Joanna de Assis, sobre demissão da Globo: “Dei a volta por cima rápido”

Ler Resumo
De onde veio a ideia de transformar seu post de despedida da Globo, onde trabalhou por duas décadas até ser demitida recentemente, em publi de uma marca de carnes? A ideia foi 100% minha. Escrevendo o texto tradicional de despedida, percebi que soava melancólica — e não combinava comigo. Pensei em usar o engajamento do momento para passar uma mensagem positiva, com um post patrocinado. O ganho financeiro foi secundário: o que importava era a declaração de intenções. Entre a ideia, no domingo, e o contato com a marca, na segunda, tudo se resolveu na confiança. A Swift fez sentido porque faço churrasco de verdade na varanda com meu marido, e “churrasco” já era bordão meu no Globo Esporte. Também senti que devia essa mensagem às mulheres: em vez de “demitida após vinte anos”, a manchete virou “ela inova com publi na despedida”.
Como foi o momento em que recebeu a notícia de sua demissão da emissora após tanto tempo de casa? Acho que foi um “casamento” que a Globo entendeu que não daria mais certo. Discordei, mas o desligamento foi amigável e maduro dos dois lados. A notícia veio de surpresa: eu apurava a negociação do Memphis Depay com o Corinthians quando fui chamada à sala. Ao entrar, já entendi tudo. Fiquei triste, mas dei a volta por cima rápido — brinquei com meu chefe que ainda nos veríamos por aí, saí e fui tomar um cappuccino na padaria.
O que pensa da repercussão de sua saída da Globo no mercado e entre suas fontes jornalísticas? Foi gratificante. Como em todo casamento de vinte anos, ao voltar ao mercado você passa a ser “paquerada”. Recebi propostas diferentes já nas primeiras horas. Isso me deu, pela primeira vez, noção real de como eu era vista fora da emissora. Quase todas as fontes me ligaram ou escreveram, demonstrando carinho e respeito. Foi um mal necessário para eu enxergar essa consideração.
Sem o contrato de exclusividade, como enxerga essa nova fase — e o que tem feito com seu tempo livre? Chamo o que estou vivendo de casamento aberto: posso diversificar projetos em várias plataformas ao mesmo tempo. Em vez de viajar e descansar, abri as gavetas e voltei a trabalhar logo — tirei do papel dois livros infantis e dois podcasts que já tinha escrito e vou publicar agora. Fiz só um detox leve de futebol por uns dias. Porque sei que, quando a rotina engrenar, não para mais.
Está animada com a Copa do Mundo Feminina, que será no Brasil, e com a seleção sob comando do técnico Arthur Elias? Com certeza, é caminho natural — é uma Copa no país. Estou confiante: a preparação está diferente de ciclos anteriores. Arthur Elias é um técnico de altíssimo nível, formado no futebol feminino, e terá um ciclo completo, o que não aconteceu no masculino. Renovou o elenco com atletas jovens sem abrir mão da liderança da Marta, e a vitória sobre a Espanha na Olimpíada mostrou essa evolução. Acredito numa Copa histórica em casa.
Publicado em VEJA de 4 de setembro de 2026, edição nº 3011
