O maior túnel imerso do mundo começou a ser montado no mar em 2026: cada seção padrão pesa cerca de 73 mil toneladas

O maior túnel imerso do mundo começou a ser montado no mar em 2026: cada seção padrão pesa cerca de 73 mil toneladas


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Recorde mundial em túneis imersosCom 18 km de extensão contínua sob o leito marinho, a obra supera em mais de cinco vezes o trecho submerso da ponte-túnel de Øresund.

Produção modular em linha seriada89 elementos estruturais pré-fabricados (79 padrão de 73.500 t e 10 especiais com subsolo técnico) fabricados em doca seca em Rødbyhavn.

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Eliminação do gargalo bálticoO tempo de travessia do estreito cai de 45 minutos em ferry para 7 minutos em trem de alta velocidade a 200 km/h e 10 minutos por rodovia a 110 km/h.

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Vedação por pressão hidrostáticaJuntas de vedação de perfil elastomérico Gina e Omega que usam o próprio empuxo da coluna d’água oceânica para selar os módulos sem bombeamento externo.

No meio do Estreito de Fehmarn, no Mar Báltico, duas barcaças de posicionamento controlam a descida de um monólito oco de concreto armado com 217 metros de extensão linear. Sob o acréscimo de 4.500 toneladas de concreto de lastro e alinhada por telemetria milimétrica a laser, a primeira das 89 seções estruturais do Túnel do Fehmarnbelt assenta no leito marinho a 40 metros da superfície para erguer a mais longa ligação subaquática combinada do planeta.

Como blocos ocos de concreto de 73.500 toneladas flutuam e afundam com precisão milimétrica no fundo do mar?

O princípio que viabiliza o manuseio dessas estruturas baseia-se diretamente no empuxo hidrostático e no controle rigoroso da flutuabilidade negativa. Cada elemento padrão do túnel mede 217 metros de comprimento, 42 metros de largura e 10 metros de altura, estruturado com paredes externas de concreto armado que delimitam cinco galerias internas ocas: duas para rodovia, duas para ferrovia e um corredor central de serviço e emergência.

Durante o desmolde e a saída da fábrica, as extremidades do módulo recebem anteparos de aço estanques temporários. Com o interior vazio preenchido por ar, a densidade média do elemento torna-se ligeiramente menor que a da água salgada do Mar Báltico, permitindo que a peça de 73.500 toneladas flutue na bacia portuária com uma borda livre de segurança calculada em poucos centímetros.

Engenheiro civil marítimo em cabine de comando monitorando dados de telemetria e sonar durante a imersão de estrutura submarina.
Engenheiro acompanha em tempo real o alinhamento milimétrico do monólito de concreto submerso — Créditos: Imagem gerada por IA

Quais são as dimensões exatas e a rota submarina entre Rødbyhavn e Puttgarden?

A rota submarina desenvolvida pela estatal dinamarquesa Femern A/S e executada pelo consórcio construtor Femern Link Contractors (FLC) cobre exatamente 18 quilômetros entre Rødbyhavn, na ilha dinamarquesa de Lolland, e Puttgarden, na ilha alemã de Fehmarn. Para assentar os blocos, escavadeiras marinhas retiraram cerca de 15 milhões de m³ de argila, areia e sedimentos do fundo do oceano, formando uma vala de 100 metros de largura média por 12 metros de profundidade de corte.

A geometria da obra foi padronizada para sustentar fluxos mistos e operações contínuas com especificações severas de projeto:

Pilares de Engenharia do Túnel do Fehmarnbelt

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ESPECIFICAÇÃO TÉCNICA

Módulos de 73.500 toneladas

Monólitos de 217 m de comprimento comportam 4 pistas de rodovia, 2 linhas ferroviárias e uma galeria técnica pressurizada de evacuação e resgate.

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NORMA / ÓRGÃO

Femern A/S e Eurocode EN 1992

Dimensionamento para 120 anos de vida útil sem reformas estruturais maiores, atendendo à classe de agressividade marítima severa XS3 da norma europeia.

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DESAFIO ESTRUTURAL

Assentamento e selagem a 40 m

Fundação de cascalho nivelada subaquaticamente por embarcação automática, prevenindo recalques diferenciais sob cargas cíclicas de maré e trens.

Qual é o passo a passo para imergir e selar hidrostaticamente cada elemento no leito do Báltico?

O processo de posicionamento de cada um dos 89 elementos do Fehmarnbelt segue uma rotina operacional rigorosa dividida em cinco etapas sequenciais, onde o menor desvio angular inviabilizaria o encaixe estanque das galerias:

Na primeira fase, o elemento é construído em uma fábrica fechada de 1 milhão de m² na costa de Lolland. Nove segmentos de concreto de aproximadamente 24 metros são concretados a cada nove semanas e protendidos longitudinalmente para formar uma peça única de 217 metros. Após a vedação provisória das duas pontas, a doca seca é inundada e a comporta do porto é aberta para soltar o monólito flutuante.







Critério Construtivo Túnel Imerso (Fehmarnbelt) Tuneladora TBM / Ponte Estaiada
🚇 Seção transversal integrada 1 galeria única comporta 4 faixas rodoviárias e 2 vias férreas TBM exigiria 3 a 4 túneis circulares independentes de grande diâmetro
⚓ Interferência no tráfego marítimo Protegido no leito marinho com enrocamento antirrisco de âncoras Ponte exigiria pilares expostos a impactos de navios em rota densa
🌡️ Fissuração e controle de cura Cura climatizada em fábrica com tubos internos de resfriamento Injeção de concreto subaquático ou aduelas moldadas sob alta pressão

Como a estatal Femern A/S realizou a primeira imersão com as barcaças IVY?

O assentamento bem-sucedido do primeiro módulo do Fehmarnbelt no portal de Lolland marcou a comprovação empírica do método construtivo projetado há mais de uma década. A operação mobilizou marinheiros, engenheiros navais e calculistas em turnos contínuos para manter o alinhamento da peça contra as correntes marinhas transversais do canal.

Ao atingir a cota do leito da trincheira marinha, as conexões telescópicas dos pontões estabilizaram a estrutura enquanto os sensores de telemetria instalados nas quatro extremidades do elemento confirmaram tolerâncias de desvio inferiores a 10 milímetros em relação ao eixo da pista dinamarquesa.

Abaixo, um vídeo do Femern A/S (YouTube) que aprofunda o tema:

Quando o projeto de travessias e estruturas subaquáticas exige engenheiros geotécnicos e de estruturas marinhas?

Intervenções que lidam com estruturas imersas, dragagem de grande profundidade ou fundações portuárias exigem a atuação direta de engenheiros civis geotécnicos especializados em mecânica dos solos marinhos e ensaios de piezocone (CPTu). É esse profissional que calcula o potencial de liquefação de areias sob abalos sísmicos e avalia a taxa de adensamento das argilas submarinas sob a pressão contínua do peso próprio do túnel.

Da mesma forma, engenheiros de estruturas com ênfase em concreto de alto desempenho são indispensáveis para simular gradientes térmicos durante a hidratação de peças com mais de 3 metros de espessura de parede, evitando fissuras passantes que causariam infiltração precoce. Em projetos de infraestrutura hídrica e portuária no Brasil, essas análises devem seguir rigorosamente a ABNT NBR 6118 (projeto de estruturas de concreto) e normas de segurança da Autoridade Marítima e do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT).

Com orçamento aprovado de 7,4 bilhões de euros cofinanciado pela Comissão Europeia e com previsão de inauguração em 2029, o Túnel do Fehmarnbelt estabelece um novo paradigma mundial para a travessia de canais e fiordes. Ao provar que monólitos de 73.500 toneladas podem ser pré-fabricados em linha seriada e acoplados com precisão a 40 metros de profundidade, a engenharia civil dinamarquesa e alemã oferece uma solução replicável para os gargalos de mobilidade costeira mais desafiadores do século.

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Contexto importante: Este artigo é informativo. Para projetos estruturais locais similares, recomenda-se avaliação de engenheiro civil especializado em geotecnia marinha, túneis e obras de proteção costeira, especialmente em contextos de risco de vazamento, infiltração, recalque diferencial ou impacto ambiental subaquático.



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