O dado que explica por que o feminicídio continua crescendo no Brasil

O dado que explica por que o feminicídio continua crescendo no Brasil



O recorde de feminicídios registrado no Brasil em 2025 é precedido por uma sucessão de episódios de violência que, na maior parte dos casos, já haviam chegado ao conhecimento das autoridades. Segundo dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, apresentados pela gerente de Relações Institucionais do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Juliana Martins, no programa VEJA em Foco, para cada mulher assassinada no país foram registrados cerca de 500 casos de ameaça e 182 ocorrências de lesão corporal. Para a especialista, esses números ajudam a explicar por que o feminicídio continua crescendo e mostram que a morte costuma ser o desfecho de um ciclo de violência que poderia ser interrompido. (este texto é um resumo do vídeo acima)

O que os números revelam?

Na avaliação de Juliana Martins, o feminicídio raramente acontece de forma inesperada. Antes do assassinato, normalmente há uma sequência de agressões que vai se agravando ao longo do tempo. Ameaças, violência física, perseguições e até o descumprimento de medidas protetivas aparecem repetidamente nos registros policiais antes que a violência alcance seu estágio mais extremo.

Segundo a especialista, os dados do Anuário mostram justamente esse percurso. “Para cada feminicídio registrado no país, a gente teve 500 ameaças registradas, 182 agressões físicas registradas, registros de perseguição e descumprimento de medidas protetivas”, afirmou durante a entrevista.

Por que esse dado chama atenção?

Para Juliana, o levantamento demonstra que o Estado, na maior parte das vezes, já conhecia sinais claros de que aquelas mulheres estavam em situação de risco. Em vez de um crime repentino, o feminicídio costuma ser precedido por diversos episódios que mobilizam o sistema de segurança pública e poderiam servir de alerta para uma atuação mais eficaz.

“Foram tantos sinais antes do feminicídio que a gente poderia e deveria ter interrompido esse ciclo da violência e salvado a vida dessas mulheres”, afirmou.

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Na avaliação da gerente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, esse conjunto de indicadores torna difícil atribuir o crescimento dos feminicídios apenas à melhora na classificação dos crimes. Embora reconheça que os registros evoluíram desde a criação da tipificação do feminicídio, ela sustenta que o aumento simultâneo das ameaças, das agressões e das demais formas de violência mostra que o problema vai além das estatísticas.

O que esses indicadores dizem sobre a violência contra a mulher?

Segundo Juliana Martins, o principal recado do Anuário é que o feminicídio representa o último estágio de uma violência que normalmente já vinha sendo praticada havia meses ou até anos. Cada boletim de ocorrência, cada denúncia e cada medida protetiva descumprida funcionam como sinais de uma escalada que nem sempre é interrompida a tempo.

Por isso, ela defende que acompanhar esses indicadores é tão importante quanto contabilizar os assassinatos. Para a especialista, reduzir o número de feminicídios depende da capacidade do Estado de agir antes que o ciclo de violência alcance seu desfecho mais grave. “O feminicídio é uma morte evitável”, resumiu. “A gente precisa monitorar esses indicadores e entender que este é um problema muito grave no nosso país.”

VEJA+IA: Este texto resume um trecho do telejornal VEJA em Foco (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.



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