Otamendi estragou a ótima entrada do Benfica em Famalicão – Observador

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Famalicão 2, Benfica 2. Vamos ao relatório de jogo deste encontro na Rádio Observador com o Filipe Coelho. Eu sou o Miguel Cordeiro e vamos, nos próximos minutos, dedicar-nos a analisar o que aconteceu neste encontro em que o Benfica empata e permite uma luta mais acesa por esse segundo lugar, que dá acesso a discutir um lugar na Liga dos Campeões. O Benfica entrou com vontade de marcar. Há um golo de Ivanović que foi anulado. Depois, Schjelderup marcou aos 12, Richard Rios marcou aos 19 e o jogo foi para o intervalo com um 2 x 0 para o Benfica. Na segunda parte, Otamendi viu um cartão vermelho aos 55 minutos e o Benfica praticamente abdicou de jogar e o Famalicão carregou, conseguiu marcar dois gols por Amorim e Abubakar, e o jogo terminou com o empate a dois gols. Um jogo que teve também 15 minutos de compensação devido a várias paragens, até o árbitro teve de ser assistido. Filipe, vamos à análise deste encontro. São duas partes completamente distintas. Vamos ao primeiro tempo. O Benfica entra com muita vontade.
Sim, uma das melhores entradas do Benfica neste campeonato. Foi uma entrada muito poderosa da equipe de José Mourinho, que recuperou para o 11 titular o Schjelderup e o Prestianni, nos lugares do Rafa e do Lukebakio. Ivanović foi o número nove do Benfica e foram três jogadores essenciais para explicar a primeira parte muito forte das Águias, nomeadamente em termos de pressão alta. O Benfica foi uma equipe imensamente agressiva, condicionou o jogo famalicense desde o apito inicial e o Famalicão tem, precisamente, no modo como elabora as suas construções desde trás, um ponto forte muito vincado do modelo do Hugo Oliveira, que foi capaz de expressar, por exemplo, em Braga e no Dragão, onde empatou. Nessas partidas, nomeadamente frente ao Porto, no Dragão, foi uma equipe que na primeira parte conseguiu cancelar a pressão portista. E o Benfica estava avisado para isso e a verdade é que teve, de fato, uma entrada muito afirmativa. O Ivanović, numa primeira linha de pressão a par do Barreiro, o Schjelderup e o Prestianni também muito atentos, condicionaram o jogo do Famalicão, que na primeira meia hora, 35 minutos, basicamente não existiu em termos ofensivos. O Benfica conseguiu chegar rapidamente ao 2 x 0, sendo que o primeiro gol, que resulta de um pênalti, tem muito a ver com a tal postura pressionante da equipe do José Mourinho na articulação, nos saltos de pressão entre o Ivanović e o Schjelderup. No caso, até foi o Ivanović que acabou por sofrer a falta do Leo Realpe, que foi a principal surpresa na equipe do Famalicão, que hoje não podia contar com o Ubah, que no aspecto da construção é um central mais fiável do que o Leo Realpe. Portanto, o Benfica, tendo essa entrada tão poderosa, depois dos primeiros 30, 35 minutos, esteve confortável no jogo, reduziu as iniciativas atacantes do Famalicão. Só no último período da primeira parte é que o Benfica afrouxou um pouco em termos de pressão. Foi uma equipe que baixou mais.
Há uma grande penalidade, depois temos ouvido sem falta, mas o Pedro Henriques, na altura, mesmo no nosso relato, diz que há uma grande penalidade para assinalar ao Benfica. Não aconteceu e a partir daí o Benfica acaba por ficar um pouco mais fraco, com menos atitude.
Embora o Benfica até tenha tido mais duas oportunidades pelo Ivanović, que não conseguiu concluir, mas os últimos 10 minutos da primeira parte já foram com um cenário um pouquinho diferente, com o Benfica a baixar mais no terreno, dando um pouco mais de margem ao Famalicão para ter a bola. E nesse aspecto, o Matias de Amorim foi um jogador fundamental, pegando na equipe sobre a meia-esquerda do meio-campo. Foi ele que tentou introduzir alguma energia e permitir ao Famalicão ganhar alguns metros. Mas a verdade é que na primeira parte o Trubin não teve qualquer tipo de intervenção. Foi uma primeira parte dominada numa primeira instância, controlada depois, sempre pelo Benfica, de fato, num registo dos melhores que se viu a equipe do José Mourinho, sobretudo fora de casa.
Na segunda parte, a história é completamente diferente. O Benfica até entra a fazer praticamente o mesmo jogo que estava fazendo na primeira parte, mas já nessa versão dos 10 últimos minutosE de repente há o cartão vermelho para Otamendi, que dita o futuro do jogo.
Sim, o Otamendi é expulso ao minuto 54, portanto faltava muito tempo para jogar. De facto, o Benfica no início da segunda parte até tentou ter um pouco mais de bola do que estava a ter na reta final do primeiro tempo, nomeadamente com o Scheldrup a aparecer mais em jogo, a conseguir levar mais bola para o meio-campo ofensivo, mas creio que a expulsão do Otamendi marca uma fronteira na partida, porque daí para a frente o Benfica, sobretudo agarrou-se à vantagem que trazia, uma vantagem que ficou rapidamente também diminuída pelo golo do Matias de Mourinho, o 2 x 1, sendo que pelo meio houve o período do problema físico do árbitro, uma longa paragem de jogo. Repara que rapidamente após a expulsão do Otamendi, o Mourinho retira o Prestianni e coloca o Enzo Barrenechea para reformular a dupla de centrais, ficando António Silva e o Enzo a defender no eixo da defesa, metendo o Barreiro a defender no meio-campo pela direita, portanto o Benfica num 4-4-1, mas com foco claramente em fechar espaços. A partir daí, o Benfica jamais atacou, deu a iniciativa ao Famalicão, que não fazendo um jogo soberbo do ponto de vista do ataque organizado, o Gil Dias esteve desinspirado, apareceu pouco, foi até mais pela esquerda com o Sorriso em algumas incursões que o Famalicão conseguiu levar perigo. O Famalicão beneficiou com a troca de ponta-lança, a saída do El Ysor e a entrada do Aboubakar. O Aboubakar é um jogador mais físico, mais de presença na área e foi precisamente o Aboubakar que fez o 2 x 2, um golo do empate. Agora, a lógica de José Mourinho foi sempre agarrar-se ao que trazia. Primeiro uma vantagem parcial de 2 x 1 e depois agarrou-se também ao empate. Repara que o Mourinho retira o Scheldrup para lançar o Bah, numa lógica de ter um segundo lateral-direito, com o Bah e o Dedic, o Barreiro passa para a esquerda para defender como médio à esquerda e finalmente retirou o Ivanovic para lançar o Rafa já numa reta final. Ficaram duas substituições por fazer do lado do Benfica, não tinha mais possibilidades de trocar, mas Mourinho foi muito nessa lógica de tentar agarrar-se ao que tinha e essa postura quase que autolimitou o Benfica, que acabou por ver muitas bolas a caírem na área. O Trubin, é verdade que não está a dar assim tanta segurança nesta fase, isso ficou visível no lance do 2 x 1 do Aboubakar, a uma bola oposta ainda do Rodrigo Pinheiro. Portanto, foi um jogo claramente voltado para a baliza do Benfica, mas Mourinho esteve sempre mais no pensamento de segurar o empate do que eventualmente arranjar qualquer tipo de método para lutar pela vitória.
Vamos ao melhor e ao pior deste encontro. Começamos pelo melhor.
O melhor, os 35 minutos iniciais do Benfica. Uma entrada dominante e asfixiante, diria mesmo, da equipa de José Mourinho, pela questão da pressão alta que já referimos. Nesse aspeto, é muito diferente ter Luke Ebacio e Rafa ou ter Prestianni e Scheldrup. São jogadores mais ligados, que estão com mais confiança, mais comprometidos também com o pensamento coletivo. Realçar Aouchmane, foi fundamental também no meio-campo para espalhar a bola. Portanto, o Benfica teve, de facto, uma belíssima entrada. Melhor também o Matias de Mourinho do lado do Famalicão. Foi sempre o jogador mais do lado dos famalicenses, aquele que tentou carregar mais a equipa e isso acabou por ser premiado por um golo e por uma assistência. Matias de Mourinho fica com a melhor nota da equipa do Hugo Oliveira.
E o pior?
O pior é a expulsão do Otamendi. Por um lado, é uma entrada muito forte. Pode discutir-se depois, o Pedro Henriques saberá dizer se é inteiramente justo ou não, mas sobretudo a consequência que isso teve para o jogo do Benfica. O Benfica taticamente nunca encontrou ferramentas para chegar mais à frente no terreno. Foi muito mais uma postura de bloco baixo, o Aouchmane e o Ries a baixarem muito para junto dos defesas. Entregou o protagonismo ao Famalicão. Esse papel secundário acabou por ditar que o jogo se desenrolasse no sentido da baliza do Trubin e permitiu ao Famalicão chegar a dois gols, criou mais oportunidades. Portanto, o Mourinho, dentro desta lógica tática, sempre mais fechado. O facto de também não ter esgotado as substituições, poderia ter introduzido um pouco mais de energia com Luke Ebacio, com Pavlídis, enfim, dar um pouco mais de presença ofensiva, não o fez e isso, parece-me a mim, acaba por penalizar o Benfica numa segunda parte bastante cinzenta das Águias.
Está feito o relatório de jogo por Filipe Coelho, na Rádio Observador. Famalicão 2, Benfica também 2.
