Milei desgasta agenda econômica ao confrontar Lula, diz especialista

Milei desgasta agenda econômica ao confrontar Lula, diz especialista


A crise diplomática entre o presidente argentino, Javier Milei, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai além de uma simples troca de ofensas. Para o cientista político e diretor da Dominium, Leandro Gabiati, ao WW, o comportamento de Milei reflete uma estratégia típica de líderes populistas, que governam a partir do conflito e do confronto ideológico.

Gabiati analisou os bastidores da disputa entre os dois líderes e destacou que a política externa de Milei está sendo colocada a serviço de objetivos internos.

Confronto como estratégia política

Segundo Gabiati, assim como Lula adota o discurso do “nós contra eles” e o presidente americano, Donald Trump, incentiva o confronto, Milei também lidera a partir do conflito.

“Milei fala principalmente para o cidadão argentino, para o eleitor argentino”, afirmou o especialista.

Para ele, ao se colocar à altura de Lula — referência da esquerda na América do Sul —, Milei busca consolidar sua imagem como líder regional e global da direita, processo do qual faz parte seu apoio a Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Desgaste econômico interno

Gabiati ressaltou que Milei enfrenta um desgaste local decorrente de uma realidade econômica dura. Apesar de estar equilibrando a inflação e as contas públicas, esse processo tem um custo político considerável.

“Exaltar esse confronto serve para eventualmente colocar de lado essa agenda econômica negativa e exaltar o discurso mais ideológico, que é onde Milei se movimenta muito bem”, explicou o analista.

O especialista também destacou que Milei sinaliza, de forma implícita, que a diplomacia tradicional estaria obsoleta. Na visão do argentino, um chefe de Estado pode adotar uma linguagem “heterodoxa” sem sofrer custos políticos por isso.

O Brasil, por sua vez, adotou uma posição ortodoxa e tomou as medidas diplomáticas cabíveis. Gabiati mencionou ainda que Diego Santilli, chefe de gabinete de Javier Milei, chefe de gabinete argentino — cargo equivalente ao de ministro da Casa Civil no Brasil —, tentou amenizar o impacto do atrito diplomático entre os dois países.



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