Oposição na Câmara de Lisboa unânime a acusar Moedas de desresponsabilização pelo acidente no elevador da Glória – Política

Oposição na Câmara de Lisboa unânime a acusar Moedas de desresponsabilização pelo acidente no elevador da Glória – Política





Passado um ano desde a tragédia do elevador da Glória, a oposição na Câmara de Lisboa reforça as críticas ao presidente do executivo municipal, Carlos Moedas (PSD), acusando-o de se colocar “à margem dos esclarecimentos e da responsabilidade”.





Questionados pela agência Lusa, os vereadores de PS, Livre, BE, PCP e Chega convergem nas críticas à atuação de Moedas — que lidera a governação PSD/CDS-PP/IL na Câmara Municipal de Lisboa (CML) — após o descarrilamento do ascensor da Glória, que ocorreu em 03 de setembro de 2025 e provocou 16 mortos e 24 feridos, de 15 nacionalidades.






“Continuamos sem conhecer as conclusões das auditorias, sem um balanço das medidas executadas e sem informação clara sobre a situação das vítimas e das suas famílias”, expôs a vereação do PS, liderada por Alexandra Leitão.





Aguardando as conclusões das investigações sobre o acidente neste equipamento gerido pela empresa municipal Carris, que tem como acionista única a CML, o PS avança com uma avaliação à responsabilidade política pela gestão deste processo: “Moedas ainda deve à cidade um esclarecimento completo sobre o que falhou, o que foi corrigido e que garantias existem hoje de que o mesmo não voltará a acontecer com um equipamento municipal.”





Para o PS, o adiamento do relatório final do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF), que estava previsto para setembro, mas que deverá ser publicado até final do primeiro trimestre de 2027, “não justifica que o presidente da Câmara continue a faltar a uma prestação de contas clara e transparente”.





“É difícil aceitar que, perante o acidente mais grave ocorrido num equipamento municipal em Lisboa, o presidente da Câmara se coloque à margem dos esclarecimentos e da responsabilidade. Carlos Moedas comporta-se como se não fosse o presidente da Câmara”, acusa a vereação socialista, recusando que se fale de aproveitamento político e sublinhando que, “desde a primeira hora, foi dito por todos – incluindo o presidente da Câmara – que honrar as vítimas seria apurar todos os factos com rigor”.






Já a vereação do Livre afirma que o balanço quanto à resposta da CML ao acidente “é o de um ano de silêncio institucional”, criticando o facto de ser a seguradora da Carris, a Fidelidade, a garantir todo o processo de indemnizações, e acusando o município de se demitir do seu papel, “deixando famílias enlutadas e feridos sozinhos numa negociação de valores”.





O Livre sublinha ainda que as responsabilidades continuam por apurar, designadamente “as criminais, que estão nas mãos da justiça e devem seguir o seu curso sem interferência, as de natureza técnica e as políticas, que não dependem de nenhum tribunal”, acusando a governação de Moedas de encetar “uma tentativa de dissipação desse tipo de responsabilidade […], procurando criar este precedente inaceitável: a de que o pior acidente da história de Lisboa, desde o terramoto de 1755, possa ficar sem responsabilidade política clarificada e assumida perante as vítimas, as famílias das vítimas, e os lisboetas”.






Também o BE afirma que “permanecem demasiadas perguntas sem resposta, demasiadas responsabilidades por apurar e, sobretudo, demasiadas vítimas e famílias sem o apoio e a reparação que lhes são devidos”, sustentando que a responsabilidade da seguradora da Carris não dispensa o município de assegurar um acompanhamento “próximo, permanente e humanizado”.





“Carlos Moedas demonstrou falta de transparência e incapacidade para assumir a responsabilidade política que decorre da tutela da Carris. Anunciou auditorias que tardaram em avançar, prometeu apoio às vítimas que continua incompleto, não concretizou o fundo municipal aprovado, remeteu as indemnizações para a seguradora e não assegurou uma prestação regular, rigorosa e pública de informação”, aponta o BE, insistindo na necessidade de um mecanismo municipal de apoio às vítimas e às famílias.






Já o PCP realça “as incongruências” entre as declarações do presidente da CML de que tem sido prestado total apoio e “os múltiplos testemunhos divulgados na comunicação social, de vítimas e respetivas famílias, que denunciam a falta de apoio e até de qualquer contacto por parte da CML”, sublinhando que são situações que exigem “esclarecimento cabal” e que, “a confirmarem-se, são inaceitáveis e repudiáveis”.





A vereação comunista considera que, no âmbito da investigação das causas do acidente, “é fundamental equacionar, sem reservas, as opções estratégicas de gestão da Carris”, referindo que, ao longo dos anos, houve uma alteração “profunda” do quadro de recursos, competências e conhecimento interno, nomeadamente através da externalização dos serviços de manutenção, devido a decisões de “sucessivos governos e executivos municipais, do PS e do PSD/CDS”.





Para o Chega, é preciso “verdade” sobre o que acontece e não se pode permitir que “o passar do tempo transforme uma tragédia desta dimensão num acidente sem responsáveis”, até porque “existe necessariamente uma questão de responsabilidade política”.





“Moedas não apertava parafusos no elevador da Glória, mas tinha a obrigação política de garantir que existia um sistema capaz de verificar se esses parafusos eram corretamente apertados”, considerou o partido, questionando “se a administração da Carris teve de sair, se responsáveis da manutenção foram afastados, se contratos foram terminados e se todo o sistema teve de ser reformulado, qual é exatamente a responsabilidade política que Carlos Moedas assume?”.






O Chega ressalvou ainda que “numa democracia séria a responsabilidade política não termina onde começa a responsabilidade técnica”.





Quanto ao anunciado memorial em homenagem às vítimas, os vereadores da oposição dizem não ter qualquer informação, tal como não foram informados sobre a solução apresentada para o futuro ascensor da Glória, que deverá contar com um “novo sistema”, prevendo-se um concurso público internacional de conceção até ao final março de 2027 e a inauguração do equipamento em 2029.














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