Quem é e onde está a geração Z? – Observador

Quem é e onde está a geração Z? – Observador



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Oito e um quarto. É hora de conhecermos o tema do Contracorrente. Se quiser entrar em direto para nos dar a sua opinião, só tem de ligar 91 002 41 85 ou então enviar-nos a sua mensagem de voz pelo WhatsApp. O número é sempre o mesmo 91 002 41 85. Carla. Nasceram entre 1995 e 2010. Chamam-lhes Geração Z, nativos digitais, os eu-eu. Muitos estão já no mercado de trabalho, outros ainda a estudar e alguns não estudam nem trabalham. Da Geração Z tanto se diz que vai mudar o mundo do trabalho para melhor, como não estão preparados para a vida real. Quem é e onde é que está, Helena Matos, esta geração Z? Bom dia!

Ela está por aí.

Olha, na minha casa, por exemplo.

Exatamente, na tua casa. Estudam, mas também já estão no mercado de trabalho, aliás, já são uma parte significativa do mercado de trabalho e em parte até foi a partir do mercado de trabalho que começaram a surgir sinais de como esta geração estava a mudar as coisas. E como sempre acontece com as coisas das gerações, com visões, algumas muito elogiosas, outras antes pelo contrário. É claro que se trata de uma geração que tem outra perspectiva sobre o trabalho e que privilegia outras coisas, nomeadamente as questões da saúde mental, o não querer ter a vida focada nas questões de trabalho. Temos também alguns sinais por parte exatamente do mundo do trabalho, das empresas no seu todo, seja dos colegas, seja da estrutura da empresa no seu todo, onde nos dizem que não, que de modo algum, quer dizer que não estão preparados, porque foram uma geração muito mimada, muito autocentrada, portanto, aquela questão dos eu-eu, e que não se conseguem adequar, mais ou menos consensual, mas isso provavelmente terá a ver mais com as tecnologias do que com outra coisa. É que aquilo que para nós das gerações um pouco acima era muito normal, que era falar ao telefone, são uma geração que claramente prefere mandar mensagens. Eles são uma geração em que já não há mundo sem internet, já estão numa grande experiência, e eu não me vou alongar muito mais, mas tenho de dizer isto: eles são os primeiros já a serem, provavelmente, em alguns casos, recrutados por inteligência artificial. E isso é uma coisa que eu acho que deverá mudar tudo, pressuponho que sim. Há aqui grandes diferenças. Já está aí a geração que os vai suceder, que é a geração alfa, e para eles será mesmo esse o ambiente. Estes aqui estão a fazer a transição entre aquilo que é o mundo sem tecnologia e o mundo com tecnologia, com o mundo digital, há aqui uma grande diferença. Depois temos aqui alguns sinais de alarme, que é a questão da saúde mental. E depois aqui é como em todos os problemas: há mais casos de saúde mental nesta geração ou são eles e as suas famílias e a sociedade que está mais desperta para esse problema? De qualquer forma, há aqui uma outra palavrinha a ter em conta, que é pandemia. As circunstâncias, aquilo que acontece, não acontece de igual modo consoante a idade que se tem. E a pandemia, não estou a falar da parte clínica, não terá afetado do mesmo modo os mais velhos.

Estás a falar dos confinamentos, das regras de socialização.

Claro, os confinamentos. Nem me ocorria que pudesse ser outra coisa. Nós sabemos, já disse em relação às crianças pequenas, àqueles que eram bebés, que estavam a aprender a falar, a socializar nessa idade, e aqui pode ter havido também um impacto que não se consegue medir quando se decidem as coisas, nem se podia estar a pensar nisso. Temos isso, depois temos aquela expressão, tu disseste aí uma, que era o eu-eu, para alguns eles são muito autocentrados, e depois temos aqui um fenómeno que não é só deles, não é só desta geração, mas que é muito preocupante, que são os nem-nem. Não estudam nem trabalham. E eu creio que também já estou em eu-eu, nem-nem, não tens nem mais um segundo para falar.

Não, estás ótimo.

Eu sou de uma geração.

És de uma geração que respeita muito as regras, não é? Ao contrário da geração Z.

Não, nós adorávamos quebrar as regras, contestar as regras, mas não havia esta ponderação de que se calhar era um problema de saúde mental. Achávamos mesmo que o mundo era para mudar. São questões geracionais e é muito isso. Também muito na perspectiva do que é que estão a fazer as empresas para acolher, porque não adianta achar que a geração devia ser de outro modo ou que antes pelo contrário. Não, é com eles, eles são uma força de trabalho importante, têm mais-valias que outras gerações não têm e há que contar com eles. O que é que as empresas estão a fazer? E depois também um pouco a parte do ensino. O que é que as escolas têm a ver com isto tudo? Em que medida é que eles reagem à avaliação, à apreciação? Nós tivemos, e a minha geração e tu também terá passado por isso, que é uma avaliação das redações feitas muitas vezes em termos muito expressivos, por assim dizer, e esta geração não lida bem com isso. Porque as gerações também têm de comunicar umas com as outras. E muitas vezes aquilo que é normal para uma geração, a outra interpreta como ofensa, como agressão, ou como acontecia, por exemplo, que é o que acontece com a geração Z. Por exemplo, a minha geração muitas vezes interpretava como um excesso de formalismo. Há aqui questões geracionais, até porque no mundo do trabalho, no mundo da faculdade, as gerações estão todas no mesmo espaço e têm de se articular entre si. E voltando ao princípio, como tu dizias, as famílias. Porque lá em casa é sempre uma questão de gerações.

Pois é, aqui vamos falar destas gerações todas e como se articulam. Até já, Helena.

Até já.

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