“Seis bombas não resolvem o problema das cheias”, avisa ministra em Montemor-o-Velho – Notícias de Coimbra – NDC
A ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, garantiu este sábado, em Montemor-o-Velho, que está a ser estudado um novo sistema para substituir o atual mecanismo de bombagem do Foja, defendendo que as seis bombas existentes não seriam suficientes para resolver um problema de cheias como o registado no Baixo Mondego.
A governante falava durante a Feira do Ano, em Montemor-o-Velho, onde destacou a recuperação do território após as cheias e a conclusão das obras consideradas urgentes.
“Neste momento as obras urgentes estão prontas e estamos melhor preparados para o futuro”, afirmou Maria da Graça Carvalho, acrescentando que foram tomadas medidas para “dar mais resiliência ao Baixo Mondego”.
A ministra sublinhou ainda a rapidez com que algumas intervenções foram realizadas, dando como exemplo o canal de rega. “Conseguimos fazer obras em tempo recorde. O canal de rega foi feito em poucas semanas para que se pudesse fazer a sementeira”, disse.
Questionada sobre os pedidos apresentados pelo presidente da Câmara Municipal de Montemor-o-Velho, a ministra explicou que, no caso das obras da responsabilidade da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), está em falta uma solução para o sistema de bombagem.
“A que falta é a bomba, porque a bomba que lá está é uma bomba muito antiga, não existe no mercado, não se consegue adaptar uma bomba nova ali”, explicou. Segundo a governante, está agora a ser desenhado “um sistema para o mesmo efeito, mas um sistema diferente”.
Perante as questões colocadas sobre as seis estruturas de bombagem do Foja, Maria da Graça Carvalho rejeitou a ideia de que a simples instalação ou reparação das bombas seja suficiente para evitar novas cheias.
“Não é seis bombas que resolvem um problema de cheias”, afirmou. “Aquelas bombas não resolvem o assunto.”
A ministra defendeu que é necessário encontrar uma solução estrutural e mais eficiente para retirar a água da zona. “Temos que ter outro sistema alternativo. Não foram desenhadas para aquilo”, sustentou, garantindo que “a APA está a trabalhar” para substituir o atual sistema “por um sistema mais eficiente”.
Sobre a seca e a ausência de um acordo sobre a água na COP realizada na Mongólia, a ministra considerou que Portugal mantém capacidade para definir a sua própria política.
“A seca e a água é uma política nacional, nem sequer é uma política europeia. É uma nossa prioridade”, afirmou, acrescentando que o país tem uma estratégia para a água “em muito boa execução”.
Maria da Graça Carvalho destacou ainda que as barragens portuguesas se encontram “a 80%”, considerando que a ausência de um acordo internacional não tem, neste momento, “uma consequência direta na política nacional”.
A ministra abordou também o impacto que a instalação de grandes centros de dados, nomeadamente associados à inteligência artificial, poderá ter no consumo de água e energia.
“Qualquer projeto em Portugal tem que passar pelo requisito da utilização da água da Agência Portuguesa do Ambiente, que é extremamente rigorosa”, afirmou, garantindo que esta avaliação abrange os setores agrícola e industrial e também os centros de dados.
A governante admitiu, contudo, que estão a ser definidas novas regras para estes projetos. “Um deles em relação à água será o centro de dados ter a sua própria solução para a água”, revelou.
Como exemplo, apontou o centro de dados existente em Sines, que “é arrefecido por água do mar”. “O nosso país não tem a água disponível para a quantidade de água que centros de dados precisam”, alertou.
A mesma preocupação, acrescentou, aplica-se ao consumo energético, estando o Governo a preparar regras para as autorizações de ligação destes centros à rede elétrica.
