STJ decide destino de Marco Buzzi, acusado de assédio sexual

O STJ julga nesta quinta-feira as acusações de assédio sexual, importunação sexual e injúria contra o ministro Marco Buzzi, a partir de denúncias de duas mulheres.
Em sessão fechada a partir das 9h, os ministros da Corte vão analisar as conclusões do Processo Administrativo Disciplinar (PAD). A tendência é que o magistrado seja condenado, como foi defendido pela PGR.
O tipo de punição, contudo, deve ser alvo de debate. A PGR propôs a aposentadoria compulsória, que até recentemente era a sanção máxima contra magistrados. Entretanto, a Primeira Turma do STF decidiu extinguir a prática e permitir a demissão de juízes. O CNJ confirmou a medida nesta semana.
Uma eventual perda de cargo, de qualquer forma, precisaria passar pelo STF — onde Buzzi também é alvo de uma investigação, mas na esfera criminal.
O escândalo foi revelado pelo Radar em fevereiro deste ano. Uma jovem de 18 anos, que passava o fim de semana na casa de praia de Buzzi, em Santa Catarina, procurou a Polícia Civil de São Paulo para denunciá-lo. Filha de um casal de amigos do catarinense, a jovem relatou ter sido assediada pelo ministro, a quem considerava como um “avô”, durante um passeio na praia.
A forte repercussão do caso estimulou outra mulher a denunciar episódios de assédio praticados por Buzzi. Ainda em fevereiro, uma ex-assessora do magistrado no STJ procurou o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para relatar uma rotina de terror vivida durante anos de serviços prestados ao magistrado no tribunal. Servidora terceirizada e parte mais frágil da hierarquia no gabinete, a vítima relatou sete episódios de assédio ocorridos entre 2023 e 2025.
A gravidade das acusações levou os ministros do STJ a tomarem uma medida drástica. Em 12 de fevereiro, uma semana depois das revelações de VEJA, a Corte decidiu afastar Buzzi de suas funções. Em abril, o PAD foi instaurado.
