Tarifas podem reduzir produção de calçados em até 8% – 23/07/2026 – Painel
As novas tarifas de importação impostas pelos Estados Unidos chegam em momento de retração do mercado interno de calçados, com desequilíbrio entre oferta e demanda, afirma Marcos Tavares, CEO da Aby’s, a maior varejista do setor no Nordeste. Segundo ele, a taxação pode provocar uma queda de produção nacional entre 5% e 8%.
Alinhado com outras vozes do segmento, Tavares vê o mercado nacional como destino de parte da produção que seria destinada aos EUA. O problema é achar como absorver isso.
“A gente imagina que as exportações vão cair e vamos ter de procurar outros mercados. Isso vai impactar o varejo interno, que terá de receber esse produto. Não acredito que, num primeiro momento, isso seja absorvido de uma vez. Com certeza, não vai acontecer em menos de um ano e meio”, afirma.
A Aby’s tem 52 lojas em Alagoas, Pernambuco e Sergipe, sendo que 18 são unidades da rede multimarcas Aby’s Calçados. Em 2025, o faturamento anual foi de R$ 180 milhões, com projeção de R$ 200 milhões para 2026. A empresa opera com lojas próprias, franquias e integração entre varejo físico e digital.
O calçado brasileiro não foi incluído na lista de exceções do governo norte-americano, o que tira da indústria nacional seu principal mercado exportador. A medida faz, segundo associações do setor, com que a margem de lucro seja espremida e encareça o produto frente a concorrentes da China e Vietnã.
Tavares diz que o aperto será bem mais forte nas fábricas do que no varejo, porque a produção voltada à exportação é negociada com até seis meses de antecedência. Com novas taxas em vigor, pedidos já fechados tendem a ser cancelados ou renegociados, enquanto compradores da América do Sul e do Oriente Médio já buscam condições mais vantajosas junto às fábricas brasileiras.
O excesso de oferta também deve pressionar os preços para baixo, na indústria e no varejo. “Pior do que isso é a margem [de lucro], que afeta as empresas na manutenção do negócio. Não acredito que o varejo vá escapar de uma queda de margem, assim como a indústria”, diz Tavares.
A Abicalçados (Associação Brasileira das Indústrias de Calçados) revisou as projeções de exportação do setor, com estimativa de retração média de 7,1% ao ano. A entidade negocia com o governo federal medidas de mitigação, como linhas de crédito emergenciais e mecanismos de garantia para sustentar a liquidez das empresas afetadas pela tarifa.
O CEO da Aby’s aponta que o setor calçadista tem peso relevante na geração de emprego, por se tratar de produção artesanal e intensiva em mão de obra.
“Há pressão no governo porque isso vai impactar diretamente o emprego. O calçadista é um dos maiores empregadores dentro do PIB industrial, porque é uma fabricação muito artesanal”, afirma.
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