O que pode ter levado o Republicanos a barrar Cleitinho na disputa por Minas

O que pode ter levado o Republicanos a barrar Cleitinho na disputa por Minas



A decisão do Republicanos de retirar Cleitinho Azevedo da disputa pelo governo de Minas Gerais, anunciada nesta quarta-feira, 29, interrompe uma candidatura que aparecia na liderança das pesquisas e abre uma nova etapa de negociações no segundo maior colégio eleitoral do país. Para o colunista de VEJA Robson Bonin, a resistência do partido ao senador está ligada menos ao potencial de votos e mais à forma como ele conduziu sua pré-candidatura. (este texto é um resumo do vídeo acima)

Durante o VEJA em Foco, apresentado por Raquel Novaes, Bonin afirmou que os partidos do Centrão, apesar de pragmáticos, não aceitam qualquer nome em busca de uma vitória eleitoral. No caso de Cleitinho, disse, pesou a percepção de que o senador é uma figura política instável e de difícil controle para uma legenda que pretende construir um projeto de governo.

“Os partidos do Centrão, muito pragmáticos, não topam qualquer negócio para vencer eleição”, afirmou.

Apesar do anúncio do partido, o senador contradisse a nota publicada pelo partido, afirmando na noite desta quarta-feira, 29, que irá participar da disputa pelo governo do Estado. “Quero começar dizendo que eu sou candidato a governador, junto com [o ex-prefeito de Patos de Minas, Luís Eduardo] Falcão [também do Republicanos] como vice”, começou o parlamentar.

O que incomodou o Republicanos?

Na avaliação de Bonin, Cleitinho passou ao partido sinais contraditórios ao longo da construção de sua candidatura e alternou declarações e posições políticas. “Ele ora elogia o Lula, ora elogia o Flávio, dá sinais controversos e faz um discurso antissistema que às vezes penaliza o partido dele”, disse.

A avaliação se soma ao comportamento de Cleitinho durante o processo de definição da candidatura. Segundo Bonin, o senador “vacilou, deu sinais trocados o tempo todo”, em um momento no qual o Republicanos buscava construir uma candidatura para um cenário eleitoral ainda sem um nome consolidado.

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A própria nota divulgada pelo partido destacou justamente a falta de uma decisão definitiva do senador. Segundo o texto, a legenda trabalhou para viabilizar a candidatura, mas faltou “a decisão inequívoca de quem deveria ser, em primeiro lugar, candidato de si mesmo”.

Por que o discurso de Cleitinho virou um problema?

Bonin também apontou uma contradição entre a popularidade do estilo político de Cleitinho e o interesse do partido em construir uma candidatura para governar Minas Gerais.

O senador, segundo ele, é um produto do ambiente político atual e conseguiu crescer justamente com um discurso antissistema, punitivista e de forte apelo popular. “Esse discurso popular, esse jeito popular dele de ser e comunicar muito com os eleitores”, afirmou o colunista.

O problema, na avaliação de Bonin, estaria no impacto desse perfil para uma legenda que precisa apresentar não apenas um candidato competitivo, mas também um projeto de governo.

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“Isso é muito prejudicial. O partido sabe que esse tipo de projeto costuma não acabar bem”, disse.

O episódio envolvendo a morte do irmão pesou?

Bonin citou ainda a forma como Cleitinho tratou publicamente a morte do irmão durante a construção da candidatura. O colunista afirmou que o senador chegou a utilizar o episódio como instrumento eleitoral, mencionando um vídeo produzido com inteligência artificial no qual apareceria recebendo uma espécie de missão divina para disputar o governo.

Para Bonin, o episódio reforçou a percepção de um comportamento político que o Republicanos passou a considerar incompatível com a dimensão do projeto que pretendia construir em Minas.

“Não dá para tratar de campanha eleitoral e de um projeto sério de governar um Estado como Minas Gerais com alguém que se move dessa forma”, afirmou.

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O que muda para o palanque de Flávio Bolsonaro?

A saída de Cleitinho também reabre as negociações em torno do palanque de Flávio Bolsonaro em Minas Gerais. Segundo Bonin, vários nomes devem disputar o espaço deixado pelo senador, enquanto as conversas entre os partidos avançam.

O colunista afirmou que Flávio tem força eleitoral no Estado e que Minas está, na atual conjuntura, “muito distante do PT”, mas ressaltou que a definição do palanque ainda depende de novas articulações.

Bonin também mencionou a possibilidade de as negociações envolverem a escolha de um vice para Flávio, embora tenha destacado que esse cenário ainda está em aberto.

Com a retirada de Cleitinho, portanto, o Republicanos encerra uma candidatura que tinha forte apelo nas pesquisas e passa a participar de uma nova rodada de conversas sobre a composição da disputa em Minas.

VEJA+IA: Este texto resume um trecho do telejornal VEJA em Foco (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.



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