Milei debocha de Lula em nova provocação: “Fracassado”
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- Presidente da Argentina, Javier Milei, compartilhou texto de Flávio Bolsonaro que rotula Lula como “projeto fracassado”.
- Flávio Bolsonaro, candidato do PL, declara intenção de se alinhar a Milei e a Donald Trump para tirar o PT do governo federal.
- O discurso afirma que, a partir de 2027, o Brasil deixará de ser “adversário ideológico” e reconectará laços com Argentina, Paraguai, EUA e outras nações.
- A mensagem, dirigida a Milei, culpa a crise ao governo de Lula e promete paz e prosperidade para os povos.
O presidente da Argentina, Javier Milei, dobrou a aposta e voltou a provocar o Palácio do Planalto ao compartilhar um texto do presidenciável Flávio Bolsonaro, no qual o candidato do PL afirma que Lula representa “um projeto fracassado”.
Na publicação compartilhada por Milei, Flávio Bolsonaro se dirige diretamente ao presidente argentino e deixa claro que pretende se alinhar a ele e a Donald Trump na tentativa de derrotar Lula e retirar o Partido dos Trabalhadores do governo federal:
“O próximo país a se libertar desse projeto fracassado será o Brasil. A partir de 2027, voltaremos a tratar nossos vizinhos como sócios, não como adversários ideológicos, e reconstruiremos as pontes com a Argentina, Paraguai, Estados Unidos e todas as nações livres do continente. Ao povo argentino, e em especial ao presidente Milei, meu estimado amigo, deixo uma mensagem: essa crise não é entre nossas nações — é obra de um governo em sua etapa final. Haverá paz e prosperidade para nossos povos.”
A reação do governo Milei após Lula dispensar embaixador argentino e rebaixar relação diplomática
O governo do presidente argentino Javier Milei reagiu ao rebaixamento das relações diplomáticas anunciado pelo Brasil e à decisão de solicitar o retorno do embaixador Daniel Raimondi a Buenos Aires. Em comunicado oficial, a chancelaria argentina afirmou que “toma nota” da medida adotada pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e acusou o Brasil de se isolar regionalmente por razões ideológicas.
Segundo a nota, Raimondi foi convocado pelo ministro das Relações Exteriores do Brasil e informado de que a representação diplomática entre os dois países seria reduzida ao nível de encarregados de negócios. O embaixador também recebeu a solicitação para retornar à Argentina.
“A República Argentina toma nota da decisão adotada unilateralmente pelo governo da República Federativa do Brasil e lamenta sua decisão de continuar se isolando do restante da região por questões puramente ideológicas”, declarou a chancelaria argentina.
Governo Milei diz que não responderá com medida institucional
No comunicado, o governo Milei afirmou que, nos últimos anos, ocorreram diversos episódios envolvendo declarações e manifestações de apoio político entre dirigentes dos dois países.
A chancelaria argumentou, porém, que a Argentina teria escolhido não transformar essas divergências em incidentes diplomáticos.
“Em todos esses casos, sem exceção, a Argentina escolheu não convertê-los em um incidente diplomático. Nunca respondemos a uma diferença política com uma medida institucional. Esse é o critério que a Argentina mantém hoje”, diz a nota.
O governo argentino também afirmou que as relações entre os países devem atender aos interesses permanentes de suas populações, e não às necessidades políticas ou pessoais dos governantes.
“A República Argentina reafirma que as relações entre os Estados devem responder aos interesses permanentes de seus povos e não ficar submetidas às necessidades políticas e/ou pessoais dos governantes de turno”, declarou.
A nota termina afirmando que a política externa argentina continuará orientada pela “defesa do interesse nacional, da soberania e do mandato conferido pelo povo argentino”.
Brasil rebaixou relação após ataques de Milei
O governo brasileiro decidiu rebaixar a relação diplomática com a Argentina para o nível de encarregados de negócios após uma série de ataques de Javier Milei contra Lula e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
Durante a Convenção Nacional do Partido Liberal, realizada em São Paulo em 26 de julho, Milei chamou Lula de “ladrão” e “presidiário” e se referiu a Moraes como “lixo careca”. As declarações foram feitas durante o lançamento da candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro.
No dia seguinte, o Itamaraty chamou para consultas o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli. O diplomata permanecerá em Brasília e não retornará ao posto enquanto persistir a crise provocada pelas declarações do presidente argentino.
A embaixada brasileira na Argentina passará a ser comandada pelo ministro-conselheiro Eduardo Uziel, na condição de encarregado de negócios.
O rebaixamento representa uma grave sinalização de insatisfação diplomática. Nesse nível de representação, os países deixam de manter embaixadores como seus principais interlocutores e passam a conduzir as relações bilaterais por meio de diplomatas de escalão inferior.
