Mísseis hipersônicos e caças de 4ª geração: o acordo bilionário de potências da Ásia para cooperação militar

Mísseis hipersônicos e caças de 4ª geração: o acordo bilionário de potências da Ásia para cooperação militar


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  • Índia e Vietnã assinam acordo para integrar o míssil supersônico BrahMos à força aérea vietnamita, junto aos caças Su‑30MK2.
  • O pacto vem após a concessão de linha de crédito indiana para a compra de equipamentos de defesa pelo Vietnã, dentro da Parceria Estratégica Abrangente Aprimorada.
  • O BrahMos, desenvolvido pela DRDO da Índia e pela russa NPO Mashinostroyenia, atinge Mach 2,8‑3 e pode ser lançado de plataformas terrestres, navais e aéreas.
  • A iniciativa reforça a política Act East de Nova Déli, visando estreitar laços com a ASEAN e equilibrar a presença chinesa no Indo‑Pacífico.

Após o reforço de sua parceria industrial e militar, com o estabelecimento de uma linha de crédito concedida pela Índia para a aquisição de equipamentos de defesa por parte do Vietnã no âmbito de uma Parceria Estratégica Abrangente Aprimorada, os dois países do Indo-Pacífico acordaram o compartilhamento do sistema de mísseis indiano BrahMos, que será integrado à força aérea vietnamita junto aos caças Su-30MK2, de fabricação russo-chinesa.

O BrahMos, desenvolvido pela Organização de Pesquisa e Desenvolvimento de Defesa da Índia (DRDO) e pela empresa russa NPO Mashinostroyenia, é um míssil supersônico lançado a partir de plataformas terrestres, navais e aéreas, concebido para ataques de precisão. Ele deriva diretamente do míssil soviético P-800 Oniks, desenvolvido durante a Guerra Fria para neutralizar grupos de porta-aviões da OTAN.

O sistema é considerado um dos principais ativos estratégicos da indústria de defesa indiana devido à sua elevada velocidade, estimada entre Mach 2,8 e Mach 3 — quase três vezes a velocidade do som.

Agora, ele será integrado aos caças Su-30MK2 para ampliar a capacidade de ataque do Vietnã contra alvos marítimos e terrestres, em uma estratégia de cooperação alinhada à política externa indiana para a região do Mar do Sul da China e para os países da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN).

O Act East, política de coordenação da Índia para o sul asiático, foi estruturado para funcionar como um contrapeso à presença chinesa no Indo-Pacífico, “desenvolvendo infraestrutura física e digital para conectar o nordeste da Índia às nações da ASEAN”, afirma o governo indiano.

A política já foi responsável pelo financiamento da Rodovia Trilateral, que liga Índia, Mianmar e Tailândia a fim de fortalecer os laços comerciais entre os países, além do Projeto de Transporte de Trânsito Multimodal Kaladan, rota que conecta regiões isoladas da Índia Oriental a Mianmar em etapas marítimas, fluviais e rodoviárias, como acesso alternativo ao estreito de Siliguri.

Na cooperação com o Vietnã, Nova Déli, que já se consolida como uma das maiores exportadoras globais de produtos militares, impulsiona a política industrial Atmanirbhar Bharat, voltada à redução da dependência estrangeira na área militar.

Segundo fontes ligadas ao programa BrahMos, o índice de componentes produzidos internamente pela Índia já alcançou cerca de 83% em 2025, com meta de atingir 85% em 2026 e entre 90% e 95% nos próximos anos.

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A comercialização do sistema de maneira direta com um aliado regional evita as pressões diplomáticas e as sanções ocidentais associadas à Rússia, desenvolvedora original dos sistemas, e segue a mesma lógica do contrato firmado com as Filipinas — primeiro cliente internacional do BrahMos — em 2022, no valor de aproximadamente US$ 375 milhões.

Fontes militares afirmam que o país agora negocia o fornecimento dos mísseis com a Indonésia.

No caso do Vietnã, o país dependia tradicionalmente da importação de armamentos russos, e sua força aérea é formada pelos caças Su-27 e Su-30, submarinos Kilo e sistemas costeiros Bastion equipados com os mísseis russos P-800 Oniks, que inspiraram o BrahMos.

Apesar disso, os Su-30MK2 vietnamitas pertencem a uma variante diferente daquela operada pela Índia. Enquanto os Su-30MKI indianos foram produzidos pela fábrica russa de Irkutsk e incorporam extensa customização tecnológica indiana, os MK2 foram desenvolvidos na planta de Komsomolsk-on-Amur, com foco em exportação e menor custo operacional.

Isso significa que a integração do armamento supersônico aos caças Su-30MK2 vietnamitas deverá exigir modernizações técnicas nos equipamentos.

As bases do acordo com a Índia já incluem uma série de melhorias inspiradas no programa realizado nos Su-30MKI da Força Aérea Indiana, experiência que deve servir como modelo para o Vietnã, cujos Su-30MK2 possuem aviônicos relativamente antigos, desenvolvidos no início dos anos 2000.

Com o BrahMos, os Su-30 poderão atingir embarcações a centenas de quilômetros de distância em velocidade supersônica, o que reduz drasticamente o tempo de reação das defesas inimigas. As aeronaves incorporam o princípio da negação de acesso (conhecido como A2/AD), no qual se impedem ou dificultam as operações inimigas em determinada região marítima.

A intenção é que o país opere, junto à Índia, um “arco de dissuasão” ao longo de sua costa e nas áreas próximas às ilhas disputadas no Mar do Sul da China.

Além da entrega dos mísseis, o acordo inclui treinamento de pilotos vietnamitas por parte da Índia, suporte técnico para os sistemas e compartilhamento de tecnologias operacionais, embora com limitações de know-how.




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