PL lança Luciano Zucco ao governo do RS, ex-presidente da CPI do MST que recebeu doação de condenado por trabalho escravo

PL lança Luciano Zucco ao governo do RS, ex-presidente da CPI do MST que recebeu doação de condenado por trabalho escravo


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  • O PL oficializou nesta quarta‑feira (22) a candidatura de Luciano Zucco ao governo do Rio Grande do Sul.
  • A chapa tem Silvana Covatti (PP) como vice‑governadora; Marcel van Hattem (Novo) e Ubiratan Sanderson (PL) concorrerão ao Senado.
  • A aliança reúne sete partidos e coloca Zucco como principal nome do bolsonarismo na disputa pelo Palácio Piratini.
  • Zucco, tenente‑coronel ex‑integrante da segurança da Presidência de Dilma Rousseff, foi deputado estadual em 2018 e ex‑presidente da CPI do MST, financiado por condenado por trabalho escravo.

O PL oficializou nesta quarta-feira (22) a candidatura do deputado federal Luciano Zucco ao governo do Rio Grande do Sul. A chapa terá Silvana Covatti, do PP, como vice, enquanto Marcel van Hattem, do Novo, e Ubiratan Sanderson, do PL, disputarão as duas vagas ao Senado.

A candidatura reúne sete partidos e apresenta Zucco como o principal nome do bolsonarismo na disputa pelo Palácio Piratini. Por trás do lançamento, há uma trajetória marcada pela proximidade com Jair Bolsonaro, pela atuação contra movimentos sociais e por vínculos políticos com setores do agronegócio envolvidos em controvérsias trabalhistas.

Da segurança de Dilma ao bolsonarismo

Tenente-coronel do Exército, Zucco integrou a equipe responsável pela segurança da Presidência durante o governo Dilma Rousseff. Ele entrou no serviço em dezembro de 2010 e, posteriormente, foi transferido para a estrutura presidencial em Porto Alegre.

Em 2018, abandonou a discrição da carreira militar para se eleger deputado estadual pelo PSL, então partido de Bolsonaro. Foi o candidato mais votado para a Assembleia gaúcha. Quatro anos depois, já pelo Republicanos, recebeu 259 mil votos e tornou-se também o deputado federal mais votado do Rio Grande do Sul.

Financiamento sob suspeita trabalhista

Na primeira campanha, Zucco recebeu R$ 10 mil do fazendeiro Bruno Pires Xavier, integrante de uma família empresarial atingida por ações relacionadas a trabalho análogo à escravidão.

O Grupo Quatro Marcos esteve ligado a propriedades onde centenas de trabalhadores foram resgatados em diferentes fiscalizações. Em uma delas, 23 pessoas foram encontradas em condições degradantes. A Justiça do Trabalho condenou integrantes e empresas do grupo ao pagamento de indenização por danos morais coletivos.

Depois de eleito para a Câmara, Zucco aproximou-se da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul, a Farsul. A entidade apoiou a instalação da CPI do MST e defendeu a flexibilização de normas de proteção à saúde e à segurança dos trabalhadores rurais.

CPI do MST e microfone cortado

Zucco ganhou projeção nacional em 2023 ao propor e presidir a CPI do MST.

Logo na primeira sessão, cortou o microfone da deputada Sâmia Bomfim, do PSOL, quando ela mencionava a autorização do Supremo Tribunal Federal para que a Polícia Federal investigasse o parlamentar por suspeita de incentivo a manifestações antidemocráticas. O episódio ampliou as críticas à condução da comissão, marcada por confrontos entre governistas e bolsonaristas.

Meses depois, o próprio Zucco reconheceu como desnecessária outra provocação dirigida a Sâmia durante os trabalhos da CPI.

Arquivamento não analisou o mérito

Em julho de 2023, Alexandre de Moraes determinou o arquivamento de uma apuração específica sobre o suposto patrocínio de atos antidemocráticos por Zucco.

A decisão seguiu manifestação da Procuradoria-Geral da República, que informou que os mesmos fatos já eram tratados em um procedimento anterior, aberto em novembro de 2022. O arquivamento ocorreu para evitar a duplicidade das investigações, e não por uma conclusão definitiva sobre o mérito das suspeitas.

Disputa pelo governo gaúcho

Zucco entra na eleição como representante de uma aliança que reúne PL, PP, Novo, Republicanos, Podemos, Democrata e DC.

Seu principal confronto deve ocorrer com Juliana Brizola, do PDT. Na pesquisa Quaest divulgada em abril, ela tinha 24% das intenções de voto, contra 21% de Zucco, em situação de empate técnico. Em junho, outro levantamento mostrou Juliana com 37% e o bolsonarista com 32%.

A eleição gaúcha deverá colocar frente a frente dois projetos distintos: de um lado, a candidatura apoiada por Bolsonaro e por setores ruralistas; de outro, uma coligação formada por PDT, PT e PSOL.




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