Vladimir Sacchetta: Morre o intelectual, pesquisador e defensor das causas sociais
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- Vladimir Sacchetta, intelectual, pesquisador e escritor, morreu nesta sexta‑feira (15) aos 75 anos.
- Filho do dirigente comunista Hermínio Sacchetta, dedicou sua vida à militância de esquerda e à preservação da história das esquerdas brasileiras.
- Foi o principal responsável por manter viva a memória do trotsquismo e das dissidências contra o stalinismo e o autoritarismo de direita.
- Nascido em novembro de 1950, transformou perseguições políticas em luta documental, reforçando a resistência através da memória.
Morreu, nesta sexta-feira (15), o intelectual, jornalista, pesquisador, escritor e defensor das causas sociais Vladimir Sacchetta, aos 75 anos. Sua trajetória não pode ser dissociada da militância de esquerda e da luta de classes.
Mais do que um pesquisador rigoroso, Sacchetta foi um militante orgânico, cuja vida e obra serviram como extensão das lutas ideológicas travadas por seu pai, o lendário dirigente comunista Hermínio Sacchetta.
Seu nome, homenagem direta a Vladimir Lenin, não foi apenas um detalhe biográfico, mas um destino. Sacchetta viveu para garantir que a história das esquerdas brasileiras não fosse escrita pelos vencedores, mas, sim, preservada pela ótica daqueles que ousaram desafiar o capital e a ditadura.
Nascido em novembro de 1950 e criado em um ambiente de intensa efervescência política, Sacchetta transformou a perseguição política em luta pela preservação documental. Ele compreendeu que a militância na memória é uma forma de resistência tão importante quanto a das ruas.
O pesquisador foi o principal responsável por manter viva a chama do trotskismo brasileiro e das dissidências que questionavam tanto a hegemonia stalinista quanto o autoritarismo de direita. Sua atuação foi fundamental para documentar as famosas greves do ABC e o ressurgimento do movimento sindical, conectando o antigo sindicalismo de influência anarquista e comunista com as novas forças operárias do final da década de 1970.
Para Sacchetta, organizar um arquivo não era uma tarefa burocrática, mas um ato político de “desocultamento” das estruturas de poder. Ele via nos documentos as provas materiais da exploração e da resistência à opressão.
Durante os anos mais duros da repressão, atuou nos bastidores da resistência intelectual. Sua militância se manifestava na articulação entre jornalistas e intelectuais de esquerda, servindo como ponte para a denúncia internacional dos crimes cometidos pelos militares que comandavam o Estado brasileiro.
Sua contribuição para o projeto “Brasil: Nunca Mais” é um dos maiores exemplos de sua militância técnica e política. Ao sistematizar a tortura e a repressão, ele não apenas entregou um relatório, mas uma peça de acusação histórica contra o sistema da época.
O legado do intelectual
Vladimir Sacchetta jamais abandonou a perspectiva de classe. Em suas curadorias e edições, o foco era sempre o coletivo, a massa, o movimento. Ele evitava a personalização excessiva da história, preferindo destacar as correntes políticas e os embates ideológicos que moviam o Brasil.
