Tubarões causam três mortos num mês na Austrália – Observador

Um homem que estava a fazer caça submarina morreu este sábado na Austrália ao ser mordido por um tubarão, tornando-se na terceira vítima mortal num mês devido a ataques destes animais.
De acordo com a Australian Broadcasting Corporation (ABC), a emissora pública do país, o mais recente ataque ocorreu perto da Ilha Michaelmas, ao largo da cidade turística de Albany, localizada na costa sul do estado da Austrália Ocidental.
A vítima foi identificada como Daniel Turpin, um homem de 35 anos que estava a fazer caça submarina com a sua família quando foi atacado por um tubarão branco com uma dimensão estimada de 4,5 metros de comprimento. Turpin ainda recebeu tratamento de paramédicos no local quando foi levado de urgência para a costa, mas não foi possível reanimá-lo.
A morte de Turpin sucede-se às de outros dois caçadores submarinos: Michael Jensz, de 39 anos, sofreu ferimentos fatais na cabeça ao ser mordido perto da Grande Barreira de Coral, ao largo da costa nordeste do país, a 24 de maio. Uma semana antes, Steve Mattabonni, de 38 anos, foi atacado mortalmente por um tubarão branco de quatro metros a noroeste de Albany.
Este registo iguala assim, e em apenas um mês, o que tem sido a média anual de mortes por ataques de tubarão na Austrália, estatística apontada pela ABC num artigo publicado no início do ano recorrendo à Base de Dados Australiana de Incidentes com Tubarões, compilada por várias instituições do país.
Esse trabalho foi realizado a propósito do registo de quatro ataques de tubarão ao longo da costa de Nova Gales do Sul num período de 48 horas, tendo um deles sido fatal: uma criança de 12 anos morreu em janeiro no hospital, dias após ser ferido por um tubarão-touro no porto de Sydney.
O número de mortos (quatro) devido a ataques de tubarões em 2026 ainda não ultrapassou o registo de cinco vítimas mortais pelo mesmo motivo no ano transato, mas a rapidez com que estes casos se avolumaram em quatro semanas tem levado a comunidade local de Albany a pedir medidas.
Scott Leary, deputado por Albany na assembleia legislativa de Austrália Ocidental e conhecido da família Turbin, afirmou à ABC que “o abate seletivo, especialmente em torno de áreas povoadas, pode ser uma solução”, frisando, porém, que tal ação teria de ser guiada “pela ciência”.
A opinião foi secundada por Brian Sell, pescador comercial de tubarões de Albany, também ele entrevistado pela emissora australiana. Sell acredita que é provável que ocorram mais mortes se as populações de tubarões não forem controladas, porque “há cada vez mais tubarões-brancos por aí do que alguma vez houve”. “Vi cinco no mês passado. Normalmente, só se vêem um ou dois por ano… [e] ainda estamos apenas no início da época», afirmou, sugerindo também o abate controlado de espécimes.
Apesar dos pedidos, a ministra das Pescas da Austrália Ocidental, Jackie Jarvis, descartou, para já, esta solução. “Não creio que haja provas de que o abate seletivo de tubarões perto da costa proporcione qualquer segurança adicional”, afirmou à ABC, adiantando também que os dados não indicam um aumento da atividade dos tubarões ao largo da costa do estado, apesar da elevada mortalidade do último mês.
Não deixando de apresentar as suas “sinceras condolências” à família e amigos de Turbin, a ministra considera mais prioritário alertar para os riscos e prosseguir a atual estratégia de mitigação de ataques de tubarões, anunciando que vai discutir o tema com a comunidade de caçadores submarinos para estudar que outras medidas o governo estadual poderá aplicar.
