O sonho comanda a vida de quem nasceu entre guerras – Observador

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À décima foi de vez. Para qualquer outra seleção, o inédito apuramento para o Campeonato do Mundo, ao cabo de dez tentativas na fase de qualificação, seria destaque pela quantidade de vezes que o país bateu na trave. No caso da Jordânia não é bem assim. O feito alcançado pela seleção jordana é bem maior do que uma simples qualificação para a maior competição do mundo. Num país marcado pela instabilidade e pelos conflitos vizinhos, que o transformaram num dos refúgios para as populações deslocadas, o futebol acabou por ser a salvação de um povo que se uniu como nunca em torno do desporto-rei. Foi num Médio Oriente marcado pela instabilidade e pelas guerras em Gaza e no Irão que os nashama se superaram, tornando-se num símbolo de afirmação de um país que deixou de lutar pela sobrevivência, ainda que seja apenas no futebol.

Em campo, porém, o apuramento não foi conseguido como obra do acaso. Nas últimas décadas, a estratégia de algumas seleções árabes, do Médio Oriente e da Ásia passou pelo “recrutamento” de jogadores com formação europeia ou com ligações ao país. Nesse leque incluem-se jogadores de todas as nacionalidades, incluindo portugueses e, apesar de o caso ter sido mais marcado noutras modalidades – como no futsal, o que levou a FIFA a tomar medidas –, o futebol não foi exceção. Ainda assim, a Jordânia acabou por não seguir essa estratégia e optou por crescer com base no talento local e na diáspora jordana, algo que ainda se reflete na seleção atual. Se olharmos aos 30 jogadores pré-convocados por Jamal Sellami para o Mundial-2026, apenas 14 não jogam no Campeonato da Jordânia e, desse leque, somente cinco não atuam no Médio Oriente ou no norte de África.

Segundo os críticos, foi com a melhor geração do país que a Jordânia se conseguiu apurar para a América do Norte, já depois de ter chegado, de forma inédita, à final da Taça da Ásia em 2024. A profissionalização dos jogadores jordanos no estrangeiro faz igualmente parte do crescimento do futebol no país, juntando-se ao investimento do príncipe Ali bin Al Hussein, que é o terceiro filho do rei, tendo a seu cargo a presidência da federação e a vice-presidência da FIFA para o futebol asiático. Com o marroquino Jamal Sellami, que se destacou no futebol local, a Jordânia ganhou uma dimensão internacional que nunca teve, com Musa Al-Taamari e Ali Olwan a alavancarem o país nesse aspeto. Contudo, a estreia dos jordanos promete ser tudo menos fácil, já que a equipa vai defrontar os atuais campeões do mundo e projetos consolidados na Europa e em África.





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