Nikolas Ferreira debocha de assassinatos de pessoas LGBT em MG
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- Deputado federal Nikolas Ferreira (PL), apoiador de Flávio Bolsonaro, ironizou no X notícia de que Minas Gerais lidera homicídios de pessoas LGBTQIAPN+ no Brasil.
- Comentou “Já já estão colocando a culpa em mim kkkk” ao reagir ao dado divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
- O 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, publicado em 23 de julho, apontou 31 assassinatos de LGBTQIAPN+ em Minas em 2025, 55 % a mais que em 2024.
- Minas superou Pernambuco (24 mortes), Ceará (23), Pará (16) e Bahia (15), ficando em primeiro lugar nacional de violência contra a população LGBTQIAPN+.
Apoiador da candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), o deputado federal Nikolas Ferreira (PL) debochou de uma notícia sobre o fato de o estado de Minas Gerais liderar o ranking de assassinatos de pessoas LGBT no Brasil.
Condenado mais de uma vez pelo crime de transfobia, Nikolas Ferreira debochou de uma publicação no X que divulgava a seguinte matéria: “Minas Gerais lidera número de assassinatos de pessoas LGBTQIAPN+ no país, aponta anuário”.
De maneira irônica, mas também desumana, o deputado, que se diz cristão, deixou o seguinte comentário na publicação:
“Já já estão colocando a culpa em mim kkkk.”
Reprodução
Minas Gerais lidera mortes de LGBTQIAPN+ no Brasil com aumento de 55% em um ano
Minas Gerais registrou 31 assassinatos de pessoas LGBTQIAPN+ em 2025, um salto de 55% sobre os 20 casos contabilizados em 2024. O dado, extraído do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira (23) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, coloca o estado na liderança nacional absoluta de homicídios contra essa população.
O resultado deixou para trás estados historicamente associados a altos índices de violência contra pessoas LGBTQIAPN+. Pernambuco ficou em segundo lugar, com 24 mortes, seguido por Ceará (23), Pará (16) e Bahia (15). Minas não apenas liderou o ranking: cresceu em ritmo mais acelerado do que qualquer um dos demais estados do grupo, o que torna o salto ainda mais preocupante quando visto em perspectiva comparada.
Aumento de agressões e ocorrências de homofobia/transfobia
Os assassinatos não são o único indicador em alta. As agressões físicas contra pessoas LGBTQIAPN+ em Minas Gerais cresceram 23,3% entre 2024 e 2025, passando de 537 para 662 registros de lesão corporal, segundo o mesmo anuário. O volume coloca o estado na terceira posição nacional nesse indicador, atrás do Rio Grande do Sul, com 975 ocorrências, e de Pernambuco, com 695.
O crescimento mais expressivo, porém, veio nas ocorrências de homofobia e transfobia tipificadas como crime. Desde 2019, quando o Supremo Tribunal Federal equiparou essas condutas ao crime de racismo, os registros passaram a ter enquadramento legal próprio. Em Minas, os casos saltaram de 15 em 2024 para 40 em 2025, alta de 166,7%. O número ainda é baixo em termos absolutos, o que pode refletir tanto o avanço das denúncias quanto a enorme subnotificação histórica desse tipo de violência.
