Universidade de Coimbra descobre mecanismo que pode ajudar a travar a epilepsia – Notícias de Coimbra – NDC
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Uma equipa de investigadores da Universidade de Coimbra (UC) identificou um conjunto de mecanismos moleculares que ajuda a explicar como uma proteína naturalmente presente no cérebro contribui para o desenvolvimento da epilepsia, foi hoje revelado.
“Os resultados da investigação, publicados na revista Brain, mostram como níveis elevados da proteína conhecida como fator neurotrófico derivado do cérebro (BNDF) favorecem o desenvolvimento da epilepsia. O BDNF é essencial para o funcionamento do sistema nervoso, para a regulação da comunicação entre neurónios e para a plasticidade neuronal, importante na aprendizagem e na formação de memórias”, afirma a UC, em comunicado enviado hoje à agência Lusa.
A descoberta, realizada por uma equipa de investigação do Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra (CNC-UC) e do Centro de Inovação em Biotecnologia e Biomedicina (CiBB), liderada por Carlos B. Duarte, “pode orientar futuras estratégias para limitar a progressão da doença”, refere a instituição.
A equipa, recorrendo a um modelo animal da doença, demonstra que “o BNDF aumenta a presença de recetores para o neurotransmissor glutamato nas sinapses, as regiões onde os neurónios comunicam entre si”, o que torna as células nervosas mais sensíveis aos sinais provenientes das células vizinhas, reforçando a comunicação entre neurónios, que, “como consequência, pode favorecer a hiperatividade cerebral característica da epilepsia”.
“Este trabalho permite compreender melhor como o BDNF, uma proteína produzida naturalmente pelo cérebro, intensifica a comunicação entre os neurónios, e identifica um mecanismo que contribui para a hiperatividade cerebral, na sequência da qual são desencadeadas as crises epiléticas”, explica o investigador principal do CNC-UC e docente do Departamento de Ciências da Vida da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UC Carlos B. Duarte.
De acordo com a UC, o estudo identifica ainda a via de sinalização celular responsável por este processo, notando que, quando esta via é interrompida, “as alterações induzidas pelo BDNF deixam de ocorrer, confirmando a importância deste mecanismo na hiperexcitabilidade neuronal”.
“Com este estudo, abre-se também a hipótese de estudar este mecanismo noutras doenças neurológicas em que a comunicação entre neurónios se encontra alterada em processos cerebrais fundamentais, como a aprendizagem e a memória”, indica a UC.
Segundo a mesma nota, a epilepsia afeta cerca de 50 milhões de pessoas em todo o mundo e caracteriza-se pela ocorrência de crises resultantes de uma atividade elétrica excessiva e sincronizada no cérebro.
