Monark não defendeu o nazismo – 03/05/2026 – Lygia Maria

Monark não defendeu o nazismo – 03/05/2026 – Lygia Maria


Em fevereiro de 2022, num debate sobre liberdade de expressão no podcast Flow, o influenciador Bruno Monteiro Aiub, conhecido como Monark, disse que “o nazismo é errado, é do demônio” e que: “A esquerda radical tem muito mais espaço que a direita radical. As duas tinham que ter espaço, na minha opinião. Eu acho que o nazista tinha que ter o partido nazista reconhecido pela lei”.

Resta claro que Monark defendeu a liberdade de manifestação política de nazistas, não o nazismo. Trata-se de interpretação básica de texto que qualquer aluno do ensino médio deveria dominar. Mesmo assim, à época, criou-se um escarcéu porque a fala foi considerada antissemita —por pessoas que, pelo visto, não seriam aprovadas no Enem.

Até o Ministério Público de São Paulo entrou na onda e, em 2024, ingressou com ação civil pública em que pede a condenação de Monark por discurso antissemita e indenização de R$ 4 milhões.

Em 31 de março deste ano, o promotor Marcelo Ramos —que assumira o cargo provisoriamente no dia 27— solicitou ao juiz a improcedência da ação, alegando o óbvio: as falas se enquadram na defesa da liberdade de expressão, e não do ideário nazista. Ramos ficaria no posto até 30 de abril, mas, no mesmo dia 31, Ricardo Manuel Castro foi designado para o posto. No dia 15 de abril, Castro pediu ao juiz que desconsiderasse a manifestação anterior.

Tal sucessão de fatos seria capaz de ensejar suspeita de violação do princípio do promotor natural, que impede designações casuísticas de promotores, sem critérios objetivos claros.

Acima de tudo, a ação contra Monark escancara a incapacidade de aceitar que, em democracias liberais, leis podem ser criticadas pelos cidadãos, que nem tudo o que é imoral deve ser criminalizado e, principalmente, que a defesa da liberdade de dizer não implica a defesa do que é dito —ora, apoiar a legalização das drogas não significa exaltar ou incitar o consumo de drogas.

Se nem o Ministério Público consegue entender isso, então é sinal de que o autoritarismo e a irracionalidade dominaram o debate público brasileiro.


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