Relatório da CPMI aponta que altos escalões “encobriam assalto a aposentados”
O relator da CPMI do INSS, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), afirmou no relatório final da comissão que altos escalões “encobriam assalto a aposentados” com a participação de parlamentares e de altos escalões no esquema que desviou mensalidades cobradas indevidamente de beneficiários do INSS.
O relatório de mais de 5 mil páginas começou a ser lido nesta sexta-feira (27) durante a última reunião do colegiado marcada por fortes e acaloradas discussões, que teve a prorrogação derrubada na véspera por 8 votos a 2 no Supremo Tribunal Federal (STF). A maioria da Corte negou a continuidade da liminar deferida pelo ministro André Mendonça no começo da semana que estenderia os trabalhos de investigação por mais 60 dias.
“Ao longo de seus trabalhos, [a CPMI] identificou investigados que habitavam os altos andares do poder econômico e político. Um senador da República descrito pela Polícia Federal como liderança e sustentáculo do esquema. Ministros de estado que ora incentivavam e ora encobriam o assalto a aposentados. Presidentes do INSS e diretores de benefício cujos nomes aparecem em planilha de propina de operadores financeiros”, disparou durante o início da leitura.
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A leitura do relatório seguirá por todo o dia e, segundo informou o presidente do colegiado, senador Carlos Viana (Podemos-MG), poderá ter uma sessão extra no sábado (28) para votar o parecer — último dia de funcionamento regimental da comissão. Pelo menos 228 pessoas devem ser indiciadas.
Ainda durante a leitura do relatório, Gaspar frisou que o esquema tinha participação também de deputados federais, servidores e dirigentes de entidades investigadas que “negociavam percentuais sobre o produto do crime, enquanto assinavam atos administrativos com aparência de plena regularidade”. Ele apontou que operadores movimentavam quase R$ 40 bilhões com o apoio de fintechs e empresas de fachada “por anos”.
Mais informações em instantes.
