INCRÍVEL: depois do Florgrade, Hélder Castro foi ao Chipre salvar o Ol. Nicosia

INCRÍVEL: depois do Florgrade, Hélder Castro foi ao Chipre salvar o Ol. Nicosia


Se um objetivo cumprido é coisa para se festejar a rigor no futebol, imagine-se dois. Ainda mais quando um deles implicou uma missão relâmpago numa casa onde já se foi feliz. Aconteceu com Hélder Castro, treinador português que, no espaço de um mês, conduziu o Florgrade e o Olympiakos Nicosia à manutenção no Campeonato de Portugal e na Liga de Chipre, respetivamente.

Se «no Florgrade houve tempo para trabalhar e ir melhorando ao longo da época», que cumpriu na íntegra, o que se seguiu na carreira do técnico de 40 anos foi «um mês muito intenso e com muitas aventuras» em Nicosia, para onde foi chamado de urgência para uma operação delicada.

Em estado crítico na fase de manutenção da Liga cipriota, o Olympiakos, clube que Hélder Castro representou enquanto futebolista, precisava de um milagre para se salvar da despromoção.

O termo não parece exagerado, a avaliar pelo que os jogadores confidenciaram ao treinador na festa da manutenção.  «No final, os jogadores perguntaram-me, em brincadeira, se eu acreditava mesmo. Eu disse-lhes que claro que acreditava, mas eles diziam: “Olhe que nem nós acreditávamos”. E quem me disse isso foi um jogador com uns 70 jogos na Liga dos Campeões pelo Shakhtar Donetsk», conta Hélder Castro, entre sorrisos.

O jogador em causa era o internacional ucraniano Viktor Kovalenko, mas seria um antigo companheiro de equipa de Hélder Castro no Feirense, Vieirinha, a apontar o golo, ao minuto 90 do jogo com o Anorthosis [1-0], que carimbou a permanência do Olympiakos Nicosia: «Disse-lhe que o meu principal milagre não foi salvar a equipa, foi fazer com que ele marcasse dois golos em quatro jogos comigo [risos].»

Acabou tudo em bem, mas foi preciso acreditar. E trabalhar, muito. «Foi tudo muito intenso. Entrava no clube às 08h00 e saía às 22, 23h00. Era muito através de vídeos que mostrava aos jogadores que explicava como queria que as coisas funcionassem. Eles estavam fisicamente muito desgastados, e mentalmente ainda mais. Reduzi o tempo de treino e aumentei a intensidade», conta o técnico.

«Especialista em manutenções? Espero que não»

O facto de estar a frequentar o curso de treinador de futebol UEFA A permitiu a Hélder Castro treinar na Liga cipriota. Ou pelo menos era isso que pensava.

«No primeiro jogo, fui para o banco, dei instruções normalmente, mas no dia seguinte a Associação de Treinadores fez queixa de mim, porque o adjunto tinha UEFA Pro e eu UEFA A, e quem estava a dar instruções era eu e não ele. Foi uma confusão do caraças. Fui suspenso, não pude ir para o banco nos últimos três jogos, fiquei no camarote a dar instruções», conta.

Mas nem isso travou o final de época perfeito do Olympiakos Nicosia, que venceu os últimos três jogos da fase da manutenção.

Durante as celebrações pela permanência, os jogadores pediram-lhe – alguns cantaram até! – para ficar, mas, «por causa dos miúdos, isso é impensável» neste momento para Hélder Castro, que só se meteu nesta aventura precisamente por ela ter sido relâmpago.

E terá nascido aqui um especialista em manutenções? O técnico nem quer ouvir falar disso. «Espero que não. Quero lutar por títulos, não por manutenções. Prefiro trabalhar como na época anterior, em que fomos campeões de Aveiro [no Florgrade]. É melhor, prefiro ser conhecido assim», atirou.



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