Rui Borges: «Tenho noção da diferença de ser segundo ou terceiro»
Rui Borges diz que tem consciência do que significa o segundo ou o terceiro lugar para o Sporting, falou mais uma vez do desgaste da equipa e assume que Daniel Bragança entrou «limitado» frente ao Tondela (2-2).
Tendo em conta a sua iminente renovação e a preparação da próxima época, tem a noção do impacto que pode ter a diferença entre um segundo e um terceiro lugar?
«Aquilo que é diálogo é diário entre todos nós. Eu sei qual é o impacto, os jogadores sabem, a estrutura sabe. Se há coisa boa que tem o Sporting, é a sua estrutura e forma de trabalhar. O futuro, todos os cenários estão lá. Eu como treinador tenho noção da diferença de ser segundo ou terceiro. Queremos ser segundos, não depende só de nós, mas sabemos o impacto disso, não podemos fugir disso e sabemos das consequências disso. Todos sabemos, é a exigência de trabalhar no Sporting”.
Daniel Bragança disse que sofrer este empate é «inadmissível». Entra mais pressionado na próxima época?
«Eu estou pressionado desde que cheguei, trabalho num clube de exigência máxima que luta por títulos e, quando estamos longe deles, é natural que haja alguma frustração, mas pressão é desde o primeiro dia que entrei nesta casa ou desde que optei por ser treinador. Isso não entra no pensamento. Sobre o Dani, faz parte da exigência de estar no Sporting. Todos sabemos o que tem acontecido e se queremos lutar pelos objetivos que temos, não podemos perder estes pontos. A explicação é que hoje não fomos competentes em dois momentos de bola parada e sofremos dois golos. Não fomos competentes em cinco minutos, é algo que temos de trabalhar. Não somos uma equipa que costuma sofrer golos de bola parada e hoje sofremos dois. Já ganhámos jogos aos 90+5 e agora sofremos aos 90+4, é futebol, é saber lidar, não deixar entrar a desconfiança e acreditar no que sou enquanto treinador e neles enquanto jogadores. Hoje no ataque tivemos muita falha de passe, tomadas de decisão precipitadas e isso é falta de confiança, temos de trabalhar entre todos para voltar a tê-la».
Sente que a equipa deu um passo maior que a perna na Liga dos Campeões?
«Não penso que tem a ver com isso, tem a ver com vários fatores ao longo o tempo. Alguns momentos tivemos de sobrecarregar alguns jogadores, perdemos alguns importantes e acaba por ser difícil gerir. Nota-se claramente que não estão no seu melhor em termos físicos e estão a dar tudo. Querem ajudar e é a imagem deles enquanto grupo. É por aí, mais do que o tal passo maior que a perna. Sabemos no que estávamos inseridos, queremos competir, impuseram-nos tomadas de decisão de sobrecarregar jogadores. Futebol é isso, temos de lidar. O Ousmane [Diomande] hoje não podia jogar, mas faz parte. É não entrar na desconfiança e acreditar na qualidade do grupo. Não está tudo errado, não estamos com a mesma frescura, não, mas fizemos mais do que o suficiente para ganhar no último jogo e neste.
Como estava o Daniel Bragança para este jogo?
«Limitado, mas fez um grande jogo. Foi decisão minha, nossa, porque queria estar e percebeu que o momento não é melhor. Queria estar junto da equipa como grande capitão que é. Fez o seu melhor, esteve muito bem, foi-se controlando, mas depois dá outras coisas. O que vou fazer? É trabalho e acreditar muito na equipa que tenho. Seja no treino, aumentar a confiança e deixá-los mais leves mentalmente, que é a pior parte. Tenho de conseguir ajudar».
