«Kaique é um monstro… Sinto que possa superar o Rui Silva a curto ou médio prazo»

«Kaique é um monstro… Sinto que possa superar o Rui Silva a curto ou médio prazo»


Kaique Pereira é o mais recente reforço para a baliza do Sporting. Naquele que será o terceiro ano a jogar em Portugal – após passagens pelo Farense e o Nacional –, o Maisfutebol esteve à conversa com Carlos Silva, um dos rostos por trás da chegada do jogador ao futebol português.

Atualmente a trabalhar no scouting do Grêmio no Brasil, depois de ter passado também pelo Benfica, Carlos Silva recordou como foi o processo de descobrir e trazer Kaique para Portugal, assim como o que é possível esperar dele ao serviço dos leões.

Reconhecendo que «o mercado brasileiro é um mercado prioritário para as equipas» e que o campeonato brasileiro de sub-20 é fulcral dentro do projeto Farense, Carlos Silva apontou esta aposta estratégica como o ponto de partida para toda a história.

Na altura, ainda com 21 anos, o nome de Kaique começou a ganhar alguma sonância dentro do clube algarvio no final da temporada de 2023/24, quando Ricardo Velho foi considerado o melhor guarda-redes da Liga. Precavendo a sua saída, o jovem brasileiro surgiu como uma opção a acompanhar de perto.

«O Kaique era um guarda-redes que estava dentro das nossas listagens, estava bem identificado dentro da nossa equipa sombra», começou por dizer.

«Na altura, eu e o Zé Luís, que tomávamos conta da parte desportiva do clube, sugerimos então o nome ao Márcio Ramos, treinador de guarda-redes da época, e ao mister Zé Mota. O Kaique tornou-se rapidamente uma prioridade, pois ambos aprovaram a sua vinda, sempre numa ótica de ele ser o substituto natural do Ricardo, caso este saísse. Se o Ricardo ficasse, ficávamos com dois guarda-redes de nível elevadíssimo para a época que aí vinha», explicou.

O Farense e o Palmeiras chegaram a acordo, num negócio que Carlos Silva descreve como «bastante simples e tranquilo» e o jogador foi cedido aos algarvios na temporada 2024/25. 

«O Kaique veio já muito preparado para o Farense. Era guarda-redes de seleção de base do Brasil, já fazia parte da equipa principal do Palmeiras… já estava muito preparado para vir para a Europa e veio num patamar muito bom», frisou.

Perante a permanência do português, a chegada de Kaique traduziu-se em mais do que a contratação de um segundo guarda-redes. O jovem trouxe com ele uma competitividade extra para a posição.

«A luta pela baliza foi gigante. O Kaique fez o Ricardo crescer e foi, inclusive, nessa época que ele foi pela primeira vez convocado para a seleção nacional. Toda a gente sentia que a competitividade estava muito alta e que o Kaique estava num patamar muito próximo do Ricardo».

Passando grande parte da temporada como suplente, Kaique somou os primeiros minutos na equipa principal no final da época, fruto de uma lesão de Ricardo Velho – foram seis jogos.

«Aí carimbou, em contexto de jogo, aquilo que perspetivávamos para ele… Um guarda-redes claramente de outros patamares», recordou.

Do Algarve, o guarda-redes voou para a Madeira, foi novamente emprestado, desta vez, ao Nacional, onde rapidamente assumiu a titularidade na baliza. Depois de uma época na ilha voltou para o Brasil e segue-se agora uma nova aventura em Alvalade.

Perfil de Kaique Pereira

Com experiência em Portugal em clubes cujo o objetivo é a luta pela manutenção, a grande pergunta é o que se pode esperar de Kaique Pereira no Sporting.

«Para a sua envergadura física, o Kaique é extremamente ágil e rápido. É um guarda-redes com um excelente alcance de poste a poste e, por isso, tem um grande raio de ação na baliza», começou por destacar.

«É especialista em defender grandes penalidades. É um monstro dentro dos postes», frisou.

Num perfil que o scout identifica como «reativo» e que se traduz em grande «eficiência dentro da baliza», nas saídas o guarda-redes rege-se pela simplicidade.

«Nas saídas de cruzamento também acaba por ser eficiente, não complicando o simples. Sempre que há muita densidade dentro da área, acaba por despachar a bola de uma forma prática e simples», explicou.

«Com os pés, não tem o perfil de um guarda-redes construtor. Possui um pontapé longo muito forte e abrangente, enquanto no jogo curto simplifica, evitando riscos desnecessários», acrescentou.

Resumidamente, «acaba por ser um guarda-redes inteligente por saber gerir bem as suas qualidades».

Qual o maior desafio na mudança para o Sporting?

Apesar de já conhecer o campeonato onde vai jogar, as diferenças no estilo de jogo que vai ter de apresentar são claras, na sequência da passagem de um clube que «joga para não descer» para um clube que luta pelo título. A «concentração durante o jogo» vai ser o principal desafio de Kaique numa primeira fase.

«Nos últimos dois anos em Portugal, ele estava em equipas onde tinha de estar sempre ligado, com muitas ações e sempre muito em jogo. Numa equipa grande isso não vai acontecer com frequência. Vai haver jogos em que, se calhar, pouco ou nenhum trabalho vai ter e isso, às vezes, é um grande desafio para um guarda-redes que vem de um contexto de equipa pequena para um contexto de equipa grande», deu conta.

Face à perspetiva de a bola chegar menos vezes à área, resta perceber se Kaique conseguirá manter-se dentro do jogo e intervir com eficácia quando for solicitado. Embora o jovem ainda não tenha sido testado neste cenário, Carlos Silva confia que o jogador «esteja totalmente capacitado para corresponder da melhor maneira», antevendo que a seu tempo assumirá a baliza verde e branca.

Perspetiva de uma adaptação positiva no clube

Reconhecendo a qualidade de Rui Silva, que é o atual guardião dos leões, e o facto de  ter vindo para ocupar o lugar de João Virgínia, que era segundo guarda-redes, o scout português continua a apostar as fichas no brasileiro.

«Quanto à luta na baliza do Sporting, estamos a falar de dois jogadores muito bons. O Rui é internacional português e tem feito um conjunto de épocas no Sporting muito boas, mas acredito que o Kaique, com o potencial que tem, com as características que tem, pode superar o Rui e até sinto que o possa fazer a curto e médio prazo», explicou.

«Sabemos que os treinadores não o vão fazer só porque sim. O Kaique vai dar muita competitividade à posição. Vai fazer o Rui Silva crescer e vai dar dores de cabeça ao Rui Borges, não tenho dúvida nenhuma», afirmou convincentemente,

Acredito que pelo início da época que o Sporting está a ter, o Rui vai continuar na baliza, mas sempre com o Kaique muito próximo de poder ganhar esse lugar.  Quando o agarrar, acredito que não o vá deixar escapar e acabará por ser um guarda-redes de grande destaque dentro do Sporting e do futebol português. Mais tarde, vai originar uma revenda, certamente para um contexto de um patamar superior», concluiu.
 



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