Pronunciamento de Moraes é cancelado e será remarcado, informa STF

O Supremo Tribunal Federal (STF) cancelou o primeiro pronunciamento do ministro Alexandre de Moraes após a deflagração da crise envolvendo o ministro André Mendonça. O órgão informou que a manifestação, inicialmente prevista para as 11h desta quinta-feira (10), será remarcada.
O recuo ocorreu cerca de uma hora após o anúncio. Inicialmente, o Supremo anunciou que haveria transmissão ao vivo. Depois, deu o primeiro recuo, afirmando que os cinegrafistas não poderiam entrar e que a TV Justiça cederia uma gravação.
O movimento ocorreu logo após o presidente do Supremo, Edson Fachin, retirar de Moraes a relatoria do inquérito das fake news, que já tramita há 7 anos e é criticado por juristas tanto pela duração quanto pela fusão entre investigação e julgamento. O procedimento foi aberto de ofício (sem pedido) em 2019, por ordem do então presidente Dias Toffoli.
A medida de Fachin ocorre logo após o magistrado utilizar o inquérito contra o ministro André Mendonça, com base em relatórios solicitados no mesmo dia em que o relator do caso Master expôs os achados da PF. Moraes citou relatórios de inteligência que falam em escolha de alvos por posicionamento político, interferência na estrutura administrativa da PF e condução de delações premiadas.
Em resposta ao relatório, Mendonça acolheu um pedido do partido Novo e afastou o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada. Na decisão, ele chama as conclusões dos relatórios de “estapafúrdias” e questiona a legitimidade dos documentos, por não possuírem brasão ou outro elemento. Há, ainda, a crítica à divulgação por Moraes, uma vez que havia avisos de que o material era sigiloso.
O movimento seguinte inseriu o ministro Flávio Dino no embate. Andrei utilizou uma petição do caso Dark Horse para alegar que sua retirada do cargo atrasaria a investigação e que, por isso, deveria ser reintegrado. Dino, então, concedeu a reintegração, e o cenário passou a contar com duas ordens conflitantes.
Na tarde desta quinta-feira (9), Fachin tomou uma série de medidas para tentar resolver o conflito: retirou Moraes do inquérito das fake news, anulou as liminares de Mendonça e Dino, suspendeu a tramitação do processo em que está o relatório contra Moraes, suspendeu um procedimento de controle externo da Procuradoria-Geral da República (PGR) e marcou para terça-feira (15) o julgamento da decisão contra Mendonça no inquérito das fake news.
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Veja a linha do tempo do novo capítulo da crise no STF
- 1º de setembro de 2026: Mendonça retira o sigilo de uma petição e expõe um relatório da PF com detalhes sobre a relação entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes;
- 1º de setembro de 2026: Moraes determina que PF envie relatórios de inteligência que citam ministros do STF;
- 1º de setembro de 2026: procurador-geral da República, Paulo Gonet, diz a Mendonça que a decisão é nula por invadir competência do plenário.
- 2 de setembro de 2026: o presidente do STF, Edson Fachin, divulga uma nota prometendo providências;
- 3 de setembro de 2026: Moraes divulga decisão no inquérito das fake news com relatório crítico a Mendonça, aponta abusos e envia caso à Presidência;
- 3 de setembro de 2026: Fachin abre prazo para manifestações de Mendonça, Moraes, PF e do procurador-geral da República, Paulo Gonet;
- 4 de setembro de 2026: Fachin complementa decisão após ofensiva de Moraes, retirando o episódio do inquérito das fake news e abrindo prazo em paralelo;
- 4 de setembro de 2026: Ao lado de Lula, Fachin defende o fim do inquérito das fake news;
- 5 de setembro de 2026: Gilmar Mendes apresenta proposta de emenda ao Regimento Interno para proibir a atuação de delegados, policiais e militares em gabinetes, exceto para segurança dos ministros;
- 7 de setembro de 2026: Flávio Dino questiona se um julgador pode prometer fim de inquéritos “como se fosse um candidato ou para receber aplausos”.
- 8 de setembro de 2026: 13 ex-ministros enviam carta a Edson Fachin defendendo julgamento público da controvérsia;
- 8 de setembro de 2026, 8h30: Mendonça afasta Andrei Rodrigues e Leandro Almada e marca sessão-relâmpago na Segunda Turma;
- 8 de setembro de 2026, 09h59: Termina o prazo para que os advogados apresentem suas sustentações orais;
- 8 de setembro de 2026, 10h00: inicia a sessão virtual e Gilmar Mendes pede vista;
- 8 de setembro de 2026, 10h04: Fux antecipa voto, acompanhando Mendonça;
- 8 de setembro de 2026, 10h06: Nunes Marques antecipa voto, acompanhando Mendonça e formando maioria;
- 8 de setembro de 2026: Fux cancela sessão da Segunda Turma;
- 8 de setembro de 2026: Gilmar Mendes justifica pedido de vista alegando incompetência da Segunda Turma, pouco tempo para análise dos autos e suposta vedação a esse tipo de pedido por partidos políticos.
- 9 de setembro de 2026: Dino reverte decisão de Mendonça e reintegra Andrei Rodrigues;
- 9 de setembro de 2026: Fachin assume inquérito das fake news e derruba liminares de Dino e Mendonça, mantendo Andrei no cargo.
- 10 de setembro de 2026: STF anuncia pronunciamento de Moraes com transmissão ao vivo. Depois, diz que imagens serão cedidas posteriormente e, por fim, cancela o evento;
- 15 de setembro de 2026: data prevista para julgamento de Moraes por ter pedido investigação de Mendonça.
