Mudança na norma ameaça receita tradicional da Linguiça Blumenau

Mudança na norma ameaça receita tradicional da Linguiça Blumenau


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  • A Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (SAR) publicou a Portaria SAR nº 14/2026 no Diário Oficial de Santa Catarina, alterando as normas da Linguiça Blumenau.
  • A nova norma fixa o teor máximo de gordura em 30 %, abaixo dos 42 % permitidos pela receita tradicional do Vale do Itajaí.
  • Também foram reduzidos os limites de umidade (máx 55 %) e de cálcio em base seca (máx 0,1 %).
  • Produtores alertam risco de prejuízos econômicos e perda da identidade cultural, após a recente concessão de Indicação Geográfica pelo INPI.

A Linguiça Blumenau é um dos maiores símbolos da cultura gastronômica de Santa Catarina e está correndo risco de ser descaracterizada. Isso por conta da publicação da Portaria SAR nº 14/2026 pela Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (SAR), no Diário Oficial do Estado, que trouxe mudanças profundas nas Normas Internas Regulamentadoras da famosa Linguiça Blumenau.

A nova portaria modificou a redação da regra anterior (Portaria SAR nº 23/2020), estabelecendo que o embutido passe a ter um teto máximo de 30% de gordura em sua composição. Até então, a receita tradicional produzida há gerações pelas famílias de imigrantes na região do Vale do Itajaí permitia um índice de até 42% de gordura. O texto também atualizou os tetos para a umidade (máximo de 55%) e para o cálcio em base seca (máximo de 0,1%).

Mas é a redução brusca do teor de gordura que tira o sono dos produtores. Especialistas e fabricantes apontam que a gordura é um elemento fundamental para garantir a suculência, a textura macia, a cura adequada e o sabor defumado característico que consagraram a Linguiça Blumenau no mercado nacional.

O impacto econômico e cultural preocupa o setor, especialmente porque o produto conquistou recentemente o selo de Indicação Geográfica (IG) pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), que protege justamente o saber-fazer e o vínculo histórico da receita com a sua região de origem.

Para defensores da tradição e parlamentares locais que já se mobilizam contra a medida, uma alteração forçada por burocracias técnicas desfigura a identidade de um patrimônio gastronômico e ameaça as vendas, já que o consumidor final busca o produto justamente pelo perfil sensorial clássico.

Outros embutidos no radar das adequações

Embora a Linguiça Blumenau seja o foco da Portaria SAR nº 14/2026 por possuir uma norma regulamentadora estadual exclusiva específica, a pressão por adequação aos padrões de identidade e qualidade (PIQs) do Governo Federal atinge diretamente a indústria de embutidos e defumados como um todo.

Produtos artesanais e regionais que dependem do Serviço de Inspeção Estadual (SIE) para comercialização (como outros tipos de linguiças coloniais salgadas e desidratadas, salames e copas) passam por constantes revisões e vistorias para harmonização com as regras do Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (SISBI-POA) e do MAPA.




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