‘Política se faz olhando no olho, não no sofá e no zap’
Presidente fez discurso por vídeo durante abertura de Congresso do seu partido
24 abr
2026
– 22h57
(atualizado às 23h41)
BRASÍLIA – Em discurso por vídeo na abertura do Congresso do PT, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou a miliância do partido para ir as ruas na campanha deste ano. Em tom de ‘puxão de orelha’ nos correligionários, nesta sexta-feira,24, Lula pediu aos filiados do partido que troquem as mensagens de WhatsApp pelo olho no olho em busca de votos.
“Nada supera a gente ter coragem de pegar um panfleto, andar na rua, bater palma no portão das pessoas, olhar nos olhos e convencer as pessoas”, disse Lula, que é candidato à reeleição, ao participar por videoconferência da abertura do 8.º Congresso do PT. “É assim que a gente faz política: não é sentado num sofá fazendo um Zap. Eu converso com os olhos. No Zap você nao vê os olhos das pessoas”.
Lula não compareceu à abertura do encontro petista, que vai discutir tática eleitoral e diretrizes de seu programa de governo, porque se submeteu a um procedimento médico para remover uma lesão de pele na cabeça. Ao mandar mensagem por vídeo para os petistas, porém, ele disse que está muito bem de saúde.
“Eu estou muito bem e vou ser presidente outra vez. Não porque eu quero, mas porque o povo brasileiro precisa de alguém que seja responsável, de alguém que saiba ouvir, de alguém que consiga conversar com os olhos e com o coração das pessoas”, afirmou o presidente.
Ele disse ter lido todas as diretrizes do programa de governo propostas pelo PT, mas cobrou que o partido só prometa o que dá para fazer. “Quem está no governo tem como grande arma mostrar o que fez. Se a gente fez as coisas corretas, não perderemos as eleições para ninguém”.
A pedido do Palácio do Planalto, o PT tirou o nome do Banco Master e do ex-presidente Jair Bolsonaro do manifesto “Construindo o Futuro”, que será divulgado neste sábado pelo 8.º Congresso do PT. A primeira versão do texto defendia a reforma do sistema financeiro para prevenir riscos, “especialmente à luz das lições deixadas pelo caso Master”, mas o trecho foi suprimido.
Nos bastidores, dirigentes do PT disseram ao Estadão que o governo não vê sentido em citar o escândalo do Master em um documento que sinaliza o compromisso de Lula para o quarto mandato. As 15 referências a Bolsonaro contidas no manifesto também foram retiradas e trocadas por “governo anterior”. Lula quer a comparação com o antecessor, mas sem citar o nome dele.
Desde que as irregularidades do banco de Daniel Vorcaro vieram a público, a ordem no Planalto e na cúpula do PT foi colar o escândalo a Bolsonaro e ao Centrão – daí o carimbo “Bolsomaster” -, destacando que as investigações da Polícia Federal ocorreram na gestão Lula. O documento também não faz referência aos desvios do INSS.
