Greve chega ao 2º dia nas linhas 11-coral, 12-safira e 13-jade – 05/08/2026 – Cotidiano
A greve dos ferroviários das linhas 11-coral, 12-safira e 13-jade da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) chega ao segundo dia nesta quarta-feira (5) com os trens funcionamento parcialmente.
Às 4h, as linhas 11-coral e 12-safira funcionavam parcialmente. A linha 13-jade estava totalmente paralisada. Os trens da linha 11 circulam apenas entre as estações Barra Funda e Guaianases. Já os veículos da linha 12 circulam entre as estações Brás e Engenheiro Goulart.
Os demais percursos são atendidos por ônibus do Paese (Plano de Apoio entre Empresas de Transporte frente a Situações de Emergência).
Depois de um primeiro dia caótico, com superlotação e atrasos nos trens, a estação Guaianases amanheceu movimentada.
Os primeiros trens saíram todos lotados e chegaram em um intervalo regular de cerca de cinco minutos, ao menos até às 4h40.
As centenas de passageiros que chegavam corriam para pegar os primeiros trens antes que outros o fizessem.
O temor do atraso que virou realidade para muita gente na terça continua a afligir trabalhadores nesta quarta.
“Ontem eu nem consegui chegar”, disse o cozinheiro Reginaldo da Silva, 43, morador de Ferraz de Vasconcelos. Ele até tentou se alocar num ônibus do Paese , mas sem sucesso. “Liguei no trabalho e falei que não seria possível.”
Ele espera que a greve termine o quanto antes, mas hoje ainda chegará atrasado ao trabalho. Ele só conseguiu desembarcar na estação Guaianases por volta das 4h40 e tinha ainda um longo percurso até a estação Barra Funda —seu horário de entrada no trabalho é às 5h.
O Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Central do Brasil decidiu manter a greve por tempo indeterminado em assembleia geral na noite desta terça-feira (4).
Em nota, o sindicato afirmou que fez uma nova tentativa de negociação com o governo estadual, mas não recebeu uma garantia concreta, por escrito, de manutenção dos empregos de todos os trabalhadores da CPTM, mesmo com a concessão dos ramais à iniciativa privada. Essa é a principal reivindicação dos ferroviários.
Uma nova assembleia será realizada nesta quarta, às 17h, para os grevistas discutirem o andamento das negociações e os próximos encaminhamentos do movimento.
“A categoria destaca que o movimento tem como objetivo defender os direitos dos ferroviários e garantir segurança aos milhares de profissionais que dedicaram suas carreiras ao transporte público paulista”, diz nota da diretoria do sindicato.
Já o governo estadual afirmou que a decisão de manter a greve é injustificável e impõe prejuízos graves a quase 1 milhão de passageiros que dependem diariamente do transporte ferroviário.
Segundo o governo, dos 4.648 funcionários empregados em junho de 2026 na CPTM, 2.171 seguem na linha 10-turquesa e os demais fazem parte do plano de realocação que abrange Metrô, Artesp (Agência de Transporte do Estado de São Paulo), Arsesp (Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo) e outros órgãos.
“Ao insistir na paralisação, o sindicato evidencia que sua motivação ultrapassa qualquer reivindicação trabalhista e se concentra na defesa da reestatização de serviços concedidos, conferindo caráter eminentemente político ao movimento”, diz nota do governo Tarcísio de Freitas (Republicanos).
O comunicado afirma ainda que a decisão do TRT (Tribunal Regional do Trabalho) de manutenção de 80% do efetivo nos horários de pico não foi respeitada. A CPTM operou com 53% dos funcionários no período de maior movimento da noite.
O rodízio municipal de veículos seguirá suspenso, informou a prefeitura. A CPTM e o Metrô voltarão a executar o plano de contingência e reforçarão a operação do sistema de transporte para reduzir os impactos à população, diz o governo estadual.
Os ramais afetados transportam cerca de 785 mil passageiros em dias úteis, segundo dados de junho.
