Paquistão garante que EUA e Irão continuam em negociações – Observador

Paquistão garante que EUA e Irão continuam em negociações – Observador



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Começa agora mais um episódio da Guerra Traduzida, sobre a situação no Médio Oriente. Olhamos pra imprensa internacional, hoje com o Miguel Gato. Olá, Miguel.

Olá, Teresa.

Miguel, foi mais uma noite de uma forte onda de ataques ao Irão.

De acordo com o Comando Central Norte-americano, os bombardeamentos dos Estados Unidos tiveram como objetivos diminuir ainda mais as ameaças representadas pelo Irão às forças norte-americanas, à navegação comercial e também aos países vizinhos do Golfo. Na rede social X, a CENTCOM diz que atacou dezenas de alvos da Guarda Revolucionária Islâmica no Irão, incluindo centros de comando militares, instalações de mísseis e drones, postos de vigilância e defesa costeira e ainda meios marítimos. A comunicação social estatal iraniana avança que os ataques norte-americanos à ilha de Qeshm provocaram três mortos. Um dos ataques terá atingido uma zona residencial da ilha situada junto ao estreito de Ormuz, onde também foram ouvidas várias explosões.

Houve, como tem sido habitual, retaliação por parte do Irão.

Sim, as Forças Armadas da Jordânia anunciam que interceptaram e destruíram cinco mísseis lançados a partir de Teerão esta madrugada, em comunicado citado pelo Times of Israel. O porta-voz militar da Jordânia afirma que os mísseis foram detectados nas primeiras horas da manhã e abatidos pelos sistemas de defesa aérea. De acordo com os planos de defesa estabelecidos pelo país, não há registro de vítimas ou danos. O Ministério da Defesa do Koweit também denuncia um ataque iraniano esta madrugada. Na rede social X informa que este ataque fez um morto num edifício de uma empresa chinesa.

Apesar dos ataques entre Estados Unidos e Irão terem retomado, o Paquistão confirma que nesta altura estão a haver negociações.

O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros paquistanês, Tahir Andrabi, afirma, citado pelo Times of Israel, que os contatos incidem sobretudo sobre a situação no estreito de Ormuz, mas também nos esforços para reduzir as tensões militares. Islamabad diz ainda que está a fazer todos os esforços para que Washington e Teerão regressem às negociações previstas no memorando de entendimento que foi assinado entre as partes e do qual o Paquistão é signatário.

E a Guarda Revolucionária do Irão diz que dois petroleiros recuaram no estreito de Ormuz depois de ter se deflagrado um incêndio.

Sim, os barcos foram obrigados a inverter a rota depois de um deles ter se incendiado. Em comunicado citado pelo Times of Israel, a força militar iraniana alega que os navios tentavam utilizar a rota sul do estreito, classificada pelo Irão como insegura. Segundo a mesma fonte, após o incêndio num destes petroleiros, os navios tiveram de regressar ao ponto de partida. Desde o início do conflito no Médio Oriente, em fevereiro, que o Irão alega manter o controle do estreito de Ormuz e exige que os navios obtenham uma autorização prévia. Afirmam que esta via marítima não vai ser reaberta enquanto continuarem as ameaças e a interferência dos Estados Unidos na navegação na região. Isso mesmo foi reiterado hoje num comunicado da Guarda Revolucionária do Irão, citado pela Al Jazeera. A Guarda Revolucionária do Irão que diz que o estreito de Ormuz se mantém sob o controle do Irão.

O Irão, que estará por trás do ataque a um navio-tanque no Egito.

É o que dizem duas fontes iranianas citadas hoje pelo New York Times. Segundo o jornal norte-americano, a operação teve como objetivo demonstrar que o Irão tem capacidade para perturbar de forma mais significativa o transporte marítimo e o fornecimento mundial de energia, caso decida intensificar o conflito. As fontes não esclareceram, no entanto, se o ataque foi levado a cabo diretamente pelo Irão ou por um dos grupos armados aliados nos países do Médio Oriente.

Viramos agora atenções pra situação na Faixa de Gaza. O exército israelita anunciou hoje que eliminou dois comandantes do Hamas.

Tel Aviv alega que ambos preparavam ataques contra militares e civis de Israel. As forças israelitas justificaram estas operações. Dizem que estes dois combatentes representavam uma ameaça. Segundo a nota publicada na rede social X, um dos ataques efetuados na segunda-feira no sul de Gaza matou Ahmad Lu, identificado como comandante de uma célula de atiradores furtivos do batalhão de Nuseirat. Num outro ataque, também na segunda-feira, mas no norte da Faixa de Gaza, e que foi apenas divulgado hoje, foi morto Mahmoud Tarush, comandante de um pelotão da ala militar do Hamas, que, de acordo com Israel, participou no ataque do 7 de outubro.

E um jornal saudita adianta esta manhã que o Hamas e os mediadores estão perto de um acordo sobre a segunda fase do cessar-fogo em Gaza.

As negociações no Cairo entre o Hamas e os mediadores, Egito, Qatar e Turquia, estarão próximas de um acordo sobre a segunda fase desse cessar-fogo. A proposta foi apresentada pelo antikoordinador especial das Nações Unidas pra o processo de paz no Médio Oriente, Nikolay Mladenov. Prevê que as armas do Hamas e de outros grupos armados não sejam entregues, mas sim transferidas pras forças de segurança palestinianas ligadas ao futuro Comitê Nacional pra Administração de Gaza, um organismo tecnocrático que deverá gerir o enclave assim que for alcançado este acordo. De acordo com o jornal, existe um amplo consenso entre as partes sobre a formulação relativa ao armamento e ao desarmamento, e um acordo pode mesmo ser anunciado nos próximos dias. A proposta prevê ainda o destacamento de uma força internacional para o território da Faixa de Gaza.

Ponto final no episódio de hoje da Guerra Traduzida, com edição do Miguel Gato sobre os conflitos no Médio Oriente. Estamos de regresso amanhã.





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