Malafaia diz que Flávio Bolsonaro é inocente “porque não pegou grana na mão”

Malafaia diz que Flávio Bolsonaro é inocente “porque não pegou grana na mão”


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  • Pastor Silas Malafaia afirmou em vídeo que Flávio Bolsonaro não recebeu dinheiro pessoalmente, pois os recursos foram destinados a um fundo americano criado para financiar um filme.
  • Segundo o pastor, o dinheiro entrou diretamente no fundo nos EUA, evitando “nota fria” que poderia levar à prisão.
  • A declaração ocorre no auge do escândalo de corrupção envolvendo a fortuna de Daniel Vorcaro e investigação da Polícia Federal sobre a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro.
  • Malafaia criticou os “vazamentos seletivos” e tentou relativizar a origem dos recursos, sem apresentar evidências.

O pastor Silas Malafaia foi às redes sociais para desempenhar o seu já conhecido papel de blindagem da família Bolsonaro. Desta vez, o líder religioso gravou um vídeo nesta sexta-feira (15) para tentar livrar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) das graves suspeitas que o cercam no caso Banco Master. Para isso, Malafaia sacou uma linha de defesa que desafia a lógica jurídica e contábil básica: a de que o parlamentar é inocente pelo simples fato “de o dinheiro não ter passado pela mão dele”.

No vídeo, Malafaia esbravejou contra o que chamou de “vazamentos seletivos” e tentou relativizar o caminho do dinheiro, apegando-se à engenharia financeira internacional usada pelo clã para alegar uma suposta idoneidade do “zero um”.

“O Flávio não recebeu nenhuma grana pessoalmente. Foi criado um fundo americano exclusivo para captação de recursos para a produção desse filme. Não teve grana na mão do Flávio. O dinheiro foi direto para um fundo americano. E lá, meu filho, bota uma nota fria para ver se não vai para a cadeia. Não é fundo brasileiro, não. Não passou grana na mão do Flávio. Então, eu não vou fazer juízo de valor por vazamento seletivo porque eu sou vítima dessa droga. Vamos esperar a conclusão de tudo”, alegou o pastor.

A tese do líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo desconsidera o funcionamento do sistema financeiro moderno globalizado, onde grandes transações de propina ou caixa dois raramente ocorrem em malas de dinheiro viva, ou em depósitos na conta do titular, transformando a ausência do toque físico nas cédulas ou dos canhotos de depósito com CPF num atestado automático de moralidade.

O contexto do escândalo: a fortuna de Vorcaro e o cerco da PF

A ginástica retórica de Malafaia ocorre no momento mais dramático do escândalo transnacional que atinge a pré-candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro. Investigações da Polícia Federal, impulsionadas por revelações do site The Intercept Brasil, expuseram áudios gravados em setembro de 2025 nos quais o senador aparece cobrando aportes do banqueiro Daniel Vorcaro, então controlador do Banco Master.

Ao todo, Vorcaro injetou a assombrosa quantia de R$ 61 milhões no esquema. Oficialmente, o dinheiro deveria financiar “Dark Horse” (“Azarão”), uma produção chapa-branca hollywoodiana destinada a exaltar a trajetória de Jair Bolsonaro. Os repasses foram efetuados entre fevereiro e maio de 2025 por meio da empresa Entre Investimentos e Participações, de propriedade do banqueiro.

Contudo, o rastreamento financeiro da PF identificou que a verba bilionária foi canalizada para o Havengate Development Fund, um fundo privado de gestão de patrimônio com sede no Texas (EUA), administrado por Paulo Calixto, advogado de imigração de Eduardo Bolsonaro. A suspeita central dos investigadores é de que o filme operou como uma gigantesca fachada de lavagem de dinheiro, cujo real objetivo era burlar bloqueios judiciais impostos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no Brasil e custear a vida de alto padrão e o exílio de Eduardo em solo americano.

Para complicar a situação do clã, Daniel Vorcaro foi preso logo em seguida, acusado de capitanear uma fraude bilionária estimada em R$ 12 bilhões no Banco Master. Diante de um cenário em que as transferências bancárias e os áudios conectam diretamente o senador ao banqueiro fraudador, a tentativa de Malafaia de reduzir um crime de colarinho branco à necessidade de “grana viva na mão” ou de um depósito na conta com o nome e CPF do senador soou mais como desespero político do que como argumento técnico defensável.




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