Sócrates apresenta queixa contra procurador que liderou investigação da Operação Marquês

Sócrates apresenta queixa contra procurador que liderou investigação da Operação Marquês



De acordo com um comunicado enviado por José Sócrates, a queixa foi apresentada ao procurador-geral da República, “por factos suscetíveis de integrar o crime de falsidade de testemunho, na sequência do depoimento que este [procurador Rosário Teixeira] prestou, sob juramento, no Tribunal Administrativo de Círculo de Lisboa”.


A queixa está relacionada com o julgamento da ação administrativa em que o José Sócrates exigia ser indemnizado em pelo menos 50 mil euros pelo Estado pela demora da Operação Marquês e, em maio deste ano, o procurador Rosário Teixeira negou primeiro qualquer contacto com jornalistas antes da detenção do ex-primeiro-ministro, em 2014, tendo depois admitido que poderá ter falado com uma jornalista, mas insistiu que nunca partilhou informações sobre a investigação. 


Agora, José Sócrates pede que “se investigue se a primeira resposta foi conscientemente falsa”. “O que se requer é que seja apurado se Rosário Teixeira conhecia o facto que posteriormente admitiu quando prestou o seu depoimento sob juramento”, lê-se no comunicado sobre a queixa inicialmente avançada pela CNN. 


Na participação, o antigo governante defende ainda que, a título preventivo, o procurador que liderou a investigação do Ministério Público entre 2005 e 2011 deve ser afastado de qualquer investigação e decisão que possa estar ligada a si.


O Tribunal Administrativo de Círculo de Lisboa julgou a ação que José Sócrates intentou contra o Estado português em 2017 e na qual exigiu ser indemnizado em pelo menos 50 mil euros pela alegada violação pelo Ministério Público dos prazos para a conclusão do inquérito da Operação Marquês, comprometendo o direito do ex-governante a uma decisão judicial num prazo razoável.


Em junho, o Estado português foi condenado a indemnizar José Sócrates em 15 mil euros por má administração da justiça no processo Operação Marquês.


O inquérito do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), no âmbito do qual José Sócrates chegou a estar preso preventivamente, foi aberto em julho de 2013 e a acusação foi deduzida em outubro de 2017.


Após uma longa fase de instrução e recursos nos tribunais superiores, o julgamento do antigo chefe de Governo socialista, de 68 anos, e outros 20 arguidos por corrupção e outros crimes começou em 03 de julho de 2025 no Tribunal Central Criminal de Lisboa, faltando ouvir dezenas de testemunhas.



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