Buscas aceleram agenda ética e teses conspirativas no PS – Observador

Buscas aceleram agenda ética e teses conspirativas no PS – Observador



A segunda tese incide sobre a dimensão da investida judicial. “O que é feito por 400 inspetores que não pode ser feito por 30?”, questiona um destacado socialista em conversa com o Observador que ironiza: “Que luxo! Isto só é possível num país como o nosso que não tem atrasos em processos nem processos a caducar.” O ponto, sublinha, é que “a maior operação de combate à corrupção por parte do Ministério Público são contratos ao longo de 4 ou 5 anos no valor de 2 milhões de euros e isso mobiliza 400 agentes”.

Outro dirigente também recorre à ironia para dizer que “400 agentes para suspeitas de 800 mil euros é quase um ato revolucionário do 25 de Abril, com tanta gente destacada”. “Esta questão tomou uma proporção que não é compatível com os factos apurados até ao momento. E só tem uma justificação: está em causa uma pessoa que trabalha diretamente com José Luís Carneiro”, comenta ainda um outro responsável socialista. “Estamos todos a pensar no mesmo e não são só os do PS, porque a política vive de causas e efeitos. Claro que pode ser uma coincidência…”, acrescenta.

O terceiro argumento contra o Ministério Público aponta diretamente ao procurador-geral, Amadeu Guerra. “Esta foi a cortina de fumo perfeita sobre a audição do PGR no Parlamento”, diz outro dirigente ao Observador. O procurador foi ouvido, na quinta-feira, na comissão parlamentar de Direitos, Liberdades e Garantias sobre as conclusões de uma inspeção que revelou diversos problemas e falhas no Departamento Central de Investigação e Ação Penal. Nessa mesma audição, Amadeu Guerra foi questionado por Rui Rocha, da IL, sobre o momento político em que ocorreram as buscas dessa manhã e respondeu: “Eu nunca tive timings políticos, nunca.”

Os vários argumentos circulam pelo partido nesta altura e adensaram-se depois de terem sido conhecidas as medidas de coação, esta sexta-feira ao final do dia, que foram consideradas pouco significativas. Os quatro detidos no âmbito da Operação Imergente, Duarte Moral, Rute Reimão, Rui Pedro Nascimento e Emílio Vázquez Blanco, ficaram em liberdade, sujeitos a termo de identidade e residência. Não se sabe se José Luís Carneiro manterá o seu assessor de imprensa, Duarte Moral, em funções, no seu gabinete, no entanto, o Observador sabe que nas últimas horas convidou o deputado Luís Graça para assumir a coordenação da comunicação política do PS.





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