Mendonça decide deixar sociedade em instituto privado – 03/09/2026 – Mônica Bergamo
O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça decidiu deixar a sociedade do Instituto Iter, que fundou há dois anos para oferecer cursos jurídicos e de aperfeiçoamento profissional.
A instituição vai se transformar em uma entidade sem fins lucrativos.
Ele vai ceder a totalidade de suas cotas aos outros sócios, com a condição de que eventuais valores a elas relativos permaneçam integralmente destinados a fins sociais e educacionais.
O magistrado afirmou a interlocutores que tomou a decisão para “evitar ruídos”.
O Iter já havia virado alvo de questionamentos depois da revelação de que faturou R$ 4,8 milhões em contratos públicos em 2025, um ano depois de entrar em funcionamento.
Nesta quinta (3), a revista Fórum publicou que esse faturamento ultrapassou os R$ 10 milhões.
A instituição tem contratos com governos, prefeituras e empresas privadas, virou alvo de opositores de Mendonça, que apontam conflito de interesses e possível favorecimento da organização em contratos públicos sem licitação.
Mendonça contesta os números para interlocutores e disse também que nunca teve lucro com o instituto, que teria tido prejuízo em seu primeiro ano de funcionamento e pequeno lucro, de cerca de R$ 200 mil, no ano passado.
A assessoria do Iter afirma que a empresa nunca distribuiu lucros.
O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) já havia anunciado no ano passado, em vídeo publicado nas suas redes sociais, que parte dos lucros da empresa da qual sua família é sócia, o Instituto Iter, irá para o dízimo da igreja. O restante será destinado para obras sociais.
O instituto comercializa cursos do ministro e é especializado em conteúdos jurídicos. O jornal O Estado de S. Paulo noticiou em 2025 que a empresa faturou R$ 4,8 milhões em contratos públicos em pouco mais de um ano.
“Eu, a minha esposa, sob as bênçãos dos meus filhos, decidimos que a nossa parte do Instituto Iter será para a consagração de um altar a Deus. Tudo o que vier, possivelmente, a dar de lucro e resultado, eu vou separar 10% para o dízimo e os 90% restantes serão investidos em obras sociais e educação”, afirmou Mendonça, em vídeo publicado na quarta-feira passada (11).
A Folha revelou em janeiro que o Ministério da Educação do governo Lula (PT) autorizou o Instituto Iter a oferecer curso de pós-graduação lato sensu (especialização).
A medida, inédita, foi vista com surpresa por pessoas do setor, integrantes do MEC e conselheiros e ex-conselheiros de educação pela rapidez, a despeito de centenas de pedidos similares na fila.
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