O “gamanço” de cêntimos e os “chakras” de Montenegro – Observador

O “gamanço” de cêntimos e os “chakras” de Montenegro – Observador



Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Já dispensa apresentações. É a Redação de Glória.

É, o teu pezinho a bater. Registei. E já entrou em funcionamento o sistema Volta.

Esqueci-me disso. Esqueci. No outro dia comprei duas latas.

E não trataste isto.

Pus no Reciclável, mas não pus no Volta, no sistema. Se calhar ainda bem. Sabes por quê? Porque isto dá uns nervos.

Dizem-nos que isto aqui é que é progresso, sustentabilidade, consciência ambiental, mas na prática funciona assim, vindo mãos a abanar, porque na prática isto funciona assim: compras a bebida, depois pagas o produto, depois adiantas mais 10 cêntimos, separas o lixo em casa, dás esse trabalho, guardas a embalagem em casa, depois ensacas em garrafinhas, garrafinhas de água de plástico, trazes o lixo contigo, depois ficas à espera que a máquina decida se és digno ou não de recuperar aquilo que já era teu. E nem sequer basta reciclar. Não. Depois a embalagem para tu reciclares aqui tem que ter o símbolo V de volta. É, se correr bem, recebes depois um talãozinho para ires trocar dentro do supermercado. Ainda tens mais esse trabalho. É, lá vais trocar, que depois é uma espécie de troféu para trocares pelos teus gloriosos 10 cêntimos.

Isto descrito pela Joana Amaral Dias cansa. Na ótica do utilizador, isto é difícil. A visão macro também não é nada positiva.

Vejam isto: os preços das garrafas de água vão aumentar 10 cêntimos porque eles inventaram umas razões ambientais que não querem dizer, e para fingir que não estão a aumentar os preços, criaram aqui uma coisa que é vocês depois podem ir devolver estas garrafas, metem num recipiente, se tiver com o código de barras, com uma série de requisitos, se tiver toda integral, se tiver toda arranjada. E depois dão-vos um talão onde vocês eventualmente poderão ir buscar esses 10 cêntimos a mais. Até na água nos roubam. Que este tipo de gamances escondidos têm que acabar. E que nós não aceitamos estar sempre a ser roubados com pseudo-razões económicas, sociais, humanitárias, ambientais, só para vos encher os bolsos. Da nossa parte, vai haver luta, porque isto não tem outro nome, é gamance.

Portanto, não é reciclagem, o termo técnico é gamance. Entretanto, o governo está com um problema muito grave entre as mãos com o PTRR. Luís Montenegro não consegue distinguir entre charca e chacra. Foi assim há dois dias, no Pavilhão de Portugal, em Lisboa, a apresentar o plano para a recuperação das zonas afetadas pelo mau tempo.

Associamos a nossa melhor capacidade de gestão, precisamente todos os nossos recursos hídricos e de todo o nosso sistema de barragens e chacras e outros instrumentos de gestão d’água.

Os chacras é quando não estão alinhados.

Pois não. E foi assim ontem, no debate quinzenal do Parlamento.

Acha que devemos parar a construção de mais quatro barragens e mais 400 chacras e pequenas albufeiras? É isso que o senhor deputado defende?

Ninguém o avisou.

Não, isto põe o plano todo em causa.

Pois põe. Pelo contrário, o antecessor de Luís Montenegro sabe muito bem quando mete os pés pelas mãos.

Num mundo que muda tão rapidamente, é reconfortante ver que algumas coisas se mantêm constantes. Uma delas é o espírito de inovação da Universidade do Vinho, do Minho. Que lapso.

Todo a rir, é claro.

Também é verdade. Se há coisa que podemos reconhecer com muito orgulho é como a qualidade do nosso vinho melhorou nos últimos 20 anos. Não fruto das alterações climáticas, não porque a terra tenha mudado, mas porque o vinho passou a ter uma nova componente essencial para além da uva. Foi o saber que as universidades produziram através dos enólogos que foram formados ao longo das últimas décadas. E pronto, até chegar o lapso.

Deu uma grande volta muito bem dada e tem toda a razão.

É isto que se chama habilidade política do António Costa, não é?

Também é verdade.

Bom, vamos ainda até a freguesia de Pereira conhecer o António. Por quê? O António está numa procissão e é a pessoa, garanto-vos, mais sincera que vocês alguma vez vão conhecer.

Vem de que freguesia?

Freguesia de Pereira.

Pereira. O que representa para si estar nesta procissão?

Olha, representa muito daquilo que eu não sei.

Mas já é costume vir, não?

Não, é a primeira vez.

E aceitou o desafio por quê?

De obrigação. Claro que é de obrigação, isso. Se fosse de obrigado, nunca estava.

Mas foi convidado e aceitou.

Remédio. Sou obrigado.

Por que é obrigado?

Porque é uma lei da freguesia que tem que ser.

Ficou bom. Se tem que ser, tem muita força.

Quem diz a verdade merece um castigo.





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