Há 30 anos sob mesma gestão, Galeria do Rock transforma cultura em negócio

Há 30 anos sob mesma gestão, Galeria do Rock transforma cultura em negócio


Há 33 anos sob a mesma gestão, a Galeria do Rock aposta na economia criativa e no fortalecimento de pequenos empreendedores para manter a competitividade de um dos centros comerciais mais tradicionais de São Paulo.

No comando desde 1993, o presidente da Galeria do Rock, Antonio de Souza Neto, conhecido como Toninho, afirma que a estratégia de longo prazo permitiu adaptar o empreendimento às mudanças do varejo e do comportamento do consumidor, preservando a identidade cultural que impulsiona o modelo de negócios.

Em entrevista ao CNN Money, Toninho afirmou que permanecer por mais de três décadas na gestão permitiu desenvolver uma visão estratégica voltada para ciclos mais longos de investimento e consumo.

“Quando assumimos a Galeria, pensamos que ela precisava sobreviver não por cinco anos, mas pelas próximas décadas. Trabalhamos olhando cinco, seis ou até oito anos à frente, entendendo como a sociedade muda, como o consumidor muda e como os negócios mudam. A Galeria se moderniza à medida que a história muda, porque nada é estático. O grande desafio é acompanhar essas transformações sem perder a essência que construiu nossa história”, explicou o gestor.

Ao longo desse período, a Galeria diversificou sua atuação e hoje conta com cerca de 250 empresas instaladas no complexo. O espaço, antes concentrado apenas em lojas de discos e artigos ligados ao rock, passou a reunir operações de moda urbana, tatuagem, piercing, gastronomia, skate, cultura pop e itens colecionáveis.

A estratégia, segundo a administração, busca ampliar as oportunidades de negócios mantendo a cultura como principal diferencial competitivo do empreendimento.

Para Toninho, a cultura não representa apenas a identidade da Galeria, mas também o principal ativo econômico.

“As pessoas costumam dizer que a Galeria mudou, mas eu digo que ela acompanhou a evolução da cultura. O rock continua sendo a nossa espinha dorsal, mas hoje conversa com o skate, com o hip-hop, com o grafite e com a cultura pop. O importante é preservar esse ambiente de liberdade e criatividade, porque é isso que traz movimento, atrai consumidores e mantém os negócios funcionando”, afirmou.

A administração também aposta no fortalecimento dos pequenos empreendedores, segundo o presidente administrativo, que afirma que diversas marcas que começaram dentro da galeria expandiram suas operações para outros estados.

“Nós nunca enxergamos a Galeria apenas como um centro comercial. Ela funciona como uma plataforma para quem empreende. Muitas marcas nasceram aqui e hoje têm dezenas ou centenas de lojas espalhadas pelo Brasil. Nosso trabalho sempre foi criar um ambiente onde pequenos empresários pudessem testar produtos, fortalecer suas marcas e crescer.”

Mesmo diante do avanço do comércio eletrônico, Toninho avalia que o diferencial competitivo da Galeria está na experiência presencial. Para ele, o consumidor busca mais do que uma compra: procura um ambiente de convivência e descoberta.

Toninha destacou que a internet resolve apenas necessidades, mas não consegue entregar a experiência das lojas físicas.

“Quem vem à Galeria quer ouvir música, conhecer uma marca nova, conversar, encontrar pessoas. Por isso investimos em eventos, ativações e na ocupação dos espaços comuns. A compra online não oferece emoção”, disse.

Para Toninho, a permanência da Galeria desde a inaguração em 1963 demonstra que cultura e negócios podem caminhar juntos.

“Se a gente perder a identidade, perde também o consumidor. A cultura é o nosso maior ativo econômico. O que sustenta esse empreendimento há mais de 60 anos é justamente conseguir preservar essa identidade enquanto o mercado continua mudando”, declarou.



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