governo Leite adia para julho leilão da PPP de 98 escolas estaduais


Alvo de mobilizações de professores, estudantes, direções e famílias em diferentes regiões do Rio Grande do Sul, o leilão da Parceria Público-Privada (PPP) da Infraestrutura Escolar foi adiado pelo governo Eduardo Leite (PSD). O Centro dos Professores do Estado do Rio Grande do Sul (Cpers Sindicato) celebrou a resistência das comunidades escolares, mas afirma que a categoria seguirá mobilizada contra a proposta. Inicialmente marcada para sexta-feira (26), a disputa foi remarcada para 23 de julho, às 14h, na B3, em São Paulo.

A entrega das propostas ficou para 16 de julho, das 10h às 12h. A mudança foi publicada no Diário Oficial do Estado de sexta-feira (19). Segundo o governo, a prorrogação ocorreu a pedido de empresas interessadas em participar do processo e está prevista no edital.

O projeto prevê entregar à iniciativa privada serviços de apoio e infraestrutura em 98 escolas estaduais de 15 municípios, por um período de 25 anos. Pelo modelo proposto pelo governo, a empresa vencedora ficaria responsável por reformas, manutenção predial, limpeza, vigilância, conectividade, jardinagem, controle de pragas, gestão de resíduos, mobiliário e equipamentos.

O governo afirma que a gestão pedagógica seguiria com a Secretaria Estadual da Educação (Seduc) e com as direções das unidades. Essa separação, porém, é questionada por trabalhadores e comunidades escolares, que apontam que a organização, a manutenção e o funcionamento cotidiano dos espaços também interferem na rotina de ensino.

A PPP envolve escolas de Alvorada, Bento Gonçalves, Cachoeirinha, Canoas, Caxias do Sul, Cruz Alta, Gravataí, Novo Hamburgo, Pelotas, Porto Alegre, Rio Grande, Santa Maria, São Leopoldo, Sapucaia do Sul e Viamão. Conforme o governo, 60,5 mil estudantes seriam atendidos. O pagamento previsto pelo estado é de R$ 72,1 milhões por ano. Vence a disputa a empresa que aceitar receber o menor valor do governo.

Cpers convoca greve e ato

Para a presidenta do Cpers Sindicato, Rosane Zan, o adiamento demonstra a força da mobilização da categoria e das comunidades escolares. “O adiamento do dia em que iria acontecer o leilão mostrou que a nossa luta está forte, está potente. O dia 18 já mostrou isso no ato público que tivemos aqui em Porto Alegre. Agora precisamos intensificar ainda mais a luta e ir para as ruas. A comunidade escolar e a sociedade precisam entender que a escola pública é da sociedade e precisamos defendê-la”, afirmou em vídeo publicado nas redes sociais.

Zan também convocou a categoria para a greve e o ato marcados para sexta-feira (26), às 10h, em frente ao Palácio Piratini. “A escola pública é dos filhos e filhas dos trabalhadores e trabalhadoras. A escola pública é da sociedade, e não do mercado financeiro”, disse.

Mobilizações e críticas ao modelo

A alteração no calendário ocorre em meio à ampliação da pressão contra a proposta, com direções e estudantes relatando insegurança sobre os impactos no cotidiano. Nas últimas semanas, comunidades escolares realizaram atos em municípios como Porto Alegre, Pelotas e São Leopoldo, além de audiências públicas em cidades como Canoas, Sapucaia do Sul e Alvorada, com participação de educadores, estudantes, famílias e representantes sindicais.

Uma nova audiência conjunta entre a Comissão de Educação e a Comissão de Cidadania e Direitos Humanos está prevista para quarta-feira (24), às 9h30, no Plenarinho da Assembleia Legislativa.

Entre as críticas das entidades destaca-se a garantia de recursos por 25 anos para empresas privadas, enquanto o restante da rede estadual seguirá dependente da execução anual do orçamento. Em coletiva de imprensa realizada na terça-feira (16), o Cpers e o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) apresentaram estudo técnico que aponta inconsistências na modelagem econômico-financeira da PPP.

De acordo com a análise do Dieese, a vantagem econômica da parceria não foi comprovada. O estudo aponta que a economia projetada pelo governo seria de apenas 0,81% do valor do contrato e que pequenas alterações em uma das premissas usadas pelo Executivo poderiam tornar a PPP mais cara para os cofres públicos. A entidade também afirma que a parceria alcança cerca de 4,2% da rede estadual, mas prevê gasto médio anual por escola quase cinco vezes superior ao destinado atualmente às unidades estaduais.

Outro ponto questionado é a escolha das escolas incluídas no edital. Segundo a economista Anelise Manganelli, do Dieese/RS, oito das 98 unidades não possuem classificação de necessidade de reforma e pelo menos 15 já têm obras em andamento financiadas pelo próprio governo estadual.

O governo do estado afirma que a PPP busca melhorar a infraestrutura, a manutenção e a qualidade dos serviços de apoio nas escolas. A gestão Leite também sustenta que o modelo não altera o caráter público das instituições nem a responsabilidade da Seduc e das direções pela condução pedagógica.





Source link

Postagens Similares

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *