O forró é forte demais

O forró é forte demais


A quarta noite do São João do Governo do Estado, nesta segunda-feira, 22,no Pelourinho,reuniu nomes tradicionais do forró e abriu espaço para discussões sobre a valorização da cultura nordestina e o cenário atual das festas juninas na Bahia.

Entre as atrações, o vocalista da banda Mastruz com Leite, Nerivaldo Bezerra, comentou o debate recente em torno das contratações de artistas para eventos juninos no estado, tema que vem sendo acompanhado pelo Ministério Público da Bahia (MPBA) e pelos Tribunais de Contas do Estado (TCE) e dos Municípios (TCM). As instituições analisaram valores de cachês em diferentes cidades baianas e fizeram recomendações a prefeituras, o que resultou em ajustes na programação de alguns municípios e cancelamentos pontuais de apresentações.

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A própria banda teve um show cancelado no “Arraiá do Juca 2026”, na cidade baiana de Pojuca.

Durante a passagem pelo Pelourinho, Nerivaldo destacou que o episódio não enfraquece o gênero.

“O forró é forte demais. Luiz Gonzaga deixou um legado maravilhoso para nós e a gente procura dar continuidade. Isso não atinge o forró, não. O que tem que fazer é inovar, trazer a juventude para o forró. Tem espaço para todo mundo. E, claro, defender o nosso forró, porque Mastruz é Mastruz”, afirmou.

Diversidade

Também presente como uma das atrações de peso no Pelourinho, a banda Falamansa, apesar de não comentar sobre os pagamentos dos cachês, defendeu a diversidade cultural e criticou a concentração das festas em apenas um período.

“O movimento junino cresce cada vez mais, mas a gente não pode deixar essa cultura morrer. E como não deixa morrer? Fomentando ela o ano inteiro, não só no mês de junho […] Somos um país plural, e isso precisa coexistir. Já imaginou no carnaval dizer que não pode ter forró? Nunca ninguém pensou nisso. O caminho é o contrário: é fomentar o ano inteiro”, comentou o vocalista da banda, Tato.

Falamensa foi uma das atrações na noite desta segunda-feira no Pelourinho
Falamensa foi uma das atrações na noite desta segunda-feira no Pelourinho – Foto: Uendel Galter/ Ag A TARDE

Para ele, o crescimento do movimento junino deve vir acompanhado de investimento contínuo na cultura. Além disso, o artista criticou a ideia de restrição de estilos em grandes eventos.

“A gente tem que ser contente no que é. Quando a gente é, fica tranquilo com a gente mesmo. Onde quiserem a gente, a gente vai”, afirmou.





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