O entretenimento chegou com Matheus pronto a surfar a onda – Observador

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Novo ano, novo Mundial e a mesma ideia: o célebre conceito do “joga bonito” parece pertencer ao passado. A chegada de Carlo Ancelotti ao comando técnico do Brasil trouxe grande expetativa em torno da nação brasileira, que passou a acreditar mais que nunca na conquista do hexa na digressão pela América do Norte. Contudo, a estreia voltou a colocar a canarinha com os pés bem assentes no chão. Frente à difícil seleção de Marrocos, o Brasil não conseguiu ir além do empate num jogo em que teve de correr atrás do resultado e em que a exibição esteve longe de ser positiva (1-1). Ainda assim, o cenário estava longe de ser grave, dado que foi apenas a primeira jornada da fase de grupos e que até o terceiro classificado pode chegar à fase a eliminar. Por outro lado, seguia-se o Haiti, a formação mais frágil do grupo C.
Se é mesmo para ser por eles terá de ser muito mais do que isto (a crónica do Brasil-Marrocos)
“Vamos fazer alguma mudança. Temos alguns jogadores mais frescos que outros. Temos que melhorar no equilíbrio e na qualidade do jogo. Acho que temos qualidade para fazermos um jogo com mais entretenimento. Temos jogadores de qualidade, fortes e potentes. O pensamento comum é que podemos e temos que fazer melhor. Endrick? Pessoalmente considero-o um talento extraordinário e o Brasil vai aproveitar as suas qualidades neste e no próximo Campeonato do Mundo. Ele é paciente, não tem pressa. É muito maduro para a idade, o que é um aspeto importante. Tem a família perto dele, isso é importante para um jovem. Vai jogar no momento correto. Tem que esperar um pouco, mas será importante. O jogo contra a Escócia foi muito equilibrado e o Haiti mostrou qualidade”, explicou o experiente treinador italiano, que continuou sem Neymar disponível.
Para o segundo jogo do Mundial, Carlo Ancelotti fez apenas duas alterações, com Danilo e Matheus Cunha a entrarem para os lugares que foram de Roger Ibañez e Igor Thiago. Já Sébastien Migné optou por reforçar a linha defensiva com um quinto elemento, no caso Jean-Kévin Duverne, que rendeu Louicius Deedson. Já Josué Casimir entrou para o lugar que foi de Wilson Isidor diante da Escócia. Yassin Fortuné, do Vizela, voltou a começar no banco de suplentes. Em Filadélfia, o Brasil teve uma entrada afirmativa, a mostrar um processo ofensivo com mais qualidade com a passagem de Raphinha para o corredor direito, mas o Haiti não se ficou e entrou com uma postura destemida e sem medo de trocar a bola.
FORAM DOIS FORA DE JOGO E UM GOLO DO BRASIL! ????⚽️ pic.twitter.com/RfmAlybLps
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Depois de duas boas oportunidades do avançado do Barcelona em fora de jogo, uma delas a culminar em golo, a canarinha desfez o nulo num lance ao estilo de Vinicius Júnior, que recebeu à entrada da área, ultrapassou os adversários, puxou para dentro e desferiu um remate cruzado para defesa incompleta de Johnny Placide, a bola sobrou para a frente e, quando tentava cortar, Hannes Delcroix atirou contra o pé de Matheus, que faturou com alguma sorte à mistura (23′). Já para lá da pausa para hidratação, o Brasil voltou a aproveitar em velocidade, com Vini a conduzir em campo aberto e a soltar na altura certa para a diagonal de dentro para fora de Matheus Cunha que, depois de receber, entrou na área e desferiu um grande remate, de baixo para cima, com a bola a entrar no ângulo superior mais próximo (36′). Pela segunda vez, o ponta de lança fez o festejo surfista, em homenagem ao amigo Italo Ferreira, que é um dos maiores nomes do surf brasileiro.
CUNHA IMPARÁVEL A BISAR ⚽️???? pic.twitter.com/TyEPaX8R5p
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Logo a seguir ao 2-0, Raphinha agachou-se no relvado com queixas físicas e teve de ser substituído por Rayan. Já no tempo de compensação da primeira parte, Lucas Paquetá isolou Vini com um grande passe para as costas da defesa, com o avançado do Real Madrid a desferir um remate colocado e rasteiro para o terceiro (45+3′). Ao intervalo, Dominique Simon e Wilson Isidor entraram no Haiti, que mudou o esquema tático para o 4x4x2. Já com Deedson em campo, o Haiti esteve perto do golo, com Alisson Becker a fazer uma grande defesa após cabeceamento de Ricardo Adé (63′). Depois desse lance, Ancelotti estreou Endrick em Mundiais e lançou ainda Gabriel Martinelli no ataque, numa altura em que a sua equipa estava a controlar o jogo, seguindo-se a entrada de Lenny Joseph. Já na reta final do jogo, Rayan serviu Douglas Santos que, já dentro da área, atirou para fora (76′). Ainda houve tempo para Danilo Santos, Éderson Silva e Derrick Etienne Jr. entrarem, e para Alisson continuar a brilhar, travando o remate de Isidor (87′). A fechar, Éderson falhou em cima da baliza, que estava praticamente aberta (90+1′) e o guarda-redes do Liverpool voou para travar o remate de longe de Simon (90+3′).
AÍ ESTÁ O CRAQUE VINI JR. A ENTRAR NA FESTA TAMBÉM!! ⚽️ pic.twitter.com/G2HShSWqYd
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- Foi desta que Carlo Ancelotti resolveu os problemas na frente de ataque? Para já, sim. Depois de ter testado Igor Thiago frente a Marrocos, o selecionador brasileiro lançou Matheus Cunha frente ao Haiti e a aposta não podia ter sido mais certeira. Com muita mobilidade e boas rotinas com os colegas de ataque, o avançado do Man. United bisou e resolveu o jogo em apenas 13 minutos, tendo criado muitas dificuldades à defesa haitiana. Curiosamente, nesse mesmo período de 13 minutos fez mais golos do que nas 24 internacionalizações anteriores — tinha apenas um.
Matheus Cunha surfed his way to a FIFA World Cup brace ???????? pic.twitter.com/ebFfQsNb5Z
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- Uma vez mais, Vinicius Júnior foi o abono de família do ataque brasileiro. Depois de ter faturado frente aos marroquinos, o extremo do Real Madrid voltou a fazer o gosto ao pé frente ao Haiti, sentenciando um jogo que já estava praticamente resolvido. Apesar de partir, muitas vezes, de um posicionamento mais interior, é com movimentos para a ala esquerda que Vini promete continuar a criar estragos. Para já está a resultar e o momento de forma é positivo.
Vini Jr. ???? Brasil
Se liga nos números do camisa 7 com a seleção brasileira! #CopaNaGlobo #ge2026 #futebol #numeros #TáLiberadoAcreditar #brasil pic.twitter.com/tZsPf5YQqH
— ge (@geglobo) June 20, 2026
- Esta vitória deixou o Brasil praticamente apurado para os 16 avos de final, precisando de apenas empatar frente à Escócia para garantir os dois primeiros lugares do grupo C. Ainda assim, o objetivo da equipa de Carlo Ancelotti é terminar no primeiro lugar e, para isso, os golos podem ser decisivos, por conta da igualdade pontual com Marrocos. Para já, os brasileiros têm mais dois golos, mas os marroquinos sabem o que precisam de fazer frente ao Haiti, que é último sem qualquer ponto e é a primeira seleção eliminada do Mundial-2026.
???? ????????????: Standings in Group C after the 2nd round of the World Cup!
BRAZIL ARE TOP OF THE GROUP! ???????????? pic.twitter.com/2KieVvmtV2
— The Touchline | ???? (@TouchlineX) June 20, 2026
- Ao contrário do que seria de esperar, até por conta das mudanças pré-jogo feitas por Sébastien Migné, o Haiti entrou com uma postura pouco conservadora, procurando jogar circular no meio-campo do Brasil e levar a bola até à baliza de Alisson Becker. Contudo, acabou por ser por aí que os grenadiers perderam o controlo do jogo depois da pausa para hidratação e descambaram até ao intervalo. É certo que o Brasil tem muita qualidade com bola e no ataque, mas também é certo que soube aproveitar o espaço concedido pelo Haiti, principalmente nas costas do setor mais recuado. Na segunda parte, os haitianos voltaram a crescer e podiam perfeitamente ter reduzido as contas, não fosse a prestação de Alisson.
