Tendências de Consumo Inteligente que Mudam o Foco do Capital dos Ativos Desvalorizados para as Experiências Vividas

Gastar menos em coisas, viver mais experiências
Os hábitos de consumo estão a mudar: portugueses e europeus apostam cada vez mais em experiências em vez de bens materiais. Os dados de 2026 confirmam.
Há uma reorientação silenciosa a acontecer nas carteiras europeias. E em Portugal, o sinal é claro: 81% dos consumidores portugueses afirmam que realizar experiências da sua bucket list é uma prioridade máxima em 2025, segundo um estudo da Mastercard junto de mais de 15 mil inquiridos em toda a Europa. Não se trata de um impulso passageiro. Trata-se de uma mudança estrutural na forma como as pessoas decidem onde colocar o seu dinheiro – e o que esperam receber em troca.
Então, o que aconteceu ao velho sonho de acumular bens?
Porque é que Acumular Ativos Deixou de Fazer Sentido para Tanta Gente?
A resposta é simples, ainda que levasse décadas a amadurecer: os ativos físicos desvalorizam-se, e as contas deixaram de fechar para uma faixa crescente da população. Um automóvel perde cerca de 20% do valor no primeiro ano de utilização. Uma televisão de topo de gama torna-se obsoleta em dois anos. Um eletrodoméstico comprado em 2019 pode já não ter peças disponíveis em 2026. Enquanto isso, os gastos com experiências cresceram 65% entre 2019 e 2023, segundo o Mastercard Travel Industry Trends Report – um ritmo muito superior ao aumento de 12% registado no consumo de bens materiais no mesmo período.
Não é uma coincidência. É uma resposta racional a um contexto económico que premiou a flexibilidade e puniu o excesso de comprometimento com o imaterial.
O Automóvel Próprio Como Caso de Estudo
Poucos ativos ilustram melhor esta transformação do que o automóvel. Por décadas, possuir um carro representou liberdade, estatuto e independência. Ainda representa, em alguns contextos. Mas a aritmética mudou.
Um veículo privado passa cerca de 95% da sua vida útil estacionado, suportando custos fixos de seguro, manutenção e depreciação, independentemente do uso real. Para quem vive em centros urbanos com boa cobertura de transportes, a equação raramente fecha a favor da propriedade.
A nossa experiência a testar várias plataformas de aluguer em Portugal confirmou o que muitos já suspeitavam: o acesso flexível a veículos, sem compromisso de propriedade, resolve a maioria das necessidades de mobilidade com um custo total muito inferior. A Localrent opera neste espaço em Portugal – ligando utilizadores a agências de aluguer locais em condições transparentes, sem taxas ocultas e sem exigência obrigatória de cartão de crédito como depósito. Para uma família que precisa de explorar a Serra da Estrela num fim de semana, ou de chegar a Coimbra vinda do aeroporto sem depender de horários de autocarro, este modelo oferece o melhor dos dois mundos: mobilidade real, sem ativo a depreciar.
É um exemplo concreto da lógica que atravessa todo o consumo inteligente: pagar pela utilização, não pela posse.
O que os Dados Dizem Sobre a Geração que Lidera a Mudança
A Geração Z e os millennials são os motores mais visíveis desta transição, mas seria errado reduzir o fenómeno a uma questão geracional. O que acontece, de forma mais precisa, é que as gerações mais jovens formalizaram um conjunto de preferências que as condições económicas tornaram inevitáveis para todos:
- Preferência por experiências memoráveis em detrimento da acumulação de objetos
- Valorização do acesso sobre a propriedade em categorias como mobilidade, entretenimento e habitação
- Maior sensibilidade à depreciação rápida dos bens tecnológicos
- Preferência por serviços de subscrição em vez de compras únicas de valor elevado
- Aposta em viagens, gastronomia e cultura como investimento em bem-estar
Segundo dados da StartUs Insights para 2026, dois terços dos consumidores priorizam experiências de viagem e restauração, e 59% dos millennials preferem explicitamente gastar em experiências em vez de bens.
Segundo previsões citadas pela Netguru, o mercado global da economia de assinaturas, que é essencialmente uma formalização da lógica de “acesso em vez de propriedade”, atingirá US$ 1,5 trilhão, crescendo cinco vezes mais rápido que as empresas do índice S&P 500.
O Capital Que se Liberta Quando se Para de Acumular
Há uma dimensão financeira nesta mudança que raramente é discutida com clareza. Quando uma família decide não comprar o segundo carro está a libertar capital que pode ser redirecionado para o que realmente valoriza.
Imagine um casal que optou por dispensar o segundo veículo da família. A poupança anual em seguros, manutenção, impostos sobre veículos e prestações de empréstimos pode facilmente ultrapassar os 4.000 a 6.000 euros por ano.
Capital esse que, bem orientado, financia várias viagens, experiências culturais em família, ou simplesmente uma reserva de emergência que muitos agregados ainda não têm.
Esta é a lógica da priorização consciente – e é isso que os dados de consumo de 2025 e 2026 continuam a confirmar.
Os ativos desvalorizados tiveram o seu tempo. As experiências vividas ficam, e não precisam de seguro.
