Miguel Queiroz e o título que regressou ao Dragão: «É um peso muito grande que me sai de cima» – Basquetebol Portugal

Miguel Queiroz e o título que regressou ao Dragão: «É um peso muito grande que me sai de cima» – Basquetebol Portugal




O poste Miguel Queiroz não se
cansou de tecer elogios ao espírito de compromisso que todos os companheiros de equipa patentearam
durante o playoff, mas também assumiu o suspiro de alívio proporcionado pela conquista
de um título que chegou a ser improvável por força da irregularidade do FC
Porto na parte inicial da temporada.


“ Quem nasce torto nunca se
endireita é um provérbio que temos, definitivamente, de alterar. Esta equipa começou
mal, mas mostrou muito carácter e deu a volta por cima. Sofremos derrotas muito
complicadas, nomeadamente contra as duas equipas que desceram de divisão, mas tivemos
o discernimento de perceber o que estava mal, colocar o ego de lado e dar a
volta por cima. É uma grande vitória de todo o coletivo. Fizemos um trabalho incansável
e realizámos uns playoff brilhantes”, comentou o capitão portista, para logo de
seguida reconhecer o desafogo que o triunfo ante o Benfica proporcionou: “É a minha maior vitória. Quando vim para o FC Porto tive o desafio de fazer
regressar ao clube ao principal escalão e voltar a ser campeão. Cheguei, vi e
vencemos. Nos primeiros dois anos fomos campeões na Pro-liga e na Liga, mas
depois aconteceu o hiato de 10 anos onde não consegui voltar a ser campeão.
Nesse período o estímulo era, a cada ano que não ganhava, perceber onde podia
melhorar para ajudar a equipa a vencer. Fui guardando todas as pedras na minha
bagagem e hoje é um peso muito grande que me sai de cima porque é a primeira
taça de campeão que levanto como capitão. Vou tirar as pedras todas da mochila,
mas elas vão ficar guardadas na prateleira para nunca me esquecer de todos os
anos em que me obriguei a ser melhor para ajudar a equipa”.


Retrospectiva em jeito de reflexão
também pelo contexto familiar inerente, contudo, sem implicações na vontade de
continuar a ajudar o FC Porto a trilhar novas conquistas. Aos 34 anos, mantém-se fiel ao clube onde está desde 213/14, quando chegou ao Dragon Force.


“A última vez que a minha mãe me
viu a jogar uma final ao vivo eu abracei-a e choramos os dois depois da derrota
com o Benfica. Prometi-lhe que ia voltar a ver-me a ser campeão. Infelizmente
não foi possível, mas tenho a certeza que ela agora está junto do meu avô a
comer umas lulas à algarvia e a beber uma sangria cheia de orgulho”, comentou
Miguel Queiroz, para logo de seguida dar corpo às suas ambições: “Antes de olhar
para o lado olhei sempre para mim e a satisfação é a de que todos os anos, ao
longo das últimas seis épocas, as pessoas diziam-me que tinha sido a minha melhor
época. Agora acredito que a melhor época ainda está por chegar, até porque há
muita coisa para fazer. Tenho 35 anos, mas acredito que ainda tenho muito para
dar”, justificou o capitão dos dragões, sem esconder que precisava de “descansar
mais um bocadinho” antes de iniciar os trabalhos da Seleção: “Daqui a uma
semana começa a Seleção e precisava de descansar mais, mas tenho a certeza que
vou arranjar maneira de estar pronto para ajudar Portugal”.


Benfica e coração


A ansiedade adjacente à conquista
do título e as várias cambalhotas no marcador que se verificaram no decisivo
jogo frente ao Benfica também mereceram especial atenção de Miguel Queiroz,
principalmente porque o poste não teve problemas em admitir que foi um jogo
onde houve mais emoção do que razão dos dois lados da barricada.


“O jogo 4 foi de muito coração de
ambos os lados. O Benfica jogou pela vida e nós também porque sabíamos que
tínhamos de fechar em casa. Por tudo isto foi um jogo de demasiada ansiedade.
Jogámos muito com o coração e não tanto com a cabeça”, confidenciou Miguel
Queiroz, admitindo que “este tipo de partidas são as mais difíceis de jogar”: “
Depois de ver o jogo com mais calma perceberei melhor, mas o que senti lá
dentro é que era quase cada um a querer ser o herói, a tentar resolver de
alguma maneira. Foi muito complicado porque sentíamos que tínhamos de fechar em
casa e do outro lado estava o Benfica a dar tudo para continuar a sobreviver”.





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