Youtuber belga supera CazéTV e expõe tática da Fifa para controlar a narrativa da Copa
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- Youtuber belga ultrapassou o canal CazéTV em número de inscritos.
- O criador revelou uma estratégia da FIFA para direcionar a narrativa da Copa.
- A exposição foi feita em vídeo publicado nas redes sociais da plataforma.
Enquanto Lamine Yamal, Lionel Messi e Kylian Mbappé disputavam as manchetes dentro de campo, uma criadora de conteúdo belga de 24 anos se consolidava como uma das pessoas mais influentes do planeta quando o assunto é futebol. Céline Dept, que tem um canal no YouTube dedicado inteiramente à modalidade, tornou-se a influencer feminina mais assistida do planeta, com 1,1 bilhão de visualizações registradas no final de junho, segundo o Tubefilter.
A marca garantiu que ela ultrapassasse no período o estadunidense MrBeast, o maior criador individual do YouTube. Para se ter uma ideia da dimensão de seu canal, neste domingo (19) ela contava com 65,1 milhões de inscritos, enquanto a CazéTV, que detém os direitos de transmissão de todas as partidas da Copa do Mundo de 2026, tem 40,7 milhões. No TikTok, são 16 milhões de pessoas acompanhando suas postagens.
Céline Dept começou a publicar vídeos no TikTok e no YouTube em 2019 e arrebatou um grande público com desafios de futebol, vídeos de jogadas de habilidade e conteúdos com alguns dos maiores nomes do esporte. É o tipo de presença que a mídia tradicional ainda não sabe muito bem como classificar. Ela não é jornalista, não é atleta, não é apresentadora no sentido convencional, mas tem acesso a superestrelas do futebol mundial que a maioria dos repórteres credenciados não consegue.
Seu vídeo de encontro com Cristiano Ronaldo antes do torneio atraiu dezenas de milhões de visualizações em diversas plataformas e sintetiza seu estilo, que mistura emoção genuína, proximidade e uma narrativa construída na primeira pessoa, do ponto de vista de uma torcedora apaixonada que conseguiu chegar perto dos maiores nomes do esporte. Antes do craque português, ela já havia entrevistado Kylian Mbappe, Erling Haaland e Neymar.
Controle de imagem
Essa proximidade, no entanto, não é espontânea. O acesso de criadores como ela é rigorosamente controlado. Os encontros são mediados por agentes ou equipes de marca, as perguntas são submetidas com antecedência e os ângulos da cobertura precisam ser aprovados, como aponta o jornal L’Équipe. É um modelo de controle de imagem que, na prática, elimina o jornalismo crítico da equação.
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“Essa abordagem é apoiada pelas parcerias privilegiadas da Fifa com o TikTok e o YouTube, que ajudaram a ampliar o alcance e a acessibilidade do conteúdo da Copa do Mundo da Fifa globalmente”, relata a entidade esportiva ao periódico francês. “Diferentes grupos de criadores foram mobilizados por diferentes motivos, seja como parte de nossos acordos privilegiados com determinadas plataformas, ativações de patrocinadores, campanhas de marketing ou iniciativas de conteúdo editorial.”
Criadores foram convidados pela Fifa, mas não podem fazer perguntas em coletivas de imprensa e não questionaram episódios polêmicos da Copa, como decisões de arbitragem que geraram controvérsia.
Para a entidade comandada por Gianni Infantino, essa nova geração pode ser uma ferramenta estratégica para a divulgação do esporte. A entidade contratou criadores para parcerias com o TikTok e o YouTube, atingindo 30 bilhões de impressões, 14,5 bilhões de visualizações e 1,7 bilhão de interações digitais ao longo do torneio, até 12 de julho. “Em comparação com o mesmo período da Copa do Mundo de 2022, as impressões nas redes sociais aumentaram 130%, o engajamento 160% e as visualizações de vídeos 485%”, pontua a Fifa.
Embora o objetivo alegado seja complementar a cobertura jornalística tradicional, o que se vê é uma disputa de atenção em que os influenciadores levam vantagem considerável, especialmente entre as gerações mais jovens.
