Pix é um sucesso e tarifaço de Trump fortalecerá Lula, diz vencedor do Nobel de Economia – CartaCapital

Pix é um sucesso e tarifaço de Trump fortalecerá Lula, diz vencedor do Nobel de Economia – CartaCapital


Vencedor do Prêmio Nobel de Economia de 2008, Paul Krugman voltou a elogiar o Pix, em meio à nova ofensiva do governo de Donald Trump contra o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos. Trata-se, segundo o economista, de uma tentativa do presidente dos Estados Unidos de punir o Brasil por ser uma democracia de fato — uma medida que apenas fortalecerá o presidente Lula (PT).

Por que seria injusto, questiona Krugman em um artigo publicado nesta segunda-feira 20 no Substack, um país oferecer a seus cidadãos um modo melhor de fazer compras e pagar contas? Ao mencionar a força democrática brasileira, relembrou que, ao contrário dos Estados Unidos, o Brasil processou um ex-presidente por incitar um golpe de Estado após perder nas urnas.

Krugman argumenta que a hostilidade de Trump em relação ao Pix é parte de um fenômeno mais amplo: o presidente se opõe a qualquer progresso que contrarie os interesses e a ideologia dos oligarcas que financiaram suas campanhas — e seus bolsos.

Uma das alegações da Casa Branca para impor um novo tarifaço de 25% sobre a importação de produtos brasileiros é um suposto tratamento injusto do País contra empresas norte-americanas do setor de pagamentos eletrônicos, por meio de favorecimento ao Pix. É uma referência, por exemplo, às bandeiras de cartão de crédito dos Estados Unidos.

“Mas desde quando é prática comercial desleal uma empresa perder clientes para um concorrente que oferece um produto melhor e mais barato?”, pergunta Krugman. “Deveríamos fechar o serviço postal dos EUA porque ele oferece um serviço de entrega de correspondências melhor e mais barato do que a UPS ou a FedEx? Deveríamos fechar o PayPal e o Venmo porque competem com a Mastercard e a Visa?”

A preocupação de Trump, no entanto, vai além, enfatiza o economista: o receio é que o Pix e sistemas similares em outros países desafiem a hegemonia internacional do dólar. O Brasil não poderia impactar o sistema global de pagamentos, admite Krugman, mas e se o Banco Central introduzir, de fato, um euro digital em 2029? “Se isso acontecer, não é difícil imaginar que um número significativo de transações que antes era feito em dólares passará a ser realizado em euros digitais.”

Enquanto isso, os Estados Unidos se opõem a qualquer iniciativa que vise a oferecer um meio de pagamento de qualidade equivalente à do Pix. Logo após assumir o segundo mandato, por exemplo, Trump proibiu por decreto o banco central do país de desenvolver uma moeda digital.

Os defensores da proibição, ironiza Krugman, alegavam se preocupar sobre como uma moeda digital emitida por um banco central funcionaria, mas, a rigor, seu verdadeiro temor é que ela funcione bem demais. O setor de criptomoedas, por exemplo, receia que consumidores percam o interesse em seus ativos.

Paul Krugman avalia também que o sucesso do Pix irrita a direita, refratária à ideia de um governo fornecer um serviço que poderia caber ao setor privado.

“Usar tarifas para punir o Brasil por suas conquistas monetárias não terá sucesso. Politicamente, a medida só fortalecerá o presidente Lula”, vaticina o ganhador do Nobel. “Economicamente, o alcance das tarifas será limitado pelos temores do governo Trump de que os preços do café, suco de laranja, carne bovina e outros produtos subam ainda mais.”



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