Pepa: «Há vitórias com sorte, mas esta foi com muito mérito do Estrela»

Pepa: «Há vitórias com sorte, mas esta foi com muito mérito do Estrela»


Declarações de Pepa, treinador do Estrela da Amadora, na conferência de imprensa após a vitória por 2-1 frente ao Sp. Braga, em partida em atraso da terceira jornada da Liga:

Uma dedicatória especial a Dinis Delgado

«Começar pelo mais importante, que é a nossa vida. O futebol é muito importante para nós, mas, como nós costumamos dizer, é a coisa mais importante para as nossas vidas e assim para as outras todas. Portanto, um grande abraço ao nosso vice-presidente, ao ministro, ao deputado. É público, portanto. Quando são questões pessoais, normalmente não se fala, mas como é público e é sabido, dá-lhe um grande abraço, muito sentido. É extensível pelo grupo todo, porque é representado no grupo. Um grande abraço, uma grande luta que ele está a ter. Vamos vencê-la juntos. E para ele, um grande abraço e esta vitória. Estes três pontos, acima do grupo, são dedicados ao Dinis. Isso é o mais importante para o grupo. No resto, aos nossos adeptos, porque não é fácil vir aqui, ficar fora de casa, longe de casa e dar-lhes esse agradecimento. Aqui, como já disse, temos de ser nós a trazê-los, a empolgá-los, a sentirem orgulho e identidade daquilo que acontece dentro de campo. Também é de ganhá-los, para vê-los, a empatá-los, mas deixar-nos tudo dentro de campo. Toda a sociedade, todos os adeptos, todo o grupo que nos ajudaram aqui a apoiar, do primeiro ao último dia. É uma pessoa fantástica. E os jogadores. Os jogadores também estão abenegados, humildes.»

O impacto do vento e da pressão do Sp. Braga

«A equipa do Sp. Braga é uma equipa que pressiona muito. Assume muito, naquela primeira fase, um encaixe praticamente homem-a-homem. Assume também, cá atrás, muitas situações de mano-a-mano. Só que a verdade é que, contra o vento, e com uma entrada, eu não diria má.  A verdade é que é sempre mau quando sofremos golo. E isso tranquilizou o Sp. Braga. A favor do vento, nós não estávamos a conseguir sair, com essa pressão muito forte. E normalmente há uma saída de escape que nós temos. Que é a saída pelo Léo [Antonetti], pelo próprio Marcus, pelo próprio Ianis. Mas a verdade é que não estávamos a conseguir. Ou pela pressão do Sp. Braga, ou pela força do vento que também estava forte, a bola não tinha força suficiente, e isso acaba por nos tirar conforto do jogo, nessa saída de bola. No processo sem bola, a equipa estava organizada, estava compacta, estava agressiva. Estava onde tinha de estar. Sinceramente, senti a equipa bem.Com bola, é que não estava tão bem. Mas tivemos pequenas nuances que nos deram um ponto de tranquilidade. Começámos a sair a três. Criámos ali umas dinâmicas de uma variabilidade diferente na construção. Ou com o Max por dentro, ou com o Serra a baixar a linha dos centrais. E isso deu-nos mais tempo de ataque, deu-nos mais bola, deu-nos capacidade para respirar. Porque estar sempre a correr atrás da bola, sem sair do meio-campo, esperando os minutos, é muito difícil para qualquer equipa. E estava sempre assim, tudo o que aconteceu com o Sporting, por exemplo, não conseguíamos sair. E mais do que sair, conseguimos ter bola. E, a partir daí, o jogo ficou mais equilibrado. Conseguimos ter bola, conseguimos respirar, conseguimos criar boas ligações para entrar no meio-campo ofensivo. O nosso golo foi muito bonito.»

«Na segunda parte, foi muito mais dividido. E até considero que fomos muito mais proativos. Ganhámos muito mais bolas no meio-campo ofensivo. Muito fortes nos duelos. As melhores oportunidades na segunda parte são nossas. Duas do Marcus, uma do René Mitongo. Portanto, não há jogos perfeitos. Mas hoje estivemos muito bem contra uma grande equipa, um grande treinador. Uma equipa que já está junta há muito tempo. E esta continuidade do treinador também dá-nos essa competência de ser uma equipa muito difícil de anular. Mas, sinceramente, a forma como conseguimos anulá-los foi a sermos muito fortes no meio. Muito fortes nas oportunidades. Não baixar a nossa linha, porque é uma equipa que não procura muita profundidade, cruza muito bem, procura muitas triangulações, muitas combinações por dentro. E a equipa esteve muito concentrada nesse aspeto. Há vitórias que, às vezes, são no sufoco. Às vezes, na sorte, mas esta foi uma vitória com muito mérito do Estrela e estamos de parabéns»

A confiança no trabalho foi decisiva

«Sem dúvida. É o conforto que nos dá. É isso mesmo, independentemente do resultado. É a confiança total nos jogadores, confiança total na equipa técnica. A confiança é total. Portanto, os jogadores sabiam o que tinham de fazer dentro de campo.. Aquilo que nós podemos ajudar, ajudamos, em termos de algumas situações com bola e sem bola, mas isso também nos dá aquele conforto e aqui é isso que falou muito bem de sermos fiéis à nossa ideia. Com bola, sem bola. Cada jogo tem a sua história e esta foi uma história muito difícil, mas que acabou por ser muito bonita e justa. E concordo com as situações difíceis antes do jogo, mas nós temos de nos agarrar às quatro linhas. É um jogo de futebol dentro do campo, dentro das quatro linhas, e isso é o que interessa. Eu tinha dito na conferência, que não se pode servir de multa, não pode servir de desculpa, porque o futebol é lá dentro. É dentro do campo. Claro que gostávamos de ter tido este ambiente na nossa casa, era especial, mas lá está, os adeptos compareceram, ajudaram e a equipa teve um comportamento fantástico.»

Jogo apoiado sem perder profundidade

«É uma ideia de jogo que os jogadores estão a comprar e estão a absorver com um bom sorriso na cara e com muita vontade de aprender. Eu, sinceramente, joguei e, mesmo quando estava a jogar, os jogadores sempre têm sido mais felizes, querem fazer aquilo que gostam, aquilo que sabem. E posso dizer-lhe uma coisa. O golo sofrido foi em tentar sair a jogar. É o que é. É um erro, mas os erros acontecem. Nós preferimos perder, por exemplo, mas a tentar fazer aquilo que trabalhamos e essa coragem para jogar. Agora, temos de ser inteligente no campo, ter esta variabilidade de jogo apoiado, jogo ligado, jogo associativo, mas nunca deixar de agredir. Porque muitas das vezes o espaço está lá e aconteceu-lhe várias vezes. Bola no Marcus, bola no Léo, bola no Ianis, no Béni… Temos de ser sempre a equipa que tem capacidade de atrair a marcação, mas o objetivo é sempre o contrário. E as melhores oportunidades no jogo, mais perigosas, foram para o nosso ataque.»

Semana difícil não pode transformar-se em raiva

«Sabe que, às vezes, é isso. Nesse tipo de situações temos de matar. Mas é futebol. Agora fico triste por não ter podido estar no banco a desfrutar deste jogo. Porque é aí que os jogadores têm de estar, é aí que toda a gente tem de estar. Mas nem vou alongar sobre aquilo que aconteceu no último jogo, que para mim foi uma injustiça, mas não posso fazer nada em relação a isso. Com Pepa, sem Pepa, não interessa. O que interessa é a ideia, é o trabalho que nós temos, é todos saberem o que temos a fazer dentro de campo, empatando, perdendo, ganhando. É sermos fiéis àquilo em que acreditamos e a equipa cresceu no decorrer do jogo. E mais uma vez não serve de desculpa, mas acredito mesmo que estava um vento muito forte, uma pressão muito forte do Sp. Braga, uma pressão muito frontal, a encaixar praticamente homem-a-homem. A assumir situações que nós sabíamos que iam acontecer, com a linha de três, a assumir praticamente homem-a-homem, com os centrais de fora e praticamente ao corredor. O espaço estava lá, agora é preciso é que eu receba a escala. Não onseguimos nos 15 minutos, mas fomos gradualmente percebendo que o espaço continuava lá. A equipa tem de ser mais dinâmica e a equipa fez uma exploração muito boa.»

«Jogar em Alverca? Nós não podemos tornar isso em combustível, isso que aconteceu, numa forma de raiva. Não podemos. Porque há coisas mais importantes na vida, nós não controlamos isso. Para mim foi, já falei sobre isso, uma injustiça tremenda, o nosso campo tinha condições boas? Não. É o que temos. As pessoas são muito humildes, as pessoas são muito boas, são muito competentes, são muito sérias. E, na verdade, magoou-nos o que aconteceu em 48 horas do jogo. Mas também tenho de dizer que, se nós pudéssemos ter uma relva sempre boa, era o melhor para todos. É o melhor para os jogadores, era o melhor para o Estrela, é o melhor para o futebol português. E, mais uma vez, agradecer ao Alverca pela forma como nos disponibilizou e ajudou, infraestruturas, logística. Foi um trabalho tremendo também da nossa estrutura. Mas uma palavra para o Alverca, para a sua direção, porque ajudou-nos em tudo aquilo que fizemos.»

Uma equipa cada vez mais forte mentalmente

«Sem criticar nada, isto não é crítica. Isto é factual e eu não sei o que vai acontecer daqui a um mês, daqui a dois. E, no momento, o que vai acontecer é o mais importante. Está a ser melhor a ideia. Agora que o caminho está a ser… Estamos a caminhar, estamos a dar passos em frente, estamos a vir de um caminho difícil e duro. Estamos assentes numa ideia que não é melhor nem pior, é diferente do que estava anteriormente. Agora nós queremos unir e crescer nessa mentalidade forte. Não é fácil, mais uma vez. Às vezes pergunto-me o que é que podemos fazer melhor. O que é que podemos fazer melhor para não sofrer golos assim tão cedo? É futebol, mas mais uma vez mostra que a capacidade da equipa não se desligou. Ter dois amarelos, por exemplo, nos centrais, mas manter o foco, manter uma sensação, manter o rigor. Isto a nós, equipa técnica, dá-nos um prazer, um gozo e nós vemos a equipa a crescer. Mais uma vez, uma equipa jovem com este tipo de dificuldades e de superação vai melhorando jogo após jogo. A liga portuguesa está muito difícil: muitos bons jogadores, bons treinadores, boas estruturas, bons e grandes investimentos também. Portanto, cada jogo é isto. Três pontos muito importantes. Muito felizes com o que aconteceu, mas já a pensar no próximo. A verdade é que daqui a três dias já estamos a viajar para o Norte para fazer um jogo. E, mais uma vez, valorizado o futebol português e sai-nos a fava de jogar. Mas é o que é. Se vamos jogar de três em três dias também temos de estar preparados para isso. Se não, também é o nosso trabalho deixar os jogadores bem fisicamente para estarem preparados para estes desafios.»



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